domingo, 31 de outubro de 2010

Análise: apesar de questionados, institutos acertaram resultado eleitoral

Dilma foi eleita presidente do Brasil. Enquanto escrevo este post faltava 1% das urnas apuradas, mas as parciais indicavam que a vitória sobre Serra foi por 56% a 44%. Dentro da margem de erro, as pesquisas dos os quatro institutos de pesquisa do Brasil, divulgadas na véspera, acertaram o resultado. O Datafolha apresentou 55% a 45% e o Ibope, 56% X 44%. Vox Populi e Sensus apresentaram 57% a 43%.

O Ibope divulgou uma pesquisa Boca de Urna em que mostrava Dilma com 58% e Serra, com 42%. No limite da margem de erro de dois pontos, o Instituto também acertou o resultado, dois a menos e dois a mais para o Serra.

Alguns analistas se precipitaram para criticar o resultado da Boca de Urna do Ibope, principalmente porque a apuração seguia mais lenta nas áreas onde Dilma venceu, mas a falta de precisão pode ser facilmente entendida pelo simples fato de que não há controle sobre a abstenção e ela foi maior nos Estados onde a petista venceu. Mesmo assim, o Instituto precisa apurar sua técnica.

Antes de explodirem denúncias de corrupção na Casa Civil, quebra de sigilo e principalmente da campanha difamatória contra a candidata, esperava-se uma vitória ampla de Dilma, ainda no primeiro turno. Quando a eleição não foi resolvida na primeira etapa e as primeiras pesquisas do segundo turno indicaram um estreitamento da diferença de Dilma e Serra, começou-se a pensar que poderia haver uma virada.

O que aconteceu com Dilma, no entanto, confirma uma regra: quem termina na frente o primeiro turno com mais de 10 pontos, em 99% dos casos se elege no segundo.

Há um ano atrás, quando Serra liderava as pesquisas no período pré-eleitoral alguns analistas diziam que o tucano seria eleito, pois não existe transferência de votos, Dilma nunca disputou nenhuma candidatura, etc...

A vitória de Dilma mostra que Lula, sim, conseguiu transferir votos para sua candidata, que nunca disputou as eleições. Mas os eleitores não votaram em Dilma apenas porque o presidente pediu, mas porque disseram que queriam dar continuidade a um governo bem avaliado.

Hoje, parte desses mesmos analistas que diziam que ela não venceria diz agora que a vantagem da petista foi “pequena” diante dos mais de 20 pontos que Lula conquistou em 2002 e 2006.

A vitória de Dilma foi incontestável.

Discordo e me preocupo da queixa de parte dos tucanos que a disputa foi desigual por conta da participação ostensiva de Lula na campanha. Se Lula não fosse bem avaliado, sua participação na campanha seria inócua ou não recomendada, como não foi recomendado a FHC que participasse da campanha de Serra, em 2002. Serra escondeu FHC naquela eleição não porque o presidente preferiu adotar uma postura de “chefe de Estado”, mas porque ele era muito mal avaliado.

Os tucanos podem buscar uma série de explicações e justificativas para a derrota de Serra – embora o ressentimento não seja o melhor conselheiro –, mas o fato que resume esta eleição é que Serra foi o candidato da situação quando a maioria queria a mudança, e foi o candidato da oposição quando a maioria queria continuidade. Simples assim.

LEIA TAMBÉM, post que escrevi hoje mais cedo, antes das urnas se abrirem (explica um pouco o vaivém das pesquisas nesta eleição:


Pesquisas Eleitorais: Dilma “administrou” 2º turno e deve ser eleita neste domingo



Atualização às 23h45:
uma bobagem falada nessas últimas horas por alguns partidários de Serra, ou por desconhecimento, ou como tentativa de justifica a derrota, é que a divulgação sistemática das pesquisas favoreceu Dilma. Ora, pesquisas são apenas o termômetro e não a febre. Durante todo o segundo turno, o PSDB preferiu dizer que os termômetros estavam errados, ao invés de encarar a febre.

Pesquisas influenciam sim: apoios, mobilização. Mas achar que o Brasileiro é "Maria vai com as outras" é desprezar a inteligência do nosso povo. Parte daquele mesmo princípio anti-democrático que o povo não sabe votar, que inteligente é a "minoria", os "mais escolarizados", "os mais ricos".

O princípio da democracia é essa: o voto de cada um vale o mesmo. E o voto da maioria elegeu Dilma. Gostando ou não, temos que respeitar a escolha do povo, torcer para que faça um bom governo e fiscalizar suas ações.

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Dilma é a nova presidente

Com mais de 80% dos votos apurados, Dilma Rousseff tem nove pontos de vantagem (54,5 a 45,5), mas o percentual deve aumentar, pois a apuração segue mais lenta no Norte, Nordeste é mais lenta do que no Sul, Sudeste.

A vitória de Dilma se explica pelos motivos citados no artigo que publiquei nesta madrugada. Consolidados os resultados, farei uma nova análise e principalmente sobre as pesquisas.

O Ibope dificilmente conseguirá acertar o resultado das eleições, mas as pesquisas da véspera devem se aproximar do resultado final.

No Twitter, estou comentando os resultados. Apareça lá: www.twitter.com/blogdocampbell

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Boca de Urna Ibope: Dilma, 58%; Serra, 42%

O Ibope divulga resultado da pesquisa Boca de Urna: Dilma tem 58% dos votos válidos, contra 42% de Serra. Confirmado resultado, em tese, significa que os votos dados a Marina e aos candidatos nanicos no primeiro turno se distribuíram de forma proporcional. Dilma que teve 47%, ganha 11 pontos, e Serra, que terminou o primeiro turno com 33%, ganhou nove pontos.

No primeiro turno, a Boca de Urna do Ibope errou o resultado das eleições além da Margem de errou (deu 51% para Dilma, 30% para Serra e 18% para Marina). No entanto, para Serra ser eleito, o Instituto precisará ter errado em mais de oito pontos. Pouco provável, mas vamos esperar a apuração.

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Pesquisas Eleitorais: Dilma “administrou” 2º turno e deve ser eleita neste domingo

s quatro principais institutos de pesquisas do Brasil – Ibope, Datafolha, Vox Populi e Sensus – apontam que Dilma Rousseff (PT) será a primeira mulher a presidir o Brasil. A diferença da petista para o tucano José Serra varia entre 10 e 12 pontos (votos totais), uma vantagem confortável na véspera da votação.

Mesmo com todos os indicativos que Dilma realmente vencerá estas eleições, quase todo mundo tem um pé atrás com as pesquisas. O presidente Lula já definiu bem essa questão: “O PT nunca acreditou em pesquisas, mas quando a pesquisa é boa a gente acredita”.

Diante dos resultados apresentados neste sábado, são os tucanos que questionam a credibilidade das pesquisas (Leia: Pesquisas no 2º turno: e agora, dá para confiar?), e lembram que no primeiro turno os institutos erraram o resultado além da margem de erro.

Há, contudo, uma variável completamente diferente: no primeiro turno, havia uma tendência de queda de Dilma e crescimento de Serra e de Marina. Os institutos registraram este movimento, mas não conseguiram captar com precisão os índices. Agora não há indicação de nenhuma tendência a favor de um dos candidatos.

Logo após o primeiro turno, quando faltaram três milhões de votos para Dilma vencer , houve uma acomodação. De imediato, Serra herdou a maior parte dos votos dados a Marina. Em seguida, Dilma recuperou-se um pouco nesta fatia do eleitorado e há mais de 10 dias o quadro é estável.

E, entre os eleitores que votaram em Marina e nos candidatos nanicos no primeiro turno, já havia também algumas certezas: parte deles jamais votaria em Dilma, outra parte jamais votaria em Serra e alguns não votariam em nenhum dos dois. Tudo isso reduz a margem de Serra para reverter a diferença que o separarou de Dilma no primeiro turno.

Para vencer a eleição, Serra precisava convencer eleitores que votaram na adversária no primeiro turno a mudar de lado (Leia: Serra precisa tirar votos de Dilma para vencer no 2º turno), mas o segundo turno foi marcado pelo equilíbrio.

Depois de um primeiro turno em que a campanha eleitoral desceu a um dos níveis mais baixos desde 1989, os eleitores que votaram em Serra ou em Dilma o fizeram por convicção e – as próprias pesquisas indicam isso – devem repetir o voto nesta segunda etapa.

Por tudo isso, a provável vitória da “candidata do Lula” logo mais é o resultado mais lógico (se é que existe lógica em política) que poderia se esperar deste segundo turno, que não pode ser visto como uma eleição separada.

Sabe aquelas competições esportivas que são disputadas em jogos de ida e volta? É como se Dilma tivesse vencido a primeira partida por uma vantagem confortável, o que obrigaria Serra a conseguir um resultado muito favorável na segunda partida, mas, ao que tudo indica, a campanha petista está conseguindo administrar o resultado.

Mas ATENÇÃO! O árbitro não apitou o final de jogo e, portanto, um conselho a você, torcedor (ops, eleitor) de Dilma ou de Serra: esqueça tudo que leu acima. Não suba no salto se você é petista, nem jogue a toalha se você é tucano. Daqui a algumas horas as urnas se abrem, vote com tranqüilidade, com consciência, naquela ou naquele que você considera ser o melhor para o Brasil. A apuração vai começar por volta das 19h, em função do fuso horário diferente em alguns estados, e deve ser rápida. Logo, logo a angústia vai acabar. E, ganhando quem ganhar, é importante que a atenção com a questão política não se restrinja ao período eleitoral que encerra-se hoje, mas que seja permanente. Assim, certamente, com Dilma ou Serra, a vitória será do Brasil.

