terça-feira, 18 de outubro de 2011

Sopa de Letrinhas em 2012

Ano que vem teremos uma das eleições com o maior número de partidos concorrendo, pelo menos nas maiores cidades onde a maioria das siglas registradas deve lançar candidaturas próprias. Além dos 27 partidos já existentes até a eleição passada, outros dois partidos foram criados, o PSD, que nasce com status de partido grande, com dezenas de deputados federais, centenas de estaduais, prefeitos e vereadores, e o PPL (Partido da Pátria Livre), criado por militantes do Movimento Revolucionário 8 de outubro (MR-8), organização de luta contra o regime militar que remanesceu mesmo após a redemocratização

Outra diferença substancial é que alguns partidos pequenos que até as eleições passadas não estavam organizados, estão agora se espalhando pelos quatro cantos do Brasil, motivados talvez pelo aumento no número de cadeiras nas Câmaras de Vereadores.
Como os partidos podem lançar até uma vez e meia o número de vagas em disputa (ou duas vezes, se coligados) e como haverá mais partidos registrados, o aumento do número de candidatos é natural. E no que isso é ruim?

Primeiro é preciso entender que as eleições no Brasil acontecem por voto proporcional, ou seja as vagas são distribuídas de acordo com a votação dos partidos ou coligações, se elegendo os mais votados desses partidos. Um candidato pode ter uma boa votação e ficar de fora e outra ser eleito com menos votos, graças a ajuda do partido (clique aqui para entender quociente eleitoral).
Portanto, os partidos vão a caça de candidatos para disputarem as próximas eleições e ajudarem a eleger os seus caciques. Com isso, mesmo em cidades médias como Volta Redonda, onde eu moro, haverá uma explosão de candidatos e facilmente será possível encontrar na mesma família ou rua mais de um candidato.

Como o interesse político da maioria das pessoas é muito baixo, as pessoas acabam votando por afinidade no colega de trabalho, no vizinho, no parente mesmo que esse candidato não tenha chance nenhuma de se eleger e esteja apenas servindo de “bucha” para ajudar a eleger os campeões de votos do seu partido. Mais que isso: vota em pessoas completamente mal preparadas, que nem sabem por que são candidatas.

Eu defendo o fim das coligações partidárias (como foi aprovado na CCJ do Senado, mas não deve valer para essas eleições) e uma regra para reduzir o número de candidatos que cada partido pode lançar, 10% a mais que o número de vagas em disputa, por exemplo. Isso vai desencorajar a existência de partidos pequenos que sobrevivem apenas para serem legendas de aluguel e fazer com que os partidos maiores lancem também menos candidatos. Com menos candidatos disputando, o eleitor terá condição de fazer uma análise melhor das propostas de cada um e não ficar refém do uni-duni-tê.

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