Obama: nem tantas flores, nem tantas pedras
Lendo e assistindo ao noticiário sobre a visita do presidente estadunidense Barack Obama lembrei a visita de Michael Jackson em 1993 (ou 1994, não me lembro bem agora). A mídia não faz a cobertura da visita de um chefe de Estado, mas sim de um popstar. Nem sei se é exatamente aquele complexo de vira-latas, para usar a expressão de Nelson Rodrigues ou a mente colonizada como alguns amigos mais à esquerda definiriam. Mas que há um certo exagero, isso há.
Nem por isso, no entanto, são justificados os protestos contra a visita de Obama. Os EUA são um parceiro importante e o Brasil deve buscar uma maior aproximação comercial, principalmente no sentido de derrubar as barreiras impostas pelo país do Norte.
O Brasil não precisa se ajoelhar para os EUA, mas é desnecessário atirar-lhes pedras...













Alexandre,
temos que negociar sim com os EUA, assim como com a UE, a China, a Rússia, o Irã, etc. São parceiros comerciais importantes e sim, Dilma fez bem em bater fotos sorridentes ao lado de Obama: faz parte do protocolo, são meras formalidades.
Por outro lado, é injustificável e absurdo que tenhamos aceitado condições tão humilhantes no tocante à organização desse encontro, notadamente a segurança e a atuação dos agentes norte-americanos em território nacional. Não aceitamos condições normais, porém condições típicas de um país sob ocupação. E isso não é mera formalidade é gravíssimo. No lugar de Dilma, não teria aceitado essa visita, diante de tais condições. Talvez ela nem estivesse a par destes detalhes (e nem é sua função se ater a tais detalhes, isso não compete a quem está na Presidência), como o fato de ministros brasileiros terem tido de passar pelo constrangimento de serem revistados por agentes americanos, em nosso próprio país - enquanto empresários americanos, sequer teriam sido revistados. O fato é que aconteceu e, caso essa subserviência absurda tenha sido aprovada, foi por absoluta incompetência do Itamaraty. De todo modo, foi uma visita muito, muito ruim: desagradou tanto aos republicanos hiper-conservadores lá nos States (que achavam que Obama não deveria visitar o Brasil pela nossa abstenção na votação da imposição do bloqueio aéreo à Líbia, nossas boas relações com Cuba e Venezuela etc)como desagradou profundamente, também, a muitos de nós. Dilma e Obama saíram perdendo, e este último, no Chile, se sentirá bem melhor: é muito pouco provável que, lá, Obama passe pela situação vexatória de, no meio de seu discurso, ministros peso-pesados do país anfitrião (Guido Mantega e Aloysio Mercadante), se levantando e deixando o recinto na frente de todos, em sinal de protesto (e agradeço profundamente a eles, por este gesto). Foi uma visita muito infeliz: do homem errado, no lugar errado e no momento o mais errado possível, o do início dos bombardeios à Líbia.
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