domingo, 28 de fevereiro de 2010

“Transferência de votos”: Folha diverge do Datafolha



Veja acima como a Folha de S. Paulo apresentou os números em sua edição deste domingo e abaixo a pergunta feita pelo;




O que muda? Muda muita coisa! “Você votaria em um candidato apoiado pelo presidente Lula?’” É bem diferente de “O apoio do presidente te levaria a votar em um candidato?”

Você comeria uma batata frita com katchup, por exemplo, é bem diferente de o ketchup te levaria a comer uma batata frita.

No primeiro caso, não é o fato da batata frita “Dilma Rousseff” estar com ketchup “Lula” que vai me fazer recusá-la, até porque gosto do ketchup Lula (42%). Ou talvez eu aceite a batata frita com o ketchup “Lula”, mas não sei bem se eu gosto tanto assim desse condimento (26%). E, por fim, não gosto do ketchup “Lula” e por isso não aceito a batata frita.

No segundo caso, eu gosto tanto do Ketchup Lula que por causa disso, com certeza, eu aceito a batata frita “Dilma” (42%). Ou talvez o ketchup Lula me faça a aceitar a batata frita, mas eu preciso ver a batata frita primeiro (26%). E, por fim, se você colocar ketchup Lula nem precisa trazer a batata frita “Dilma” para eu experimentar.

A pergunta do Datafolha que saber se o eleitor levará em conta o apoio do presidente Lula para votar: 42% dizem que o apoio do presidente os levará “com certeza” a votar em um candidato, outros admitem que talvez o apoio do presidente os faça votar neste candidato (o apoio é importante, mas não decisivo). Ou seja, para 68% admitem ser importante o apoio do presidente, bem próximo ao índice de aprovação do governo que é de 73%. Por fim, 22% dizem que não votariam no candidato do presidente.

Na forma como a Folha apresentou os dados, a impressão que se tem é que apenas 42% dos eleitores dizem que votariam em um candidato apoiado pelo presidente Lula (aqui este apoio deixa de ter a função decisiva do “com certeza” e passa a ser apenas um fator que não atrapalha, no máximo um fator secundário. O “talvez” do gráfico da Folha é o que pode passar a impressão mais errada. Se eu digo que talvez votaria num candidato a presidente pelo fato dele ser apoiado pelo presidente Lula você pode entender que eu talvez também não votaria neste fato (bem diferente do sentido original da pergunta). A resposta “não” é a única que não guarda grandes diferenças entre o questionário que foi aplicado pelo Datafolha e o gráfico apresentado pela Folha.

P.S:
Não estou fazendo juízo de valor, se houve ou não má fé do jornal paulista. O objetivo é mostrar que a forma como se apresenta os números pode comprometer completamente o entendimento sobre eles.

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2 Comentários:

Angeline disse...

Vixe, Maria! Efeito tucano na FSP?

Paulo Roberto disse...

gostei de seu P.S., Campbell. realmente a "ginástica" que vem sendo feita pela chamada "grande imprensa", somada às "barrigas", distorções e factóides, não levam necessariamente a diagnosticá-las como "má-fé". pode ser a "cegueira" do desespero, ou, o que seria extremamente lamentável, "burrice" mesmo... Abraço!!

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