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sábado, 30 de outubro de 2010

IBOPE (Segundo Turno) mostra quadro estável: Dilma, 52%; Serra, 40%

O Jornal Nacional divulgou a última pesquisa Ibope antes das eleições. O campo, realizado dias 29 e 30, mostra a candidata Dilma Rousseff (PT), com 52%, e José Serra (PSDB), com 40%. Em relação à pesquisa dia 28, Dilma manteve o mesmo índice e Serra oscilou positivamente um ponto.

Aliás, desde o dia 20, o Ibope (http://www.blogdocampbell.com.br/2010/10/pesquisa-ibope-segundo-turno-2810-leve.html) a diferença entre os dois candidatos no patamar atual.

Na primeira pesquisa divulgada pelo Ibope, em 13/10, Dilma tinha 49% contra 43% de Serra, na pesquisa do Dia 20, o resultado era Dilma 51% X Serra 40%.

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Para Datafolha, Dilma tem 51% e Serra, 41%

A última pesquisa do Datafolha sobre a sucessão presidencial também mostra um quadro de estabilidade. Dilma tem 51% e Serra, com 41% - cada candidato ganhou um ponto em relação ao levantamento anterior. Declaram votar em nulo ou em branco 4% dos eleitores e outros 4% estão ainda indecisos.

Quanto mais próximo de 100% está a soma da votação dos dois candidatos, menos espaço há para uma virada.

Veja análise da pesquisa anterior, divulgada ontem. O cenário é o mesmo:

Datafolha diz que há pouco espaço para uma virada; blog chama a atenção para algumas variáveis

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Vox Populi: Dilma, 51%; Serra, 39%



Pesquisa do Instituto Vox Populi divulgada na noite deste sábado aponta uma vantagem de 12 pontos porcentuais de diferença entre a petista Dilma Rousseff e o tucano José Serra na disputa presidencial. Dilma tem 51% das intenções de voto, enquanto Serra soma 39%.
Considerando os votos válidos, Dilma aparece com 57% e o tucano tem 43%. Na véspera da realização do segundo turno, o número de indecisos chega a 5%, enquanto brancos e nulos contabilizam 5%.
Na pesquisa anterior, do dia 25, o instituto apontava a petista com 49% das intenções de voto e seu adversário 38%.
A pesquisa ouviu 3.000 mil eleitores hoje e tem margem de erro de 1,8 pontos porcentuais, para mais ou para menos. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob número 37.844/2010. (Agência Estado)

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CNT / SENSUS: Dilma 50%;Serra, 38%

Quando considerados os votos brancos, nulos e eleitores indecisos, 50 das intenções de votos são de Dilma, 37,6% de Serra e 4,1% são brancos/nulos. A pesquisa foi feita entre os dias 29 e 30.

Nova pesquisa Sensus, divulgada neste sábado pela CNT, mostra a candidata do PT, Dilma Rousseff, com 50% dos votos e o tucano José Serra, com 38%. Brancos e nulos somam 4% e os indecisos são oito pontos. Em relação à pesquisa anterior, Dilma oscilou negativamente dois pontos e Serra positivamente um.

Segundo o instituto, a taxa de definição de votos está em 79%, que corresponde a eleitores que declararam impossibilidade de mudança de voto (para outros institutos, como Datafolha e Ibope, a taxa de definição é de mais de 90%). A CNT/Sensus questionou os eleitores a respeito da expectativa de vitória, independentemente dos votos individuais. Os resultados mostram Dilma novamente à frente, com 68% dos votos, contra 23% de Serra.

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Em Minas, Dilma tem 49% e Serra 32% - Aécio será acusado de corpo mole

Desde 1989, quem vence em Minas ganha a eleição presidencial. Serra depositou no Estado e no apoio de Aécio Neves a expectativa de virar a eleição no Estado. No primeiro turno, Dilma, mineira de nascimento, e apoiada por Lula, tão querido no Estado como Aécio, terminou com cerca de 47% dos votos, 17 pontos à frente de Serra, pouco acima da vantagem nacional.

As pesquisas agora vêm indicando que ela deve vencer no Estado também no segundo turno e com boa margem. Pesquisa Em Data, divulgada hoje pelo Estado de Minas: 49% e 32%. O jornal destaca um alto número de eleitores indecisos, 13%. Brancos e nulos somam 8%.

A partir de segunda-feira, se o resultado se confirmar, Dilma for eleita e vencer com boa margem, muitos tucanos já terão um culpado: foi Aécio Neves, que será acusado de ter feito corpo mole.

P.S: Aécio deu algumas declarações recentes sobre a campanha de Serra, tais como: “Fiz o que estava ao meu alcance”, “Não se manda nos votos das pessoas” e “os votos dos minas são tão importantes como o de todos os outros estados”. Interprete-o quem puder.

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Debate TV Globo Segundo Turno: encontro equilibrado favorece quem está na frente


O formato do debate da Rede Globo entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), realizado na noite desta sexta, 29/10, em que os candidatos respondem perguntas de candidatos indecisos, melhora sem dúvida a qualidade da discussão política. Apesar dos tempos limitados, os candidatos puderam contar um pouco das suas propostas e lançar algumas ideias.

José Serra foi contido nas críticas, destacou bandeiras da sua campanha, “a sua biografia”. Serra falou muito de Saúde, repetindo diversas vezes que o setor piorou – com isso reforça a tese da sua campanha de que foi o “melhor Ministro da Saúde do Brasil”.

Dilma fez a defesa do governo, também empunhando uma das suas principais bandeiras: a continuidade.  Ela buscou muito também a comparação com o “governo anterior”, com o passado, termos que associam Serra ao ex-presidente Fernando Henrique.

Ou seja, Serra compara biografias, Dilma governos. Nenhuma novidade a não ser o tom respeitoso entre os candidatos. Foi um debate equilibrado, nenhum candidato teve nenhuma grande sacada, nem nenhuma mancada.

O equilíbrio proporcionado pelo formato acaba sendo melhor para Dilma, que lidera todas as pesquisas, do que para Serra, que busca a virada. A repercussão do debate ainda se dará amanhã na imprensa e nos telejornais da Globo, mas como falta pouco tempo para as eleições e não surgiu nada de muito impactante capaz de movimentar as discussões, não se pode dizer que foi um “debate decisivo”. Ganhe quem ganhar domingo, a influência do debate será pequena.

Até porque tenho uma tese sobre a percepção dos eleitores sobre quem se saiu melhor no debate. Os eleitores de Dilma dirão que foi ela, os de Serra que foi ele e os indecisos... bom quem, depois de quatro meses de intensa campanha, permanece indeciso provavelmente não estava sintonizado na Globo.

(Você estava indeciso, assistiu o debate e escolheu seu candidato? Conte pra gente quem foi e porquê?)

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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O Papa tem o direito de dar palpites sobre as eleições brasileiras?

Religião e política são dois temas polêmicos. Quando se misturam, tornam-se explosivos. Ontem, em reunião com bispos brasileiros, o Papa Bento XVI pediu aos líderes religiosos que orientem os “fiéis” a não votar em candidatos “favoráveis” ao aborto.

O Papa não citou nomes. Mas há quem tenha visto ele dizer em claro e bom tom: “não votem em Dilma Rousseff (PT)”, a candidata que sofreu, no primeiro turno e no início do segundo turno, uma ampla campanha difamatória patrocinada por setores conservadores da sociedade (inclusive de parte da Igreja Católica), com uma “forcinha” da campanha do candidato José Serra (PSDB), que vestiu o manto da religiosidade, beijou símbolos católicos e mandou produzir “santinhos” voltados para o público evangélico. Isso sem contar o “telemarketing do aborto”, as declarações da candidata a primeira-dama, Mônica Serra, de que “Dilma é a favor de matar criancinhas”...

A declaração do Papa, a 72 horas do pleito, soa a casuísmo. Mas em qualquer tempo, há elementos que complicam a mistura de religião e política.

Vale a mesma lógica para questão do aborto, mas vamos pensar sobre a posição da Igreja sobre o uso de preservativos. A Igreja tem sua posição contrária ao uso do preservativo, por entender que o ato sexual tem como única finalidade a procriação e deve ser feito exclusivamente no seio do matrimônio. Concordemos ou não, há coerência nesta posição.

Diante disso, marque a opção que você considera correta:

1) A Igreja deve incentivar os seus fiéis a casarem-se virgens, não traírem seus cônjuges e viver dentro dos princípios cristãos;
ou

2) Deve fazer campanha para que os governos não distribuam preservativos para aqueles que não vivem dentro dos princípios cristãos, aumentando os casos de contaminação por doenças sexualmente transmissíveis, gravidez indesejada e, consequentemente, olha ele aí de novo, o aborto...

Em relação ao aborto é a mesma lógica: a Igreja se preocupa menos em entender as causas e contribuir para a sua redução e mais em querer criminalizar as mulheres que adotam a prática, transformando-as em assassinas e expondo suas vidas ao risco.

PS 1: Já disse e repito: entendo que a vida começa já na concepção e, por isso, sou contra o aborto em qualquer situação. Admito que nos casos previstos na Constituição (estupro e risco de vida para a mãe) e também no caso onde não há chance do bebê sobreviver (fetos anencéfalos), a mulher e só ela (nem papa, bispo, pastor, o governo ou quem quer que seja) deve decidir se mantém ou não a gravidez. Sou contra a descriminalização total do aborto, porque entendo que o transformaria em um método anticoncepcional, mesmo reconhecendo que, no Brasil, a proibição ao aborto vale apenas para a camada pobre da população, que precisa recorrer a “açougueiros”, enquanto a camada mais rica pode recorrer a clínicas bem equipadas, se necessário até mesmo no exterior. O que o governo tem que fazer é criar políticas públicas que incentivem o planejamento familiar, a redução dos casos de gravidez na adolescência, etc...

