Hoje recebi o meu carnê do IPTU e depois de levar um susto com o valor – não sei está mais caro (ainda) do que ano passado ou se eu que ainda não me acostumei com a fúria dos governos para arrecadarem. Mas nem é este, especificamente, o caso que quero comentar aqui.
Muitas cidades do Brasil oferecem bons “descontos” para quem paga seu IPTU em cota única. Aqui, em Volta Redonda, esse “desconto” é de 25% até 31 de março. Quem não quiser (ou não tiver como) pagar à vista tem a opção de pagar a cota número um até 31 de março e mais cinco parcelas vencendo sempre no último dia útil do mês.
Coloquei a palavra desconto entre aspas no parágrafo anterior, pois na verdade essa palavra mascara uma outra não tão bonita: “juros”. Para ficar mais fácil a compreensão, vamos usar um exemplo hipotético: imagine uma pessoa cujo IPTU custa R$ 600, sem o tal desconto. Logo, essa pessoa pagaria R$ 450 a cota única. Mas se ao invés disso, ela pagar apenas R$100, é como se ela estivesse pegando emprestado R$ 350 (a diferença entre a cota única e a cota número 1), pelos quais ela terá que pagar cinco “suaves” prestações de R$100.
Agora, peça ajuda ao Excel e use a função pagamento e simule um empréstimo de R$ 350, em cinco prestações, com juros de 13,2% (eu já fiz essa conta) e você vai ver que será uma parcela de R$ 100. Ou seja, 13,2% é o valor dos juros que a prefeitura de Volta Redonda cobra de quem não pode pagar o IPTU em cota única. Veja o exemplo na imagem abaixo:
Resumo da ópera: é melhor recorrer a um agiota com juros de 10% do que pagar parcelado o IPTU de Volta Redonda.
O ideal seria que aquelas pessoas que pagassem o IPTU em parcelas, em dia, também fizessem jus a um desconto, mesmo que um pouco menor. O modelo atual só prejudica os menos favorecidos, que não tem como pagar o valor cheio.
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