segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

PT encolheu no Sul Fluminense porque não renovou seus quadros

O Sul Fluminense era um berço natural para o desenvolvimento do PT. Suas quatro principais cidades – Volta Redonda, Barra Mansa, Angra dos Reis e Resende – possuíam características favoráveis ao crescimento do partido. Mas o fato é que o partido encontra-se em declínio principalmente por falta de renovação dos seus quadros.

Exceto Resende, mais tradicional das quatro (não só pela presença da Academia Militar, mas pela força dos antigos políticos), nas demais cidades o partido teve relativo sucesso. Mesmo assim, o PT teve a prefeitura por um breve período – no momento que o então prefeito Eduardo Meohas deixou o PSB para se transferir para o PT – e chegou a eleger dois vereadores, do grupo do prefeito, mas que logo depois deixaram a legenda por desentendimento com os petistas “genuínos”.

Em Volta Redonda, o PT foi o primeiro partido do líder sindical Juarez Antunes, que, no entanto, se transferiu depois para o PDT, onde foi eleito deputado federal e prefeito, numa meteórica carreira política precocemente encerrada por um trágico acidente que o matou em 1989. Elegeu vereadores nas primeiras eleições que disputou e entre 1992 e 2000, numa parceria bem sucedida com o PSB elegeu três “vice-prefeitas”. A que mais se notabilizou foi Cida Diogo, eleita vice-prefeita em 1996, depois deputada estadual em 1998 e 2002 e deputada federal nas eleições de 2006.

Cida tentou se eleger prefeita nas eleições de 2004, mas não conseguiu se impor à polarização do grupo de Neto e do seu ex-aliado Baltazar. Nas eleições seguintes, em 2008, Cida não queria ser candidata. Baltazar que migrou para o PT, mesmo abalado com as denúncias do Escândalo dos Sanguessugas, seria o candidato natural. O partido não topou e Cida foi para o sacrifício. Resultado: saiu-se pior que as eleições anteriores. Em 2010, ainda deputada federal, tentou eleger-se deputada estadual e teve um desempenho pífio. Hoje o partido não tem nomes fortes para disputar a prefeitura e o que se ventila é uma nova aliança com Neto, agora no PMDB.

Em Barra Mansa, o PT elegeu vereadores logo nas eleições de 1988. Em 1996, elegeu a primeira mulher prefeita do município, Inês Pandeló (PT), que não conseguiu se reeleger em 2000. Depois disso elegeu-se três vezes deputada estadual (2002, 2006 e 2010), mas perdeu todas as eleições para prefeito, chegando a três derrotas consecutivas (2000, 2004 e 2008). Novamente se mostra como pré-candidata e, como o partido não criou novos quadros, acaba sendo de fato o nome mais viável.
Se em 2004 o PT tivesse lançado um nome diferente (e tinha como opção o ex-vereador Professor Amaral, que vinha de uma boa experiência em 2002 quando teve 20 mil votos para deputado federal), provavelmente também teria perdido para Roosevelt Brasil, que acabou reeleito com 60% dos votos, mas teria projetado um nome alternativo para as eleições seguintes.

Angra dos Reis foi onde o partido teve mais sucesso ficando no poder por 12 anos seguidos, com três prefeitos diferentes. O grande diferencial de Angra é que lá trabalharam mais o nome do partido do que de pessoas e, ainda que tenha se desgastado depois de 12 anos no poder, criou opções. O partido elegeu um dos seus ex-prefeitos como deputado federal e este soube disseminar sua base eleitoral por todo estado, de modo que hoje Angra é um reduto importante, mas não é responsável nem por um terço dos seus votos. Este deputado, Luiz Sérgio, hoje é ministro. Depois de 12 anos de administração da família Jordão, o PT pode até ter chance de voltar ao poder, principalmente se houver uma divisão das outras forças políticas da cidade, o que deve acontecer já que os “Jordãos” não devem conseguir aglutinar todos os grupos políticos como nas três eleições anteriores.

Ainda assim, é muito pouco para o partido, principalmente considerando o fato de, em âmbito nacional, ter vencido as três últimas eleições presidenciais.

1 Comentário:

Jorge Alexandre Lucas disse...

Concordo com você, Campbell, quanto a falta de articulação, de novas lideranças e de um projeto político mais ousado. A grande questão, no entanto, foi que o PT do Rio de Janeiro demorou a se recuperar do Golpe dado pelo ex Governador Garotinho, junta com a direção nacional do partido, em prol de uma aliança maior com o PDT/Brizola. Os fatos são que se aquele acordo foi bom para o Lula, foi péssimo para o partido no Estado. A hora agora é outra, é o momento de reverter isso, tendo Lindberg Farias como um bom candidato ao Governo do Estado em 2014, em condições de deslocar o PMDB, que faz um governo medíocre, sustentado pela mídia, que encobre os dados reais sobre saúde, educação e segurança pública. É necessário que o PT volte a desejar o poder e lembre das suas origens!

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