PS 2: O mais engraçado dessa história é que o candidato para assumir “valores cristãos” como o aborto, deveria prometer também acabar com os programas de distribuição de preservativos, anticoncepcionais pelo governo, fazer aprovar uma lei pondo fim ao divórcio (além do mais, o que Deus uniu o homem não separa, não é mesmo?), trabalhar contra a união civil de pessoas do mesmo sexo e contra os direitos dos homossexuais, etc...

PS.3 - Há gente que pensa exatamente isso, mas tenho certeza que essas opiniões não são compartilhadas pelos dois candidatos, que, aliás, adotaram posições hipócritas e eleitoreiras. Serra, ao surfar nessa onda moralista e conservadora (que não combina bem com a sua biografia de homem de esquerda, defensor das liberdades e dos direitos civis) e Dilma ao ceder à pressão e se “submeter” a interferências das Igrejas.

PS.4 - Se você quer votar em alguém com essas características melhor defender mudanças no sistema eleitoral do Vaticano, para votar no próximo conclave para Papa. Nem Serra, nem Dilma tem vocação para a Santidade...

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Datafolha diz que há pouco espaço para uma virada; blog chama a atenção para algumas variáveis

O Datafolha divulgou hoje nova pesquisa sobre a sucessão presidencial. Realizada ontem, o levantamento mostra estabilidade no segundo turno: Dilma tem 50%, um ponto a mais que o levantamento anterior, Serra, 40%, dois pontos a mais. Brancos e nulos, que eram 5%, agora são 6% e o percentual de eleitores indecisos caiu de 8% para 4%.

Segundo o Datafolha, “Essa redução nesse grupo de eleitores indica que há cada vez menos espaço para mudanças na tendência de favoritismo da candidata do PT”.

O Datafolha observa que as curvas dos candidatos na pesquisa Datafolha neste segundo turno mostram uma tendência clara: Dilma conseguiu ganhar algum fôlego desde o início do mês (pulou do patamar dos 48% para o dos 50% dos votos totais), enquanto Serra parece ter ficado estagnado (começou outubro com 41% e agora tem 40%).

Há também uma pequena variação para baixo, dentro da margem de erro, no percentual total dos que são indecisos somados aos que votam em branco, nulo e nenhum. No início deste mês, eram 11%. Agora, são 9%. Há sinais de que esses eleitores não querem mesmo sair desse grupo.

Essa tendência é perceptível entre os eleitores que dizem ter votado em Marina Silva (PV) no primeiro turno. No começo de outubro, 9% deles votavam em branco, nulo ou nenhum e outros 18% estavam indecisos. Somados, esses dois grupos eram 27%.

Ontem, segundo o Datafolha, os "marineiros" indecisos caíram para 8%, mas os que vão anular ou votar em branco foram a 18%. Os dois grupos totalizam 26%. Ou seja, cerca de um quarto dos eleitores de Marina não se convenceram até agora a votar em Dilma ou em Serra.

Outro dado que ajuda a entender porque a petista subiu um pouco neste mês e consolidou sua dianteira é o comportamento de quem no primeiro turno votou em branco ou nulo. Na primeira semana de outubro, 14% desses eleitores diziam estar propensos a votar na petista e 25% declaravam apoio ao tucano.
Passadas quase quatro semanas, o quadro se inverteu: 25% dos eleitores que votaram em branco ou nulo no primeiro turno dizem agora que vão escolher Dilma contra 13% que optam por Serra.

A vantagem de Dilma continua ancorada no eleitorado masculino. Entre os homens, ela tem 54% contra 38% de Serra. Já no voto feminino há um empate técnico: a petista está com 46% e o tucano obtém 43%, diz o Datafolha.
A pesquisa foi registrada no TSE sob o número 37721/2010 (Folha.Com, editado).


Comentário meu: apesar de não ter conseguido acertar os números (que ficaram acima da margem de erro), dos quatro grandes institutos, o Datafolha foi o que mais se aproximou do resultado das eleições no primeiro turno. O favoritismo de Dilma é claro, mas há algumas variáveis que não podem ser menosprezada. A primeira é a margem de erro: dois pra lá, dois pra cá, a vantagem que é de 10, na pior das hipóteses (para Dilma) pode ser de apenas 6 (para vencer, Serra precisaria “roubar” apenas três pontos de Dilma).

O segundo é que os indecisos, ainda que sejam poucos, não necessariamente se distribuem de forma uniforme entre os candidatos (por isso, e outros motivos, este blog resiste um pouco a usar a fórmula “votos válidos”). O terceiro fato, que pode impactar de forma diferente entre as candidaturas, é abstenção, embora, neste caso alguns “mitos” tenham sido criados. Um quarto fator que pode ter influenciado de alguma forma no primeiro turno e deve se reduzir no segundo, quando o eleitor votará uma ou duas vezes (no caso, onde os governos foram para o segundo turno), é o voto branco/nulo involuntário.

Por tudo isso, não há motivo para o PSDB jogar a toalha e nem razão para o PT se descuidar e subir no salto.

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quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Pesquisa Ibope Segundo Turno (28/10): leve viés de crescimento de Dilma (52%) e queda de Serra (39%)

O Ibope divulgou nova pesquisa sobre o segundo turno das eleições presidenciais: segundo o levantamento, Dilma Rousseff (PT) tem 52% e José Serra (PSDB), 39%. Em relação à pesquisa anterior, variação apenas na margem de erro, um ponto a mais para Dilma e um ponto a menos para Serra. A questão e que quando se compara as três pesquisas feitas pelo Ibope no segundo turno, há uma inclinação positiva para Dilma e negativa para Serra.

Na primeira pesquisa divulgada pelo Ibope, em 13/10, Dilma tinha 49% contra 43% de Serra, na pesquisa do Dia 20, o resultado era Dilma 51% X Serra 40%.

Observe o Gráfico:

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Jornal Nacional divulga nova pesquisa Ibope sobre o segundo turno

Daqui a pouco, no Jornal Nacional, sairá nova pesquisa Ibope sobre o segundo turno das eleições presidenciais. Se prevalecer as tendências de Vox Populi e Datafolha, a expectativa é que a diferença de Dilma para Serra se mantenha na casa dos 10 pontos, o que dá a petista a condição de favorita, mas mantém o quadro acirrado. Dois pra lá dois prá cá na margem de erro, indecisos, abstenção, são variáveis que não permitem fazer um prognóstico seguro sobre quem vence as eleições. Aliás, como dizem os especialistas: pesquisa é para fazer diagnóstico e não prognóstico.

P.S: O último Ibope deu 51% a 40% para Dilma. Meu palpite é que não haverá variações além da margem de erro e você, o que acha?

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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Mitos sobre o impacto da abstenção no resultado das eleições (no segundo turno)

Sempre que se analisa o processo eleitoral – pesquisas em especial – surgem alguns mitos. Um deles é que o aumento da abstenção no segundo turno – em determinadas regiões – pode influenciar o resultado final das eleições. Por isso, a Imprensa divulga que a campanha de Serra faz campanha contra abstenção no Sul e no Sudeste, enquanto a campanha de Dilma estaria preocupada com o aumento das abstenções no Norte e no Nordeste.

É fato que a abstenção aumenta no segundo turno e isso vem acontecendo sucessivamente em várias eleições, mas este fenômeno exige uma investigação um pouco mais cuidadosa.

A primeira pergunta que carece de resposta é: os eleitores que compareceram às urnas no primeiro turno, quando havia em disputa cinco cargos, e não votaram nem em Serra nem em Dilma, escolheriam um dos candidatos agora? Neste caso, seguiriam a mesma proporção dos eleitores da sua região que decidiram o voto?

Essas questões surgem de um outro fato constatado nas últimas eleições: se a abstenção aumenta, há também a redução dos votos brancos e nulos no segundo turno (fazendo com que o quadro final de votos válidos por região permaneça o mesmo). Isso pode ter três hipóteses:

1) No primeiro turno, o eleitor tem que votar seis vezes e o cargo de presidente é o último. Devido ao grande número de votos, boa parte dos votos nulos pode ser involuntária;
2) No segundo turno, na cabeça de parte do eleitorado não se vota a favor de um candidato, mas contra outro. Diante da polarização entre duas candidaturas, o eleitor se vê mais compelido a votar
3) Finalmente, também é possível que o eleitor que compareceu ao primeiro turno porque queria votar, por exemplo, num candidato a deputado, mas anulou voluntariamente o voto, perca o interesse em comparecer.

O item 3 vale também para os eleitores que mesmo que tenham escolhido um candidato no primeiro turno, não queiram agora votar nem em Serra nem em Dilma - sabe aquele eleitor que votou na Marina no primeiro turno e agora está de saco cheio da troca de ataques entre Dilma e Serra? Então, vá que ele tenha oportunidade de viajar agora no feriadão prolongado... As últimas pesquisas mostram um alto número de brancos e nulos e indecisos – sobre esta parcela do eleitorado a abstenção pode impactar de forma maior.

O item 1 exige investigação complicada. O voto nulo involuntário pode, em tese, ser maior na camada da população com menor escolaridade, onde as pesquisas mostram que a candidata Dilma se sai melhor. Mas não há como comprovar isso.

