Análise: apesar de questionados, institutos acertaram resultado eleitoral
Dilma foi eleita presidente do Brasil. Enquanto escrevo este post faltava 1% das urnas apuradas, mas as parciais indicavam que a vitória sobre Serra foi por 56% a 44%. Dentro da margem de erro, as pesquisas dos os quatro institutos de pesquisa do Brasil, divulgadas na véspera, acertaram o resultado. O Datafolha apresentou 55% a 45% e o Ibope, 56% X 44%. Vox Populi e Sensus apresentaram 57% a 43%.
O Ibope divulgou uma pesquisa Boca de Urna em que mostrava Dilma com 58% e Serra, com 42%. No limite da margem de erro de dois pontos, o Instituto também acertou o resultado, dois a menos e dois a mais para o Serra.
Alguns analistas se precipitaram para criticar o resultado da Boca de Urna do Ibope, principalmente porque a apuração seguia mais lenta nas áreas onde Dilma venceu, mas a falta de precisão pode ser facilmente entendida pelo simples fato de que não há controle sobre a abstenção e ela foi maior nos Estados onde a petista venceu. Mesmo assim, o Instituto precisa apurar sua técnica.
Antes de explodirem denúncias de corrupção na Casa Civil, quebra de sigilo e principalmente da campanha difamatória contra a candidata, esperava-se uma vitória ampla de Dilma, ainda no primeiro turno. Quando a eleição não foi resolvida na primeira etapa e as primeiras pesquisas do segundo turno indicaram um estreitamento da diferença de Dilma e Serra, começou-se a pensar que poderia haver uma virada.
O que aconteceu com Dilma, no entanto, confirma uma regra: quem termina na frente o primeiro turno com mais de 10 pontos, em 99% dos casos se elege no segundo.
Há um ano atrás, quando Serra liderava as pesquisas no período pré-eleitoral alguns analistas diziam que o tucano seria eleito, pois não existe transferência de votos, Dilma nunca disputou nenhuma candidatura, etc...
A vitória de Dilma mostra que Lula, sim, conseguiu transferir votos para sua candidata, que nunca disputou as eleições. Mas os eleitores não votaram em Dilma apenas porque o presidente pediu, mas porque disseram que queriam dar continuidade a um governo bem avaliado.
Hoje, parte desses mesmos analistas que diziam que ela não venceria diz agora que a vantagem da petista foi “pequena” diante dos mais de 20 pontos que Lula conquistou em 2002 e 2006.
A vitória de Dilma foi incontestável.
Discordo e me preocupo da queixa de parte dos tucanos que a disputa foi desigual por conta da participação ostensiva de Lula na campanha. Se Lula não fosse bem avaliado, sua participação na campanha seria inócua ou não recomendada, como não foi recomendado a FHC que participasse da campanha de Serra, em 2002. Serra escondeu FHC naquela eleição não porque o presidente preferiu adotar uma postura de “chefe de Estado”, mas porque ele era muito mal avaliado.
Os tucanos podem buscar uma série de explicações e justificativas para a derrota de Serra – embora o ressentimento não seja o melhor conselheiro –, mas o fato que resume esta eleição é que Serra foi o candidato da situação quando a maioria queria a mudança, e foi o candidato da oposição quando a maioria queria continuidade. Simples assim.
LEIA TAMBÉM, post que escrevi hoje mais cedo, antes das urnas se abrirem (explica um pouco o vaivém das pesquisas nesta eleição:
Pesquisas Eleitorais: Dilma “administrou” 2º turno e deve ser eleita neste domingo
Atualização às 23h45: uma bobagem falada nessas últimas horas por alguns partidários de Serra, ou por desconhecimento, ou como tentativa de justifica a derrota, é que a divulgação sistemática das pesquisas favoreceu Dilma. Ora, pesquisas são apenas o termômetro e não a febre. Durante todo o segundo turno, o PSDB preferiu dizer que os termômetros estavam errados, ao invés de encarar a febre.
Pesquisas influenciam sim: apoios, mobilização. Mas achar que o Brasileiro é "Maria vai com as outras" é desprezar a inteligência do nosso povo. Parte daquele mesmo princípio anti-democrático que o povo não sabe votar, que inteligente é a "minoria", os "mais escolarizados", "os mais ricos".
O princípio da democracia é essa: o voto de cada um vale o mesmo. E o voto da maioria elegeu Dilma. Gostando ou não, temos que respeitar a escolha do povo, torcer para que faça um bom governo e fiscalizar suas ações.













Olá ,Campbell. Afinal, dá para estimar qual candidato mais recebeu os votos dos eleitores de Marina Silva ?
Abraço
Paulinho
Durante a campanha presidencial os tucanos interpretaram muito ao pé da letra o ditado que "em campanha se pode tudo, só não se pode uma única coisa, que é perder", e seu candidato ainda está no embalo da disuta mantendo o tom beligerante e cantando que este é o começo de mais uma batalha, com 34 milhões de militantes e 10 governadores. Nem mandato ele tem!
Paulinho, se a gente pensar que quem votou em Dilma e Serra repetiu o voto no segundo turno (acredito que a grande maioria fez isso), Serra ampliou sua votação em 10 milhões e Dilma em oito milhões, portanto, ele herdou mais votos.
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