quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Porquê decisão do Senado sobre os Royalties do Petróleo é uma injustiça contra os estados produtores

Os Estados produtores de Petróleo receberem uma fatia maior dos Royalties do Petróleo é algo justo, simplesmente porque a Constituição de 1988 estabeleceu uma diferenciação na taxação do ICMS do Petróleo. Ao contrário de todos outros produtos que são taxados na origem, apenas o petróleo é taxado no destino. Essa foi uma manobra da bancada paulista na constituinte, liderada pelo então deputado José Serra.

A decisão do Senado de mudar as regras de distribuição dos Royalties, aprovada ontem, produz mais uma injustiça contra o Estado do Rio e, além disso, cria uma insegurança jurídica, pois interfere não apenas nos poços de petróleo a serem descobertos, mas nos já licitados.

O artigo que reproduzo abaixo do jornalista Ribamar Oliveira, do Valor, é bastante elucidativo neste ponto:

Toda a confusão decorre do ICMS na origem

Em 1988 houve uma grande discussão na Constituinte para decidir se a receita do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) deveria ser apropriada pelo Estado de origem ou de destino do produto. Os constituintes preferiram o local de origem da produção. Essa decisão mostrou-se, ao longo dos últimos 20 anos, um erro grave, pois ela piorou as desigualdades regionais do país, uma vez que os Estados mais industrializados passaram a ter a maior fatia do bolo do ICMS.

Um consumidor do Piauí que comprar um carro zero quilômetro talvez não saiba que uma parte do ICMS que pagará, no ato de aquisição, irá para o Estado de origem do veículo. A receita do tributo deveria ser apropriada pelo governo do Estado onde mora a pessoa que comprou a mercadoria, pois é ele que irá prestar os serviços públicos que o consumidor demandará.

A decisão dos constituintes desencadeou uma “guerra fiscal” entre os Estados, pois todos os governadores perceberam a lógica do sistema adotado. Eles passaram a conceder incentivos fiscais de todos os tipos para atrair indústrias e, dessa forma, ampliar sua participação no ICMS.

Royalties e o atual FPE resultam da decisão de 1988

Ao decidir que o ICMS seria apropriado na origem da mercadoria, os constituintes tiveram que enfrentar um problema sério, pois o ICMS incidente sobre petróleo e seus derivados e sobre energia elétrica seria apropriado por poucos Estados onde esses bens essenciais são extraídos e/ou produzidos. Isso beneficiaria, principalmente, o Rio de Janeiro, no caso do petróleo, e o Paraná (por Itaipu), no caso da energia elétrica.

Os constituintes decidiram tirar da origem a apropriação da receita do ICMS sobre petróleo e seus derivados e energia elétrica, com o argumento principal de que foi a poupança de toda a nação que permitiu os investimentos da Petrobras e a construção das hidrelétricas. Os constituintes deram uma compensação aos Estados que perderiam receita com essa decisão.

A compensação veio na forma de participação desses Estados e municípios nos royalties do petróleo e da energia elétrica, segundo relato feito pelo ex-ministro Nelson Jobim, durante julgamento de um mandado de segurança pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em 2003. Jobim, que foi ministro da Justiça, ministro da Defesa e ministro do STF, também foi relator-adjunto da Comissão de Sistematização da Constituinte.

Ocorre que os valores pagos a título de royalties do petróleo eram, no início, irrisórios, de maneira que não despertavam a cobiça dos demais governadores. Para se ter uma ideia, o Estado do Rio de Janeiro recebeu apenas R$ 55,9 milhões em royalties em 1998, de um total de R$ 283,7 milhões arrecadados naquele ano, de acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

O forte aumento da produção do petróleo no Brasil, ocorrido após o fim do monopólio da Petrobras e a abertura de capital da empresa, mudou esse quadro. No ano passado, o Estado do Rio ficou com R$ 6,4 bilhões de royalties e participações especiais e os municípios fluminenses, com R$ 3,3 bilhões. No total, o Rio de Janeiro ficou com cerca de 75% de todos os recursos a título de royalties e participações especiais repassados aos Estados e municípios brasileiros.