Sobre o item 2, o que se vê nas pesquisas é que os dois candidatos têm índices de rejeição similares, o que faz com que estes votos se anulem.

Portanto, para investigar os reais impactos da abstenção seria necessário um estudo muito amplo e detalhado que as pesquisas eleitorais disponíveis não têm condição (nem objetivo) de atender.

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O Sensus pirou?

A CNT divulgou nova pesquisa Sensus sobre o segundo turno das eleições presidenciais. Dilma tem 52%, Serra 37%. Até aí a discrepância para os demais institutos nem é tão grande: Datafolha de ontem deu 49% a 38%, exatamente os mesmos índices que o Vox Populi divulgou no dia anterior.

O problema do Sensus é quando comparamos o Sensus com o próprio Sensus. A última pesquisa divulgada pelo Instituto, dia 20, mostrava Dilma com 47% e Serra com 42%.

Se Vox Populi e Datafolha apontam para um quadro de estabilidade, com a vantagem de Dilma na casa dos 10 pontos se mantendo desde a semana anterior, para o Sensus houve uma movimentação abrupta, que fez a vantagem de Dilma para Serra crescer 10 pontos em sete dias.

Não sou de questionar a credibilidade de institutos, mas só vejo três hipóteses para o que está acontecendo: o Sensus errou na pesquisa anterior, errou nessa ou errou nas duas.

PS.1): Tão logo acabou o primeiro turno, o Sensus fez uma pesquisa que registrou empate técnico entre Dilma e Serra (47X44), enquanto os demais institutos apontavam vantagens maiores. O PSDB festejou o resultado e o levou para a propaganda eleitoral. Será que agora o partido vai questionar o resultado dessa pesquisa?

PS.2): É sempre assim: na pesquisa anterior, petistas descascaram o Sensus, agora será a vez dos tucanos reclamarem. Nada mais natural. Para muita gente a pesquisa só é boa se for favorável a seu candidato.

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terça-feira, 26 de outubro de 2010

DATAFOLHA: Dilma, 49%; Serra, 38%; quadro é de estabilidade

O Datafolha divulgou nova pesquisa sobre sucessão eleitoral. Os dois candidatos variaram negativamente dentro da margem de erro, Dilma de 50% para 49% e Serra de 40% para 38%. Com isso a vantagem que era de 10 pontos no Datafolha de 22 de outubro, ficou em 11. Tudo dentro da margem de erro, que mostra que o quadro eleitoral está mais ou menos consolidado.

Por outro lado, o movimento que ocorre é o inverso do que se espera com a proximidade das eleições – mais eleitores declaram-se indecisos, fenômeno que também foi registrado pelo Vox Populi. No último Datafolha, eram 6%, agora são 8%. Brancos / Nulos também oscilaram positivamente de 4% para 5%.

Embora as variações sejam pequenas, foram registradas por dois institutos diferentes, o que pode ser um reflexo do acirramento da campanha eleitoral e do baixo nível da campanh.

REGIÕES – Segundo o Datafolha, Dilma mantém ampla vantagem no Nordeste (64% a 27% para ela), enquanto Serra perdeu pontos no Sul, onde ainda continua liderando por 48% a 41%, e no Sudeste, onde Dilma vence por 44% a 40% (neste caso, o resultado pode ser considerado um empate técnico). No combinado Centro-Oeste / Norte Dilma também está na frente, mas também pode ser considerado empate técnico (47% a 44% para a petista).

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GPP: na pesquisa de Índio, Dilma está 5,5 pontos à frente de Serra

O blogueiro da Veja, Reinaldo Azevedo, divulgou os números da pesquisa GPP sobre a corrida presidencial. Esta pesquisa foi contratada pelo candidato a vice-presidente na Chapa de Serra, Índio da Costa (DEM) e aponta, Dilma 5,5 pontos à frente de Serra.

Segundo o blogueiro, a pesquisa foi publicada na edição de hoje do Jornal Diário de S. Paulo. Eu pesquisei no jornal e não a encontrei. Talvez o blogueiro esteja antecipando dados que sairão amanhã no jornal paulista. O levantamento foi feito entre 23 e 25 de outubro e a margem de erro divulgada é de 1,8 pontos.

Eis os números:

Dilma Rousseff - 46,4%
José Serra - 40,9%
Não sabe - 6,6%
Nulo/Nenhum -6,1%

COMENTÁRIO

Índio da Costa criticou a metodologia dos institutos tradicionais que fazem pesquisas nacionais e depois ponderam por cotas. Isso, na opinião do candidato a vice distorceria o resultado final. O GPP faz recortes apenas por faixa etária, sexo e região. Alega que não há dados atualizados e corretos sobre renda e escolaridade, etc.

No meio acadêmico de uma forma geral se critica a metodologia dos institutos de pesquisa. Para os estudiosos, ela deveria ser probabilística, de forma que todos os eleitores tivessem a mesma chance de serem entrevistados, porém segundo os institutos dizem que isso esbarra em dificuldades técnicas que a torna inviável.

Seria possível de fazer, por exemplo, se todas as residências fossem cobertas pela telefonia fixa e houvesse um cadastro geral. Trata-se de uma discussão demasiadamente técnica para abordarmos aqui. Sugiro a leitura dessa reportagem da Folha (Métodos de institutos de pesquisa são criticados), que pode ajudar a elucidar um pouco a questão.

Voltando a pesquisa do GPP, quem acompanha este blog sabe que eu costumo dizer que em pesquisa eleitoral mais importante que os números, são os movimentos. Ou seja, as pesquisas servem mais para indicar tendências do que para acertar o resultado da eleição na mosca.

Como esta é a única pesquisa que o Instituto registrou, ela se torna incomparável.

Do ponto de vista publicitário, a campanha de Serra deve usa-la para motivar o eleitorado, aquecer a militância e buscar forças para essa reta final. É um antídoto contra as pesquisas que serão divulgadas essa semana – se os números da semana passada se repetirem, os indicativos preliminares são estes, elas indicarão Dilma cerca de 10 pontos à frente de Serra.

Um dos temores da campanha tucana é que o eleitorado desmobilize, achando que é impossível a vitória e viaje, aumentando a abstenção nas “áreas tucanas”.

Aliás, algumas inserções do PSDB “alertam” para os erros das pesquisas no primeiro turno, que diziam que “nem segundo turno haveria”, e chama os eleitores para comparecerem às urnas.

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Não há santo no caso da violação de sigilo ou PSDB e PT com rabo preso

Baseado no depoimento do jornalista Amaury Ribeiro Jr (partindo do princípio que o que ele disse é verdade) – o conteúdo completo foi disponibilizado pelo Estadão e pode ser acessado aqui –, somado a uma análise da conjuntura política sobre o caso da quebra do sigilo de pessoas ligadas ao candidato do PSDB, José Serra, algumas conclusões que podemos chegar são as seguintes:

- O dossiê foi encomendado por pessoas ligadas ao governador Aécio Neves, com o intuito de “proteger” o mineiro de uma suposta arapongagem feita por pessoas ligadas a Serra – na época em que houve a quebra do sigilo, os dois disputavam a indicação do partido para concorrer à presidência.

- Alguém da turma de Aécio bateu a história para o PT Mineiro – vale lembrar as ótimas relações entre o ex-prefeito Fernando Pimentel e de Aécio, que inclusive, apoiaram o mesmo candidato a prefeito em 2008.

- Membros do PT se aproximaram de Amaury e obtiveram esse dossiê. Segundo o jornalista, alguém da pré-campanha de Dilma “roubou” dados de seu computador”.

- Da mesma forma que a confecção do dossiê seria uma obra de fogo amigo tucano, a obtenção dos dados por petistas parece também ser fruto de uma disputa interna por poder.

- O comando da campanha da Dilma abortou a produção deste “dossiê” – ou por não aprovar a prática ou por perceber os seus efeitos colaterais.

- O fato é que nenhum dado obtido na investigação de Amaury Jr. (sejam de forma legal ou não) chegaram a ser usados na campanha eleitoral. O sigilo dos tucanos permanece em sigilo.

- O próprio PSDB parou de explorar o caso. E na grande mídia – majoritariamente favorável a Serra – o assunto vem perdendo força: não interessa estimular a briga interna.

- Da mesma forma que impactou pouco no primeiro turno (sufocado por temas religiosos e pela denúncia de corrupção da na Casa Civil), deve ter pouco efeito no resultado do segundo.

- Tão pouco, mesmo com as manchetes produzidas por órgãos amigos sobre o depoimento de Amaury, o PT correu para a televisão para acusar Aécio Neves. Não convém comprar briga com o cacique mineiro e, além do mais;

- Não há santo no caso e há potencial bélico para atingir as duas candidaturas. Acaba sendo um acordo tácito: eu não mexo contigo, você não mexe comigo. E voltemos a Erenice e a Paulo Preto...

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Debate Record: cada candidato disse apenas o que quis, sempre orientado pelos marqueteiros

Debate é o momento em que o eleitor tem a oportunidade de ver o candidato da forma mais transparente possível, sem a maquiagem do Marketing, correto? Mais ou menos. Além da extensa preparação para os debates, os candidatos são constantemente municiados com informações de pesquisas qualitativas em tempo real. Dilma, por exemplo, se esforçava a todo ponto para se mostrar mais tranqüila. E de fato estava mais treinada.

Há um outro problema: o candidato foge sempre da pergunta quando ela lhe é incômoda, respondendo apenas sobre o que lhe interessa.

