Um dos principais defensores da aliança da trinca serrista (PSDB-DEM-PPS), o ex-prefeito do Rio e pré-candidato ao Senado, Cesar Maia (DEM), rejeitado pelo PV, diz que a aliança com o deputado verde Fernando Gabeira já não é mais interessante para candidato a presidente José Serra (PSDB), que na sua concepção tem chances de vencer já no primeiro turno. Ele defende que seja lançado um candidato a governador do PSDB, para identificação com o candidato majoritário.
A lógica anterior valia em uma eleição presidencial em dois turnos. Considerando que Serra não ficaria de fora do segundo turno, valeria a pena vitaminar a candidatura de Marina no Rio, com o apoio a Gabeira, em troca da retribuição por Gabeira do apoio no segundo turno no terceiro maior colégio eleitoral do País.
Como Marina não cresceu, Ciro Gomes não deve disputar, as chances da eleição ser decidida em primeiro turno aumentam, estimular o fortalecimento de Marina já não é mais tão interessante. Paradoxalmente, argumenta, partido dos que apóiam Marina o interesse de romper a coligação.
Veja o artigo que ele publicou nesta terça-feira, em seu ex-blog:
O "IMBRÓGLIO ELEITORAL" NO ESTADO DO RIO!
Do Ex-Blog do Cesar Maia
1. Em ano de eleição, cada vez que surge um conflito entre políticos ou entre partidos, o que está, de verdade, por trás dos fatos são os votos. No caso do Estado do Rio, há um complicador adicional: a candidatura de Marina da Silva. Em 2006, Heloisa Helena teve 6% dos votos no Brasil e 14% no Rio. Então é natural que os candidatos que apóiam Marina Silva queiram potencializá-la no Rio. Até porque, o elemento vinculante pelo número deve agregar legenda aos deputados.
2. Por isso, além do espaço que foi conquistado por razões de alternativa política local, com a candidatura a governador, querem ampliar esse espaço fazendo aparecer o número de Marina mais vezes na TV. Por isso, o interesse em lançar candidato a Senador e obter algum tempo dos partidos associados na campanha de governador. Excluindo os compreensíveis problemas político-hepáticos, é esta a questão central.
3. Em 2009, quando se configurava compulsoriamente uma campanha presidencial em dois turnos, a afirmação de uma candidatura a governador no Estado do Rio apoiada pelos partidos da base de Serra (PSDB-DEM-PPS) era um dado importante para tirar espaço da candidata presidencial do PT. Mas o quadro mudou. A eleição se tornou polarizada, eliminou a possibilidade de inclusão de Ciro Gomes e Marina, com toda a generosidade da imprensa, continuou patinando no mesmo patamar.
4. Dessa forma, criou-se um quadro que a eleição presidencial pode ser decidida no primeiro turno, bastando para tal, que um candidato supere o outro pela votação de Marina. Observando 2006, isso é possível, na medida em que se projeta, no final de agosto depois da entrada da TV, o mesmo emagrecimento que ocorreu com Heloisa Helena. E esta, estava na época, com níveis bem mais altos do que estará Marina em 2010.
5. Assim sendo, o entorno de Serra, respeitando os avanços que já se tinham feito no Estado do Rio, com seus três partidos em relação à candidatura a governador de interesse de Marina, passou a reavaliar, para dentro, esse quadro. A conclusão óbvia é que não vale a pena mais estimular a candidatura de Marina no Estado do Rio, pois Serra pode ganhar no primeiro turno. E se deixou o barco flutuar.
6. Paradoxalmente, quem resolveu esticar a corda, exigindo ruptura da coligação para ganhar mais tempo de TV no Senado, foram os que apóiam Marina. Durante 8 meses a mesma cantilena deles na imprensa, pedindo a exclusão do DEM. Os partidos da base de Serra se mantiveram silentes. Esse comportamento foi entendido, ingenuamente, pelos apoiadores de Marina, que havia campo para avançarem. E assim o fizeram declarando que excluiriam o DEM da coligação, usando os argumentos mais esdrúxulos contra um candidato que co-lidera as pesquisas ao Senado e que abre entre os eleitores de renda mais alta.
7. O resultado é que, precipitado pelos que apóiam Marina, se reabriu a possibilidade de se rever a decisão anterior e com isso se reabrir a discussão sobre a candidatura a governador, passando-se a usar o numero 45 nela. É possível que isso leve a eleição estadual para ser decidida em primeiro turno, o que seria algo razoável, pois não se teria eleição nacional no RJ no segundo turno. São essas as questões em discussão atrás das cortinas, e o que vem a público são vozes emanadas de lá e desconectadas do conjunto.
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