Tendência é de crescimento de Dilma, mas é cedo para “já ganhou”
Os dados do Datafolha publicados pela Folha de S. Paulo permitem supor que há espaço para que a Ministra Dilma Rousseff, candidata do PT à presidência, continue a crescer no período pré-eleitoral. Sendo evidente que, por já ter alcançado um patamar na faixa dos 30%, o crescimento se dará em um ritmo mais lento.
O principal argumento para sustentar esta tese vem do artigo assinado pelos diretores do Datafolha, Mauro Paulino e Alessandro Janoni: há, aproximadamente, 14% de brasileiros que querem votar no candidato de Lula, mas não o fazem por desconhecê-lo.
O fato de Dilma ainda ser menos conhecida que seu principal oponente (embora o grau de conhecimento tenha aumentado) também lhe favorece – veja o gráfico ao lado.
Supõe-se que ao se tornar mais conhecida e mais identificada com o presidente Lula, conseguirá angariar mais votos. Por enquanto, apresentados a uma lista, 59% dos eleitores identificam Dilma como candidata do presidente Lula (Em dezembro eram 52%). Essa pergunta é feita após as perguntas de intenção de votos, de forma a não influenciar no resultado.
Espontânea
Apesar de ser menos conhecida que Serra (principalmente entre aqueles que declaram “conhecer bem” o candidato), ela fica à sua frente na modalidade espontânea, quando o eleitor diz em quem pretende votar sem ser apresentado a uma lista de candidatos. Supostamente, o eleitor precisa “conhecer muito bem” o candidato ou pelo menos “conhecer um pouco”.
Veja então que 50% dos eleitores declaram que conhecem muito bem ou um pouco a ministra e que sua intenção de votos espontânea é de 10%. Proporcionalmente, 20%.
Em relação a Serra, 69% dos eleitores declaram que o conhecem muito bem ou um pouco e sua intenção de votos espontânea é de 7%. Proporcionalmente, 10%.
Então, já é possível prever uma vitória de Dilma?
Muita calma nesta hora. Todos os cálculos acima mostram apenas uma tendência de crescimento de Dilma no período pré-eleitoral, quando as atenções das pessoas ainda não estão completamente voltadas para as eleições.
Observe que na Espontânea Dilma tem 10%, Serra, 7%, Marina e Ciro, 1%. Ou seja, apenas 21% dos eleitores sabem declarar o nome de um dos concorrentes, sem ser apresentados a uma lista. Desconte, claro, aqueles 10% que declaram voto em Lula, que não pode concorrer, e os 4% que espontaneamente manifestam a intenção de votar no candidato de Lula, mas não sabem que é Dilma a sua candidata.
Até julho, mesmo afastada do Ministério (o que terá que fazer a partir de abril), Dilma continuará a percorrer o Brasil para ser tornar mais conhecida. O mesmo fará o candidato do PSDB, que se for mesmo Serra precisará renunciar ao governo de São Paulo igualmente em abril, assumir a condição de candidato e sair da defensiva. É preciso esperar, então, qual será o impacto da oficialização da candidatura do PSDB nas pesquisas eleitorais.
Quando a campanha começar de fato, em julho, e principalmente quando começar o horário eleitoral na televisão a partir de agosto, saberemos qual será o percentual de “largada” de cada candidato. A partir de então começa uma nova fase, de debates, confronto de opiniões. O eleitor estará mais atento às questões eleitorais.
O quadro que se desenha é que Dilma largará na frente. Quanto à chegada, é preciso esperar outubro.
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Perfeitamente. Creio que os debates alteram bastante o resultado e a saída da toca por parte de Serra poderá levar o resultado p a otimização do quadro atual ou para uma amenização desses resultados. A única certeza passível de ser concluída é que a disputa será mesmo bipolar, ou plebiscitária.
Verdade Angeline, nos próximos meses acontecerá também um quadro de acomodação dos números.
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