Sobre o desempenho individual dos candidatos podemos dizer o seguinte: Dilma gaguejou menos, conseguiu falar mais do governo Lula e, conseguiu durante bons momentos ditar a pauta. Desempenho bem diferente do que teve no Debate da Rede TV, quando gaguejou bem mais e deixou Serra falar mal à vontade do governo Lula, como se fosse um governo rejeitado (e não aprovado) por mais de 80% da população.

Serra, tarimbado em eleições, é seguro nas suas falas, mas talvez tenha pecado um pouco no tom, que pode ter parecido arrogante para os eleitores. Considerando aquela questão de pesquisas em tempo real, Dilma o criticou diretamente sobre sua “arrogância” e, nas considerações finais, lamentou que o debate, em alguns momentos tenha baixado de nível.

Esses trechos certamente vão constar do programa eleitoral de Dilma, da mesma forma que Serra vai usa também seus melhores momentos.

Abaixo, deixo algumas observações sobre o debate e gostaria de pedir aos leitores que comentem, com a maior sinceridade possível, quem você acha que se saiu melhor no debate. Claro que a maioria dos eleitores de Dilma vai dizer que foi ela e o mesmo em relação a Serra, mas não custa tentar fazer uma análise racional.


Algumas observações sobre os temas discutidos no Debate:

GOVERNO

Dilma começou perguntando sobre o PAC e enaltecendo o governo Lula, abrindo frente para que Serra sempre criticasse o governo. Este ponto foi importante para posicionar “Situação” X “Oposição”, “Nós X Eles”, enfim o debate que a campanha de Dilma sempre tentou desde o primeiro turno. No debate anterior, da Rede TV, faltou Lula.

ABORTO

Serra, no meio de duas perguntas, citou o fato de Dilma ter dito primeiro ser favorável à descriminalização do aborto e posteriormente ter sido contra. A candidata se controlou e não tocou no tema.

ERENICE X PAULO PRETO

O mesmo não aconteceu em relação a Erenice. Desde os últimos debates, ficou claro que a estratégia da campanha de Dilma é falar de forma mais aberta sobre o assunto e reponder sempre com a mesma estratégia. Maus feitos existem em todos os lugares, a diferença é que nós investigamos e meteu Paulo Preto nas costas de Serra. O candidato também usou a sua estratégia – o PT quer nivelar todos por baixo -, mas o fato é que ele gastou muito tempo explicando e contra-atacando em função desse fato.

MST

Serra acusou Dilma de ter uma posição ambígua sobre o MST, ora dizendo ser contra invasões, ora “vestindo o boné”. Dilma rebateu que é favor do Diálogo e não da repressão, citou os investimentos no campo e diz que não tratará movimentos sociais na base do cacetete, numa alusão entre o que aconteceu entre a polícia paulista e professores que reivindicavam melhores salários. Sobre este assunto, no Twitter, Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), que é um especialista em Reforma Agrária e em espezinhar os dois candidatos: “O Serra vai reprimir o MST, o Lula cooptou o MST. Os dois são inimigos do povo”.

Partilha X Concessão

Serra repetiu um argumento usado em sua campanha: “Dilma me acusa de querer privatizar o pré-sal, mas o atual governo fez concessões para mais de 100 empresas, nacionais e estrangeiras”.

Dilma explicou, mas poderia ser mais didática um pouco o que é o modelo de partilha e no que ele se diferencia do modelo de concessão, adotado até então. Ela usou a questão do bilhete premiado, mas poderia ter o comparado com a “raspadinha”:

- Vulgarmente falando, o modelo de concessão é uma raspadinha. Onde as empresas privadas (estrangeiras ou não) assumem um risco maior e, por seu lado, tem também um retorno financeiro maior. O modelo de pré-sal é um bilhete já premiado, dessa forma não faz sentido que, por ter um risco muito menor, remunere empresas privadas de forma maior. Neste caso, a própria Petrobrás faz a exploração.

Serra disse que não declarou ser contrário ao modelo de partilha, tão pouco disse ser a favor. Preocupada em acusar o adversário de privatista, faltou a candidata ser mais enfática para questionar a opinião do candidato sobre o tema, que ele mantém em sigilo.

“Se Deus quiser”

Dilma usou esta expressão três vezes. De olho nos votos dos cristãos, principalmente dos evangélicos

Salário Mínimo de R$ 600 e 10% para os aposentados


Serra não citou neste debate suas promessas de aumentar salário mínimo para R$ 600 e conceder 10% para os aposentados.

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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Vox Populi: Dilma, 49%; Serra, 38% - quadro é de estabilidade

Hoje mais analisei o que poderíamos esperar das próximas pesquisas eleitorais que serão divulgadas esta semana. A primeira, do Vox Populi, contratada pelo IG, mostrou estabilidade com os dois candidatos oscilando negativamente na margem de erro em relação a anterior, divulgada dia 20. Dilma que tinha 51%, caiu para 49% e Serra, que tinha 39%, escorregou para 38 pontos. A vantagem que era de 12 pontos caiu para 11, mas dentro da margem de erro.

Os eleitores que declararam a intenção de votar branco e nulo ficaram em 6%, mesmo índice da pesquisa anterior. Já os indecisos subiram de 4% para 7%, num movimento teoricamente atípico. O mais lógico seria que, a medida que se aproxima o dia da votação, mas eleitores se decidissem. O movimento inverso pode ser explicado, por hipótese, ao fato o nível da campanha ter caído na semana anterior. O eleitor não gosta de briga.

Como já explicado algumas vezes aqui, uma vantagem na casa de 11 pontos como a que tem Dilma não
pode ser considerada confortável, em função da margem de erro que, dois pra lá dois pra cá, pode ser diluída em apenas sete, e ao fato de que cada voto que sai de um cesto acaba indo para outro. Isso sem contar o fator abstenção que pode impactar mais um candidato do que outro. A disputa está aberta.

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Novo perito analisou vídeo do UOL e encontrou evidências de objeto atingido Serra

Prometi que não trataria mais do caso da “bolinha de papel”, pois todas as minhas opiniões sobre o caso foram já expressas e acredito que tenhamos assuntos mais valiosos para discutir, mas, por uma questão de justiça, informo que uma nova perícia, feita pelo professor Maurício de Cunto, perito forense, sobre o vídeo do UOL, apontou a “uma sutil existência de um volume posicionado na parte superior direita da cabeça de José Serra, na direção do telefone celular que filmava o candidato".

Análise do professor Meira da Rocha publicada neste blog assegura que essa imagem é fruto de uma compressão do vídeo. Posição, com a qual De Cunto discorda.

O laudo completo de De Cunto está disponibilizado aqui.

Já as opiniões do professor Meira da Rocha podem ser encontradas aqui e aqui.

Deixo as conclusões “técnicas” para os leitores. Do ponto de vista político, minha opinião permanece a mesma: Serra parece ter dado uma “valorizada” sobre o caso e Dilma e Lula se excederam em seus comentários

Entrei em contato, por e-mail com o professor De Cunto, que solicitamente respondeu a minha dúvida. Publico a pergunta e a resposta na íntegra. Farei contato também com o professor Meira da Rocha, convidando a comentar o laudo de De Cunto. (Atualizado às 22h32: Meira da Rocha comentou em seu blog o laudo de De Cunto - como dito no comentário abaixo, ele acredita que, sem maldade, De Cunto, alterou o vídeo - veja aqui)

Prezado Sr. Maurício de Cunto,

Sou autor do Blog do Campbell (www.blogdocampbell.com.br) e, se possível, gostaria de esclarecer com o senhor uma dúvida acerca do laudo sobre a agressão ao candidato Serra no Rio de Janeiro: o suposto objeto que aparece na imagem 6 não pode ser apenas o reflexo da cabeça de uma pessoa que está atrás de Serra. Observo que na imagem 7 essa "cabeça" da mesma cor do suposto objeto volta aparecer só que de forma maior. Não sei se o senhor leu esta análise, que circulou em vários blogs da internet, de um professor da Universidade de Santa Maria, segundo o qual o suposto objeto seria uma compressão de imagem, devido a baixa qualidade da imagem do celular.

Ficarei grato se o senhor puder responder,
Att,
Alexandre Campbell


Caro Sr. Alexandre,

Eu li o comentário no blog do link que me enviou e agradeço por isso. Eu respeito a discussão e não vejo porque ficar hostilizando ou criticando os que contestam ou nao entendem minhas analises. Este país ainda é livre e todos ainda podemos exercer o direito de ter e declarar nossas opiniões. Tal qual cita o Sr. José Antonio Rocha, eu também tenho e gosto muito da minha Pixelview PlayTV Pro, alem de outras placas de captura mais profissionais.
Também possuo dois equipamentos TBC (digital time code corrector) além de outros equipamentos feitos para tratar vídeo. O problema é um só – não foi utilizado um equipamento regular muito menos profissional. O celular utilizado não tem nenhum compromisso com qualidade. Sabe-se lá o que acontecia dentro dele. O repórter não parava 1 minuto para o registro das imagens, a luminosidade do ambiente era composta de sombras, brilhos e reflexos, existia um clima de tumulto generalizado e pânico. Somado a isso, existem os conversores de codecs de vídeo, os players, os editores de vídeo, etc. Eu acho que existe uma quantidade muito grande de variáveis e prefiro adotar um principio bastante logico dentro do caos - eu busco o que é mais evidente. Em quadros a frente e atrás da imagem 06 não existe nada identificável e com forma geométrica definida a não ser borrões e tremidos.
O vídeo chacoalha tanto que um estudo de trajetória pode virar uma monografia de doutorado. Eu pensei na hipótese do reflexo na cabeça e também na hipótese da outra cabeça que passa atrás. Não consegui ir adiante com nenhuma delas. O que realmente me intriga é que ao ampliar a imagem 06, imagem detalhada no laudo, vê-se nitidamente algo volumétrico e redondo com brilho e sombra ao invés de pixels retangulares. Não é estranho? Muitos detalhes neste vídeo são inexplicáveis e continuarão assim. É a vida. Mesmo assim, sustento minha tese e defendo minhas conclusões. Eu agradeço a oportunidade de tentar esclarecer sua duvida.