Com a descoberta das imensas reservas de petróleo do pré-sal, que ficam na plataforma continental brasileira, a perspectiva é de que a receita com royalties cresça de forma exponencial. É natural, portanto, que os Estados e municípios não confrontantes com as áreas da plataforma onde estão os campos do pré-sal também queiram participar do bolo.

A decisão sobre o ICMS provocou também outra medida polêmica. Quando os parlamentares definiram os critérios de rateio dos recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE), por meio da lei complementar 62/89, a participação do Norte, Nordeste e Centro-Oeste foi elevada de 78% para 85% sem uma argumentação técnica. Segundo o relator da lei, o então deputado Firmo de Castro, procurou-se, com esse aumento, “distribuir melhor os ganhos da reforma tributária, vez que a ampliação da base de incidência do ICMS beneficiará mais fortemente os Estados mais desenvolvidos do país”.

O percentual de cada Estado no bolo do FPE também foi fixado sem critério, tendo em vista apenas circunstâncias históricas. A lei 62/89 foi considerada inconstitucional pelo Supremo e o Congresso terá que aprovar, até dezembro de 2012, nova lei, com critérios que garantam o equilíbrio socioeconômico entre os Estados.

Por causa da confusão provocada pelo ICMS na origem, os Estados e municípios estão, neste momento, em confronto aberto pelos royalties do petróleo, como se eles fossem apenas mais uma fonte de recursos para financiar gastos. O petróleo é um recurso que deverá acabar em algumas dezenas de anos. Por isso, os recursos decorrentes de sua exploração deveriam alimentar um fundo público de poupança, destinado a financiar o desenvolvimento do país, com aplicações prioritárias na educação e em ciência e tecnologia. Além disso, é necessário pensar nas futuras gerações, quando as receitas do petróleo já não existirão.

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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Orlando Silva: postura adequada, porém insuficiente

Não cabe a mim julgar se o Ministro Orlando Silva, dos Esportes, é inocente ou culpado das denúncias de corrupção em sua pasta. Como disse aqui, independente disso, creio que a sua permanência no cargo seja insustentável e o melhor talvez até para ele mesmo seria se afastar.

Porém, é importante registrar que ele, ao comparecer ao Congresso, adota uma postura pelo menos diferente de outras figuras envolvidas em escândalos, as quais preferiram furtar-se de dar explicações ao Legislativo.

Mesmo que se possa questionar se as explicações dele foram ou não convincentes, é preciso reconhecer que ele está, pelo menos, ele não está correndo da raia.

Mas, volto a afirmar: para mim sua queda é uma questão de tempo. Li na imprensa que a própria presidente teria avaliado que as declarações de Orlando foram “adequadas, porém insuficientes”.

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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Sopa de Letrinhas em 2012

Ano que vem teremos uma das eleições com o maior número de partidos concorrendo, pelo menos nas maiores cidades onde a maioria das siglas registradas deve lançar candidaturas próprias. Além dos 27 partidos já existentes até a eleição passada, outros dois partidos foram criados, o PSD, que nasce com status de partido grande, com dezenas de deputados federais, centenas de estaduais, prefeitos e vereadores, e o PPL (Partido da Pátria Livre), criado por militantes do Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8), organização de luta contra o regime militar que remanesceu mesmo após a redemocratização

Outra diferença substancial é que alguns partidos pequenos que até as eleições passadas não estavam organizados, estão agora se espalhando pelos quatro cantos do Brasil, motivados talvez pelo aumento no número de cadeiras nas Câmaras de Vereadores.
Como os partidos podem lançar até uma vez e meia o número de vagas em disputa (ou duas vezes, se coligados) e como haverá mais partidos registrados, o aumento do número de candidatos é natural. E no que isso é ruim?

