As eleições de 2010 no Estado foram centralizadas por três grandes grupos, pouco coesos, que se uniram de acordo com as circunstâncias das eleições gerais: o grupo liderado pela dobradinha PT-PMDB, que reelegeu o governador Sérgio Cabral (PMDB) e elegeu Lindberg Farias (PT) para o Senado; o grupo PV-PSDB-DEM-PPS, que não conseguiu eleger suas duas principais lideranças, Gabeira (PV) para o Governo e Cesar Maia (DEM) para o Senado; e o grupo do ex-governador Garotinho (PR), eleito deputado federal com a maior votação da história do Rio, que ampliou o número de deputados estaduais e federais do PR. O senador reeleito Marcelo Crivella (PRB) “correu por fora”, ora se aproximando do grupo PMDB-PT, ora se aproximando do grupo de Garotinho, com quem na reta final fechou uma “aliança branca” – que pode ter conseqüências nas eleições municipais..
As eleições de 2012 por serem “soltas” (apenas prefeito e vereador) guardam componentes diferentes de uma eleição geral. Partidos que se viram “obrigados” a se aliar nestas eleições gerais em função dos vários cargos em disputa, podem sentir-se livres para tentarem “vôos solos” daqui a dois anos.
As conjecturas.
No Grupo PMDB/PT
* O PMDB que conseguiu reunir 16 partidos na aliança em torno da reeleição do governador dificilmente conseguirá o mesmo em torno da tentativa de reeleição do prefeito, embora a dupla Eduardo Paes / Sérgio Cabral tenha um bom argumento de convencimento: a caneta.
* Tudo vai depender de como estará os governos dos dois em 2012. Se a dupla estiver bem avaliada e a perspectiva de vitória for boa, com ajuda da caneta, é mais fácil segurar os aliados.
* Em 2008, apesar do PT já fazer parte do Governo Estadual do PMDB, os partidos estiveram em lados opostos no primeiro turno. O acordo era que o governador apoiaria um nome do PT – Alessandro Molon era o candidato. O acordo ruiu na última hora, já que o PT não ofereceu a “contra-partida” esperada pelos peemedebistas no Interior.
* Em 2012, o PT novamente se dividirá entre aqueles que, com cargos no governo do Estado e na prefeitura, vão preferir atender apelos do PMDB e os que vão defender a candidatura própria.
* A divisão interna do PT acaba favorecendo Sérgio Cabral, até porque o grande nome do PT que saiu das urnas de 2010, o senador eleito Lindberg Farias, estará impedido legalmente de disputar a prefeitura do Rio em 2012.
* Eleito e reeleito prefeito de Nova Iguaçu em 2004 e 2008, a disputa em 2012 no Rio configuraria o exercício do terceiro mandato para o mesmo cargo, o que o TSE, em dezembro de 2008, proibiu determinantemente, ao firmar jurisprudência sobre o assunto (veja o exemplo do prefeito de Valença-RJ, Vicente Guedes, que foi cassado por ter exercido dois mandatos anteriores em Rio das Flores-RJ, com base nesta resolução, posterior a sua eleição).
* Outro partido desse grupo que terá peso nestas eleições é o PDT, do apresentador Wagner Montes, reeleito deputado estadual com mais de 500 mil votos, o que fez do partido a segunda maior bancada da Alerj, com 11 membros. O partido tem ainda três deputados federais. Ainda que seja pouco provável que Wagner Montes dispute a prefeitura do Rio, ele será um eleitor importante. Observação: o próprio apresentador já disse que seu perfil, no caso de vir a disputar um cargo executivo, seria mais adequado para “Governador”, que é quem manda na “puliçada”. Além disso, tem um polpudo contrato com a Record, que teria que abandonar caso viesse a ser eleito prefeito.
No grupo do ex-governador Garotinho:
* Especula-se que o PR lançará a candidatura da vereadora e deputada estadual eleita Clarissa Garotinho para a prefeitura e que o senador reeleito Marcelo Crivella (PRB), em função da “aliança branca” firmada com Garotinho em 2010, teria o compromisso de apóia-la. Podendo atrair alguns pequenos partidos, torna-se uma candidata competitiva.
No grupo que apoiou Gabeira para governador (PSDB-PPS-DEM-PV)
* Há pouquíssima coesão neste grupo que, que deve se dividir em pelo menos dois.
* O ex-prefeito do Rio, Cesar Maia, seria uma opção natural do DEM, embora já tenha sinalizado que pode abrir espaço para novas lideranças: o seu próprio filho, Rodrigo Maia, o candidato derrotado a vice-presidente, Índio da Costa, ambos do DEM, ou o deputado federal Otávio Leite, este do PSDB.
* O deputado federal Fernando Gabeira, depois de disputar duas eleições majoritárias no Rio, também seria o candidato natural do PV.
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