Atenciosamente,
Prof. Mauricio de Cunto

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O que esperar das próximas pesquisas eleitorais do segundo turno?

De hoje até domingo, será divulgada uma maratona de pesquisas eleitorais. Cumprido o prazo de cinco dias após o registro, exigido por Lei, Vox Populi pode divulgar hoje sua nova pesquisa, Datafolha amanhã, Sensus na quarta, Ibope na Quinta, novamente Datafolha na sexta. E, no sábado, véspera da eleição, Ibope, Vox e Datafolha devem divulgar as últimas pesquisas.

As pesquisas eleitorais tiveram até então neste segundo turno, três momentos distintos:

- ACOMODAÇÃO – No primeiro verificou-se que o candidato do PSDB, José Serra, herdou mais votos da candidata do PV, Marina Silva, num movimento que foi confundido por alguns analistas como crescimento de Serra e queda de Dilma.

- ESTABILIDADE – As pesquisas seguintes mostraram que o que aconteceu foi uma acomodação normal pós primeiro turno e os candidatos mantiveram-se praticamente estáveis.

- LEVES OSCILAÇÕES – Num terceiro momento, Dilma subiu um pouquinho, Serra caiu outro tanto e a vantagem que era apertada se ampliou um pouco. Como as variações foram muito leves, pouco acima das margens de erro, ainda não é possível falar em “tendências”.

O que devemos observar então?

- Se a vantagem média de 10 pontos registrada pelos institutos na semana passada permanece. Neste caso, permaneceremos com uma eleição acirrada, devido as característica do segundo turno (quando um candidato perde um voto, o outro ganha), margem de erro das pesquisas, comportamento imprevisível dos indecisos, abstenção que pode prejudicar um outro candidato e, claro, a possibilidade de falhas, etc. Mas Dilma permanece ligeiramente favorita.

- Ampliação da vantagem de Dilma registrada nas pesquisas anteriores continua. Se isso acontecer, o favoritismo de Dilma cresce. A tendência seria inversa ao primeiro turno quando a maioria dos institutos apostavam em liquidação da fatura já no primeiro turno, mas eram unânimes em apontar que a candidata vinha numa trajetória decrescente.

- Se Serra recupera os pontos “perdidos” na última semana e reduz sua desvantagem para Dilma. Neste caso, o resultado da eleição fica imprevisível, mas a candidatura de Serra leva vantagem no “efeito moral”, capaz de motivar a militância e tentar produzir, de fato, a virada.

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domingo, 24 de outubro de 2010

SERRA X DILMA - Época mostra a diferença entre o que eles pensam sobre o Brasil - muito além da pancadaria eleitoral

Como diz o próprio enunciado da matéria, a Revista Época desta semana conseguiu trazer uma matéria que foge ao mar de lama, a Revista reuniu (ou pelo menos tentou) reunir o que pensam José Serra e Dilma sobre o Brasil. Enquanto Veja continuou sua cruzada contra a campanha petista e Isto é e Carta Capital trouxeram matérias negativas contra o tucano José Serra, a Revista da Editora Globo desta semana fugiu da partidarização e trouxe uma edição mais equilibrada, com esta reportagem de capa que vale a pena ler.

O conteúdo da revista na internet é restrito a assinantes. Reproduzo um pequeno trecho disponível no site da Revista e, sem seguida, alguns trechos.




O Brasil de Serra e o Brasil de Dilma

Como seria o Brasil governado pela petista Dilma Rousseff? Como seria o país governado pelo tucano José Serra? Quais são as reais diferenças entre eles? Quem tem as melhores ideias para o país, as propostas mais viáveis para o desenvolvimento social e econômico, os encaminhamentos mais interessantes para os grandes desafios, como a educação, o pré-sal, a infraestrutura? Na atual campanha, o melhor caminho para encontrar respostas para essas perguntas simplesmente não existe. Seriam os programas de governo de cada concorrente. Apesar das promessas, eles não foram divulgados nem pelo PT nem pelo PSDB até a semana passada, a pouco mais de dez dias do segundo turno.
Os estilos pessoais de Dilma e Serra são relativamente bem conhecidos. Ambos são desenvolvimentistas, têm personalidade forte e a fama de ser centralizadores. Dilma já foi classificada como rude em algumas ocasiões. Serra já foi considerado um administrador implicante, teimoso. Subordinados dos dois dizem que eles são muito exigentes e disciplinados. Poderiam ter usado essas características pessoais para exigir de seus partidos e assessores a formalização de compromissos programáticos com o eleitor. Mas não fizeram isso. Para usar uma palavra da moda na atual campanha, tergiversaram.
Até a semana passada, o eleitor interessado em conhecer mais profundamente as propostas de Dilma e Serra teria de buscar falas dispersas de ambos ao longo da campanha, confrontar respostas dadas em diferentes debates, filtrar informações relevantes da propaganda eleitoral e separá-las dos truques de marketing. Em alguns temas, teria ainda de pesquisar posições manifestadas por correligionários de confiança em entrevistas, artigos e outros documentos.
Pesquisar minuciosamente as posições de Dilma e Serra é uma alternativa trabalhosa. É, porém, a única que permite fugir da opção fácil de classificá-los apenas como candidatos iguais em uma campanha despolitizada, que teria se limitado à pancadaria verbal e, na semana passada, resvalou para as agressões físicas. A pesquisa detalhada permite montar um quadro a respeito das diferenças entre Dilma e Serra. Foi isso que ÉPOCA fez e apresenta nas próximas páginas: um levantamento das posições dos dois candidatos em 15 áreas e temas fundamentais para o país. O confronto pretende ajudar o eleitor a escolher com base em propostas, ideias e ideais.
Além dessas comparações, os leitores terão uma segunda ferramenta importante para conhecer melhor os candidatos: as entrevistas interativas com Dilma e Serra que serão promovidas por epoca.com.br. Os dois presidenciáveis se comprometeram a responder a uma seleção das perguntas enviadas pelos leitores. As respostas de ambos serão publicadas na próxima edição de ÉPOCA.

COMPARAÇÕES


PRÉ-SAL


DILMA – Pró-partilha

O Governo Lula enviou ao Congresso um projeto com o objetivo de mudar o modelo de exploração do petróleo para o pré-sal. Em vez do regime de concessão, seria usado o regime de partilha. Dilma é uma das maiores entusiastas dessa mudança. O argumento principal é que a existência do petróleo no pré-sal já está comprovada. Não seria justo, segundo ela, entregar uma área onde o futuro dono do óleo corre um risco menor.


SERRA – Indefinido

Em entrevista recente, o engenheiro David Zilbersztajn, ligado ao PSDB, defendeu a manutenção do regime de concessão para o pré-sal. Seu argumento é que esse modelo funciona bem hoje e permite lidar com um risco menor cobrando um preço maior, além de garantir receitas antecipadas para o governo, desde o ato da licitação. Essa posição chegou a ser interpretada como a posição de Serra, mas ele negou. Serra tampouco defendeu o regime de partilha.


INFRAESTRUTURA


DILMA – Mais PAC

Dilma promete expandir o PAC, que reúne vários investimentos públicos, de empresas estatais e privadas. Dilma defende os subsídios para os investimentos em infraestrutura. Ela diz que eles são tão legítimos quanto políticas industriais para induzir o crescimento de setores selecionados. Um de seus principais objetivos é unir a América Sul com rodovias, ferrovias e ligações no ramo de energia. Está em seus planos também criar uma empresa binacional com a Bolívia para a geração de energia.


SERRA – Mais concessões

Serra diz que o Estado precisa ser indutor de investimentos e deve planejar para não deixar áreas mais pobres sem serviços essenciais, como saneamento. Seu modelo aposta nas concessões de rodovias, ferrovias e aeroportos. Os serristas criticam a participação excessiva de estatais em projetos que poderiam ter sido feitos pela iniciativa privada, com a hidrelétrica Belo Monte. E discordam das obras públicas do PAC feitas por trechos, como a Nova Transnordestina. Essa prática, segundo eles, as torna economicamente inviáveis.


POLÍTICA EXTERNA


DILMA – aproximação com os vizinhos

Dilma diz que pretende aumentar os esforços pela integração da América do Sul, fortalecer o Mercosul e a liderança do Brasil no Bloco. Umas das estratégias é manter o diálogo com os países da União Européia para tentar impulsionar um acordo comercial com o Mercosul. Dilma também é favor de um maior engajamento do Brasil em ações diplomáticas conjuntas com outros países emergentes, como Índia, África do Sul, Rússia e China. Dilma prega também a continuidade da política lulista de manter diálogo com o Irã e tentar mediar os conflitos no Oriente Médio. Seria, segundo ela, uma forma de aumentar a presença do Brasil no mundo.


SERRA – Menos Mercosul

Serra um crítico do atrelamento do Brasil ao Mercosul nas negociações comerciais. Em julho, depois de reunir-se com o presidente da Comissão Européia, Serra disse que “seria muito importante uma flexibilização das regras do Mercosul” para poder negociar acordos bilaterais com os europeus. “O Brasil tem condições de avançar muito mais sozinho”, disse. Serra critica o tratamento, condescendente, segundo ele, dado à Bolívia na questão do Narcotráfico. O relacionamento com países como Cuba e Irã também mudaria num eventual governo Serra. “Ficar agradando a ditadores ou sendo permissivo em relação à violação dos direitos humanos é uma coisa que não faria”, já disse.