Primeiro é preciso entender que as eleições no Brasil acontecem por voto proporcional, ou seja as vagas são distribuídas de acordo com a votação dos partidos ou coligações, se elegendo os mais votados desses partidos. Um candidato pode ter uma boa votação e ficar de fora e outra ser eleito com menos votos, graças a ajuda do partido (clique aqui para entender quociente eleitoral).
Portanto, os partidos vão a caça de candidatos para disputarem as próximas eleições e ajudarem a eleger os seus caciques. Com isso, mesmo em cidades médias como Volta Redonda, onde eu moro, haverá uma explosão de candidatos e facilmente será possível encontrar na mesma família ou rua mais de um candidato.

Como o interesse político da maioria das pessoas é muito baixo, as pessoas acabam votando por afinidade no colega de trabalho, no vizinho, no parente mesmo que esse candidato não tenha chance nenhuma de se eleger e esteja apenas servindo de “bucha” para ajudar a eleger os campeões de votos do seu partido. Mais que isso: vota em pessoas completamente mal preparadas, que nem sabem por que são candidatas.

Eu defendo o fim das coligações partidárias (como foi aprovado na CCJ do Senado, mas não deve valer para essas eleições) e uma regra para reduzir o número de candidatos que cada partido pode lançar, 10% a mais que o número de vagas em disputa, por exemplo. Isso vai desencorajar a existência de partidos pequenos que sobrevivem apenas para serem legendas de aluguel e fazer com que os partidos maiores lancem também menos candidatos. Com menos candidatos disputando, o eleitor terá condição de fazer uma análise melhor das propostas de cada um e não ficar refém do uni-duni-tê.

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segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Três Parás? Mais governadores, senadores e deputados

Em breve, os paraenses vão decidir se querem dividir o estado por três. Olhando superficialmente sobre a questão dá para ver que há um ponto muito a favor da divisão, que é o tamanho do estado, cuja área é 1.247.689,515 km², por outro lado, tem uma população estimada em e um contrário, que é o tamanho da população ser 7.321.493 habitantes, uma densidade populacional de apenas 6 hab / km² - só a critério de comparação, o Rio de Janeiro tem 366 hab / km².

Mas o fato principal, que pode estar por trás de tudo, é o fato de a divisão significar mais dois governadores, com seus respectivos secretariados, seis senadores, duas novas assembleias legislativas e mais deputados federais. Será que compensa o custo?

Veja matéria da Agência Brasil sobre o assunto:

Pará faz pebliscito para decidir se país terá mais dois estados

16/10/2011 - 14h38
Nacional
Ivan Richard
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O Brasil poderá passar a ser formado por mais dois estados em pouco mais de dois meses. No próximo dia 11 de dezembro, os eleitores paraenses irão às urnas para decidir se concordam em dividir o estado em três. Caso a maioria do eleitorado vote pela divisão, o Pará, hoje com área de 1.247.689 quilômetros quadrados, ficará com 17% desse território, Carajás, ao sul do estado, com 35%, e Tapajós, localizado a oeste, com 58%.

Aprovados este ano pelo Congresso Nacional, os decretos legislativos que convocam o plebiscito estabelecem que o futuro estado do Carajás poderá ser composto por 39 municípios, tendo Marabá como capital, e população estimada em 1,6 milhão de habitantes. Já o estado de Tapajós, poderá ter 27 cidades, tendo Santarém como capital, e população em cerca de 1,2 milhão de habitantes.

O Pará, que pode ficar com 17% do seu atual território, seria composto por 78 municípios, e com população de 4,6 milhões de habitantes, sendo que a cidade de Belém continuaria sendo a capital. Segundo cálculos feitos pelas frentes pró-divisão, o Novo Pará ficaria com aproximadamente 56% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado, Carajás com 33% das riquezas e Tapajós com 11% do que é atualmente produzido no estado.