BANCO CENTRAL


DILMA – Autonomia operacional

Dilma promete continuar a gestão Lula. Isso significa que respeitaria a autonomia do Banco Central quanto à definição da política de juros do país e dos parâmetros para interferir no mercado de câmbio e controlar a flutuação do valor do real.


SERRA – Autonomia limitada

Serra critica a autonomia. Já disse que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC não pode ser considerado uma “Santa Sé”. Seis assessores defendem maior integração do BC com o Ministério da Fazedna para controlar a valorização do Real e reduzir taxas de juros.


PAPEL DO ESTADO


DILMA – Fortalecimento das Estatais

Dilma diz que o Estado deve ter papel ativo para induzir e planejar investimentos. À diferença de Serra, os petistas defendem o fortalecimento das estatais, além da criação de novas empresas públicas, como uma nova empresa binacional para a geração de energia em parceria com a Bolívia. Outra preocupação do PT é garantir o controle da exploração do pré-sal pela Petrobrás e dar mais poder e agilidade à Eletrobrás na gestão do setor elétrico. O partido não dá ênfase ao controle dos gastos públicos.


SERRA – Fortalecimento das agências

Serra diz que é preciso resgatar o papel fiscalizador e regulador do Estado. Ele dá ênfase à recuperação das agencias reguladoras, que se enfraqueceram nos últimos anos. Serra diz que pretende tornar esses organismos mais profissionais e menos sujeitos a interferências políticas. Para ele, muitas estatais misturam planejamento e execução, funções em princípios distintas. Serra pretende deixar que a iniciativa privada invista onde se saia bem. Ele é contra o aumento da estrutura do Estado.


IMPOSTOS


DILMA – ICMS Nacional

Dilma diz que tributar investimentos é “contra os interesses do Brasil”. Ela promete reduzir a zero os impostos sobre investimentos. Embora não diga quanto pretende baixar, ela diz também que vai reduzir os juros sobre salários. Afirma ainda que as empresas que empregam mais devem ter carga menor, assim como setor de energia elétrica. Dilma também promete legislação única e nacional para o ICMS, hoje fixado pelos Estados.


SERRA – Nota Fiscal Brasileira

Serra promete desonerar diferentes áreas para impulsionar o crescimento, como energia e elétrica e folha de salários. Prometeu cortes de impostos para a cesta básica, saneamento e medicamentos. Afirmou também que os tributos sobre combustível para ônibus devem cair. Outra promessa é a criação da Nota Fiscal Brasileira, um programa contra a sonegação eu devolve ao consumidor parte do imposto embutido no preço do produto, similar ao implantado por ele em São Paulo.


RELAÇÃO COM A IMPRENSA


DILMA – Censura é inadmissível

Dlma se comprometeu com “a mais absoluta liberdade de imprensa”. “O único controle que admito é o controle remoto, na mão do telespectador, porque ele muda de canal”


SERRA – Em defesa da imprensa

Serra disse que a liberdade está sendo “assediada” no Brasil. “E todos aqueles que são democratas têm de defender a liberdade de imprensa”, afirmou.


SEGURANÇA PÚBLICA


DILMA – Polícia Pacificadora

Dilma prometeu expandir o programa das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), implementadas em 12 favelas do Rio de Janeiro pelo governo Sérgio Cabral (PMDB). O programa baseia-se no conceito de polícia comunitária, em que o policial recebe treinamento para atuar mais próximo da população, e contribui para reduzir os índices de violência nas áreas onde foi implantado. Dilma quer levar a experiência a outras cidades. Mas a exigência de um treinamento intensivo dos policiais que formam a UPP pode ser um entrave para a expansão do programa na escala necessária.


SERRA – Novo ministério

Serra prometeu durante a campanha criar um ministério específico para a segurança. A proposta tem um aspecto louvável porque mostra a intenção de aumentar as atribuições do governo federal na área. Críticos da proposta, como o antropólogo Luiz Eduardo Soares, estudioso da violência que colaborou para a campanha da senadora Marina Silva (PV), dizem que a mera criação do ministério, desacompanhada de maior envolvimento da União no enfrentamento da reforma das polícias, poderia ser transformada em “fetiche, pura retórica para passar uma mensagem de maior responsabilidade do governo federal”.


SÁUDE


DILMA - Medicina de Emergência

Dilma quer construir 500 Unidades de Pronto Atendimento para casos de emergência. A União assumiria metade dos custos. A outra metade ficaria com Estados e municípios.


SERRA – Medicina Especializada

Serra promete criar 154 Ambulatórios de Medicina Especializada, que oferecem exames e consultas com médicos especialistas, como cardiologistas e ortopedistas.


RELAÇÕES COM O MST


DILMA – Ambiguidade mantida

Com Dilma no Palácio do Planalto, a expectativa é que as relações do governo com o MST sofram poucas alterações. Dilma costuma dizer, como fez meses atrás num evento com empresários em São Paulo, que não vai “compactuar com ilegalidades”. Mas ela também dá sinais de que não confrontará o MST. No mesmo evento, Dilma disse que estará “sempre aberta para negociações” e não reprimirá reivindicações. Como as expectativas do MST em relação a um governo do PT diminuíram, é possível que a atitude do movimento diante de um governo Dilma seja a mesma que teve com Lula. O MST não dá sinais de que pretende aumentar ou diminuir as pressões.


SERRA – Violência e repressão

Se a relação do MST com Dilma é de nenhum entusiasmo (no primeiro turno, o movimento liberou o voto de seus militantes), com Serra, é de hostilidade aberta. Num texto recente do MST, Serra é qualificado como “inimigo” do povo, como dono de “personalidade autoritária” e aliado de partidos que têm “caráter antidemocrático”. Serra acusou o movimento de usar a reforma agrária como pretexto para obter dinheiro e tentar promover uma revolução. “Há um certo pavor do MST com a possibilidade de um governo Serra”, diz Carter. Se o MST decidir ampliar as invasões ilegais, é provável que Serra adote medidas duras para reprimir a violência no campo.


REFORMA POLÍTICA


DILMA – VOTO EM LISTA

Dilma defende a substituição do voto nominal para deputado, com bancadas divididas proporcionalmente à votação de cada coligação, por um sistema conhecido como voto em lista. Ele funciona assim: antes da eleição, cada partido apresenta uma lista ordenada com seus candidatos. Na urna, o eleitor não vota em nomes, mas no partido. A distribuição das cadeiras é feita na proporção dos votos de cada legenda. E o preenchimento das vagas é feito segundo a lista preordenada.
Para Dilma e os defensores desse sistema, sua primeira vantagem é favorecer o financiamento público das campanhas, pois seria mais simples o governo dar dinheiro a partidos que a milhares de candidatos. Eles afirmam que, desse modo, o dinheiro privado teria menor influência na eleição. Outra vantagem do voto em lista, dizem, é tornar a eleição menos personalista e fortalecer os partidos. Para ser eleito, não bastaria ser famoso ou rico. O político precisaria estar bem situado na lista de seu partido – e, portanto, ter uma boa posição interna.
Mas o modelo também carrega riscos. O maior é a supervalorização dos caciques partidários, que poderiam determinar a ordem das listas. Como há pouca cultura de democracia interna na maioria dos partidos brasileiros, essa concentração resultaria em legislaturas com pouca renovação.

SERRA - VOTO DISTRITAL.

Serra é a favor de um sistema eleitoral conhecido como voto distrital nas eleições para deputado. Por esse modelo, os Estados e as cidades grandes são divididos em distritos, conforme a concentração de eleitores. A partir daí, o cidadão só vota em candidatos inscritos em seu próprio distrito. Não pode mais votar em políticos de domicílio eleitoral distante, como hoje. Segundo seus defensores, o voto distrital baratearia as campanhas, pois o candidato não disputaria votos em todo Estado. Além disso, sua adoção aproximaria representantes e representados, pois o eleito teria uma identificação maior com sua região.
Há, porém, muitas críticas ao sistema de voto distrital. Um partido com votação relevante espalhada por todo o país poderia ficar sub-representado no Congresso – ou por perder as votações para partidos paroquiais, que concentram sua atuação em poucos redutos eleitorais, ou então para grandes partidos de alcance nacional. Nos países em que vigora o voto distrital, é comum a tendência ao bipartidarismo e é difícil para novas agremiações transformar suas votações expressivas em bancadas parlamentares relevantes. Outra dúvida diz respeito aos critérios de definição dos distritos. Como influencia as chances de cada partido, a demarcação dos distritos seria foco de polêmicas e disputas intermináveis.


PREVIDÊNCIA


DILMA – “Ajustes sistemáticos”

Dilma disse durante a campanha ser contra uma reforma ampla do sistema previdenciário brasileiro. Dilma defende aquilo que chama de “ajustes sistemáticos” para adaptar a Previdência ao aumento da expectativa de vida no país, mas ela não especificou que ajustes seriam esses.
A ideia de fazer ajustes graduais pode ser útil para atenuar resistências políticas. Mas não está claro se as mudanças propostas por Dilma teriam efeitos relevantes para equilibrar as contas do sistema.
Ao contrário de Dilma, seu vice, Michel Temer, do PMDB, defende uma reforma previdenciária ampla, mas sem mexer nos direitos dos atuais contribuintes. Um texto recém-divulgado pelo PMDB propõe que qualquer nova regra deve valer apenas para quem ainda vai entrar no mercado de trabalho.