De acordo com as regras definidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os 4.839.384 eleitores paraenses responderão a duas perguntas no dia do plebiscito. Em uma cédula na cor amarela, o eleitor terá que marcar se é a favor ou contra a divisão do estado para criação de Tapajós. Em outra cédula, de cor branca, terá as mesmas opções para a pergunta se é a favor da divisão do estado do Pará para a criação do estado do Carajás.

Desde o dia 13 de setembro as frentes pró e contra a divisão do estado estão autorizadas a fazer campanha com distribuição de panfletos, santinhos e realização de comícios. A propaganda no rádio e na televisão começa a ir ao ar a partir do próximo dia 11 de novembro. O TSE limitou em R$ 10 milhões os gastos de que cada uma das quatro frentes que farão campanha pró e contra a divisão territorial do estado do Pará.

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Quanto tempo durará a fritura de Orlando Silva?

Culpado ou inocente das denúncias de ter recebido recebido dinheiro de um beneficiário do programa “Segundo Tempo”, vinculado ao ministério dos Esportes, o fato é que dificilmente o Ministro Orlando Silva seguirá no governo. Ainda que dê explicações convincentes, seu processo de fritura já começou e o desgaste das denúncias deve derrubá-lo. A decisão que o Governo da Presidente Dilma e o próprio ministro devem tomar é se vale a pena prolongar o inevitável ou tentar uma "saída digna".

Não é o primeiro caso de denúncia de corrupção no Governo Federal, não será o último também. Exceto o caso "Palocci", o governo agiu rapidamente nos demais e o termo "faxina" ganhou força. O problema é que a cada dia que passa aparece mais sujeira para ser limpa.

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sábado, 15 de outubro de 2011

Em propaganda na TV, PSDB tenta resgatar legado “FHC”

Um dos destaques da Propaganda Eleitoral que o PSDB levou para a TV esta semana foi um destaque ao Governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). É fruto de uma análise – óbvia para todos, mas que ao PSDB demorou compreender – que renegar o governo FHC, o PSDB está renegando a si mesmo e dando apenas subsídio para prevalecer a versão propagada pelo PT de que o governo Tucano foi um fiasco. Não sei ainda dá tempo e nem se o PSDB está fazendo da forma certa, mas é uma tentativa. Melhor do que o partido fez em 2002, quando Serra escondeu FHC e tentou se mostrar como o candidato da mudança "tranquila” e de 2006 quando Geraldo Alckmin também se “esqueceu” do seu companheiro de partido. Em 2010, acho que não havia muito o que fazer no período eleitoral. Agora, parece que o PSDB está se preparando para 2014 com alguma antecedência.

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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Fim das coligações nas proporcionais não deve valer para 2012

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou, no último dia 5, Proposta de Emenda à Constituição que proíbe as coligações nas eleições proporcionais (vereador e deputado), o que causou grande apreensão aos partidos que estavam organizando suas nominatas de candidatos às Câmaras dos Vereadores e tinha até o dia 7 de outubro (um ano antes das eleições do ano que vem) para filiar seus candidatos.

Particularmente, vejo com bons olhos os fins das coligações nas proporcionais por dois motivos: o primeiro, e principal, é que elas possibilitam jogar no mesmo balaio candidatos com perfil totalmente diferente (mesmo sabendo que ideologia partidária é uma fantasia no Brasil, as coligações pioram o sistema); o segundo é que isso pode vir a fazer uma redução das siglas partidárias no Brasil (já são quase 30 legendas, que confundem a cabeça do eleitor e servem de palanque de aluguel).

Porém, faltando tão pouco tempo para as eleições do ano que vem não seria justa essa alteração. Por isso mesmo, alterações na Legislação Eleitoral devem ser aprovadas com um ano de antecedência para vigorarem.

(P.S.: Faltando pouco menos de um ano para as eleições tento retomar a rotina de atualizações do blog. Provavelmente, ainda não será possível atualizações diárias, mas pelo menos de duas a três vezes na semana tentarei escrever).

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