SERRA – Reforma ou contra-reforma

Serra propõe que uma reforma na Previdência só deve valer para quem entrar no mercado de trabalho dez anos após sua aprovação. Durante a campanha, Serra disse que prefere mudar a idade mínima a mexer no valor do benefício. Não se sabe, porém, se sua reforma teria uma política de transição, com regras diferentes por faixa etária.
Os efeitos da reforma só seriam notados no longo prazo. Duas de suas promessas, porém, causariam impacto imediato nos cofres públicos. Ele diz que reajustará o salário mínimo para R$ 600 em 2011 e ainda dará aumento de 10% para aposentados do INSS que ganham mais que o mínimo. As duas medidas aumentariam os gastos correntes do governo em mais de R$ 35 bilhões por ano. “Na verdade seria uma contrarreforma”, diz Giambiagi, crítico da ideia.

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Fogo amigo? Isto é e Carta Capital responsabilizam Aécio por quebra de sigilo

Se boa parte da mídia divulga a versão de que a pré-campanha de Dilma está envolvida até o pescoço no caso da violação de pessoas próximas ao candidato do PSDB, José Serra, para Isto é e Carta Capital, não há dúvida: a violação foi encomendada pelo também tucano Aécio Neves, para se proteger de possíveis dossiês que estariam sendo elaborados por pessoas próximas a José Serra. Ou seja: tudo fogo amigo. Seguem trechos das reportagens e links para os sites das revistas:


CARTA CAPITAL
Violação da lógica

A mídia rebola para esconder o fato: a quebra do sigilo da turma de Serra é fruto de uma guerra tucana. A PF revelou ter sido o jornalista Amaury Ribeiro Jr. (foto), então a serviço do jornal O Estado de Minas, que encomendou a despachantes de São Paulo a quebra dos sigilos. 

Por Leandro Fortes

A mídia rebola para esconder o fato: a quebra do sigilo da turma de Serra é fruto de uma guerra tucana
Apesar do esforço em atribuir a culpa à campanha de Dilma Rousseff, o escândalo da quebra dos sigilos fiscais de políticos do PSDB e de parentes do candidato José Serra que dominou boa parte do debate no primeiro turno teve mesmo a origem relatada por CartaCapital em junho: uma disputa fratricida no tucanato.
Obrigada a abrir os resultados do inquérito após uma reportagem da Folha de S.Paulo com conclusões distorcidas, a Polícia Federal revelou ter sido o jornalista Amaury Ribeiro Júnior, então a serviço do jornal O Estado de Minas, que encomendou a despachantes de São Paulo a quebra dos sigilos. O serviço ilegal foi pago. E há, como se verá adiante, divergências nos valores desembolsados (o pagamento teria variado, segundo as inúmeras versões, de 8 mil a 13 mil reais.
Ribeiro Júnior prestou três depoimentos à PF. No primeiro, afirmou que todos os documentos em seu poder haviam sido obtidos de forma legal, em processos públicos. Confrontado com as apurações policiais, que indicavam o contrário, foi obrigado nos demais a revelar a verdade. Segundo contou o próprio repórter, a encomenda aos despachantes fazia parte de uma investigação jornalística iniciada a pedido do então governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que buscava uma forma de neutralizar a arapongagem contra ele conduzida pelo deputado federal e ex-delegado Marcelo Itagiba, do PSDB. Itagiba, diz Ribeiro Júnior, agiria a mando de Serra. À época, Aécio disputava com o colega paulista a indicação como candidato à Presidência pelo partido.

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CARTA CAPITAL
Festival de espionagem
Polícia Federal isenta o PT da quebra do sigilo de tucanos e mostra indícios de que se trata de fogo amigo no PSDB

Mário Simas Filho e Hugo Marques

Há quase cinco meses, líderes do PSDB procuram responsabilizar o PT pela quebra ilegal dos sigilos fiscais de Eduardo Jorge Caldas, Luiz Carlos Mendonça de Barros, Verônica Serra e outros tucanos de vistosa plumagem ligados ao presidenciável José Serra. Desde junho, pressionam a Polícia Federal e a Corregedoria da Receita para que as investigações sejam conduzidas na direção de um crime político. Na última semana, os primeiros resultados das apurações da PF se tornaram públicos e o que se constata é que de fato houve um crime com motivação política, mas praticado no contexto de uma disputa interna do PSDB. Não há nenhum documento ou depoimento colhido durante as investigações que indique a possibilidade de ter ocorrido o uso criminoso do Estado para o favorecimento de alguma candidatura, como acusam os tucanos. As investigações não permitem afirmar que petistas tenham aliciado funcionários da Receita para a quebra dos sigilos. A principal testemunha é o jornalista Amaury Ribeiro Júnior, que confessou ser o contratante do serviço criminoso. Ele prestou três depoimentos que totalizam 13 horas de inquirição e afirmou que tanto a encomenda feita ao despachante Dirceu Rodrigues Garcia como o recebimento dos documentos sigilosos ocorreram em outubro do ano passado, quando, apesar de estar em férias, trabalhava para o jornal “O Estado de Minas”. O jornalista também explicou as razões que o levaram a bisbilhotar os sigilos fiscais dos tucanos.

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sábado, 23 de outubro de 2010

Veja fez dossiê para revelar “a verdade sobre dossiês”?

Sob a manchete, “A verdade sobre os dossiês”, Veja traz, esta semana, nova denúncia contra a candidata Dilma Rousseff (PT). A revista conta ter tido acesso a uma gravação em que o atual Secretário de Justiça, Pedro Abramovay, relata ao seu antecessor, Romeu Tuma Jr. e à época superior, que a candidata e o chefe de Gabinete do Presidente Lula, Gilberto Carvalho, encomendavam dossiês. “Não aguento mais receber pedidos da Dilma e do Gilberto Carvalho para fazer dossiês. (...) Eu quase fui preso como um dos aloprados”, teria dito o secretário.

A revista não revela a fonte, mas fica subentendido que o autor da gravação é o próprio Romeu Tuma Jr., demitido pelo Governo Federal por suspeita de envolvimento com a Máfia Chinesa. Tuma Jr. teria saído do governo prometendo “vingança”. A candidata e Gilberto Carvalho negaram que pediam dossiês. Pedro Abramovay também negou o teor das conversas. Tuma Jr. os confirmou.

Segundo Veja, os diálogos aos quais a reportagem teve acesso foram gravados legalmente e periciados para afastar a hipótese de manipulação. A revista não revela como ocorreu a gravação e se havia, por exemplo, uma ordem judicial que a autorizasse.

Quanto a perícia, ela foi feita pelo mesmo Ricardo Molina, que periciou, a pedido da Globo, um vídeo do UOL e atestou que o candidato José Serra (PSDB) fora atingido por um segundo objeto, além da bolinha de papel. A perícia de Molina – a quem os críticos acusam de fornecer laudos “sob encomenda” – foi contestada por um professor de Jornalismo Gráfico da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. (Sobre o caso da bolinha de papel, leia aqui e aqui).

Seria importante a Revista esclarecer – sem comprometer o direito que tem de preservar o sigilo da fonte – a legalidade da gravação, que não ficou clara na reportagem, sob o risco de estar praticando o mesmo crime que critica: a “fabricação de dossiês”.

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C'est fini sobre o caso da agressão ou suposta agressão a Serra.

A propaganda de Serra hoje na TV não voltou a falar do caso da suposta agressão a ao candidato no Rio, Dilma também ficou na dela. Ontem, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, tratou de jogar água sobre o caso: disse que o partido lamentava os tumultos e pediu para os militantes não aceitarem provocações. O caso está saindo da pauta...

Reitero minha opinião expostas aqui e aqui: o melhor seria o PT ter lamentado o caso e nem o presidente Lula, nem a candidata deveriam ter entrado nesta bola dividida.

Apenas para finalizar o assunto, um breve comentário sobre o segundo vídeo, feito por um repórter do UOL, com um celular, que foi levado ao ar pela Globo e “periciado” por Ricardo Molina, que comprovaria que um segundo objeto atingiu Serra.

Como disse a primeira vez que vi o vídeo, a sua qualidade era muito ruim e, particularmente, não havia enxergado nenhum objeto atingindo Serra, fora o fato dele ter sido editado. Cautela similar a que tive com o vídeo do SBT, pelo mesmo motivo: a reportagem do SBT dizia que Serra fora atingido por uma bolinha de papel e só levou a mão a cabeça após receber um telefonema. Como não era possível ver a sequência completa, preferi aguardar.

O jornalista José Antonio Meira da Rocha, professor de Jornalismo Gráfico da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, questionou a autenticidade deste segundo vídeo. Segundo ele, a seqüência de imagens não permite comprovar que algum objeto atingiu José Serra. A “suposta fita crepe” seria apenas resultado da péssima gravação de um celular e o reflexo do sol na cabeça de uma pessoa próxima.

Leia aqui: A grande armação pró-Serra do Jornal Nacional


C'est fini:
nem o primeiro vídeo do SBT é capaz de provar que Serra "simulou" a agressão, muito menos o do UOL é capaz de provar que ele foi agredido. Serra parece ter dado uma "valorizada", mas o presidente e a candidata deveriam ter sido mais cautelosos para comentar o caso.


Atualização em 24/10/2010, 01h25: Meira da Rocha, em comentário aqui abaixo, informa que realizou uma experiência para reforçar o que já havia dito: o vídeo do UOL não permite comprovar que Serra foi agredido por um segundo objeto. Leia no site da UFSM É Serra na fita

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