Serra X Dilma: Ibope confirma tendência de polarização
Diferenças de números a parte, a pesquisa Ibope divulgada ontem confirma o que mostraram as pesquisas Vox Populi e a “CNT / Sensus” : há uma candidata em ascensão (Dilma Rousseff) de um lado, impulsionada pelos altos índices de aprovação do atual governo (acima de 80%), e, do outro lado, um forte adversário (José Serra), pontuando sempre na casa dos 35%.
Com 36%, Serra mantém a liderança com 11% de diferença sobre Dilma, mas vê a diferença reduzir 10 pontos em relação ao levantamento anterior, quando o Tucano tinha 38% (oscilou negativamente dois pontos) e Dilma tinha 17% (cresceu oito pontos).
Como Dilma tem um Grau de conhecimento menor e está em uma trajetória de crescimento é possível supor que a tendência é, em breve, os dois estarem emparelhados (aliás, pela Sensus já há um empate técnico), produzindo o quadro de polarização sonhado pelo Governo.
Mas, apenas quando os dois candidatos tiverem percentuais de conhecimento próximos, e a maioria dos eleitores tiver identificar que a ministra Dilma Rousseff (PT) é a candidata do presidente Lula poderemos ter uma idéia mais clara de qual o teto da candidatura Dilma. Sobre "Transferência de Votos" , infelizmente, todas as pesquisas têm falhado neste aspecto ao não incluir uma pergunta do tipo “pelo que você sabe ou ouviu falar, quem é o candidato ou candidata do presidente Lula?" ou a mais direta, "você votaria" (com certeza, depende do candidato, jamais, etc) num candidato apoiado pelo presidente Lula
A pesquisa Ibope deu uma pista na questão “Opinião sobre mudança ou continuidade do governo do País por parte do próximo presidente”.
Foram 34% de menções “a total continuidade ao governo atual”, 29% dos entrevistados disseram que gostariam que o próximo presidente “fizesse poucas mudanças e desse continuidade para muita coisa”, 25% que o próximo presidente “mantivesse apenas alguns programas e mudasse muita coisa” e 10% “que mudasse totalmente o governo do país”.
Esses números favorecem a estratégia governista de implantar um plebiscito do estilo “nós contra eles”, tentando vender a idéia de que apenas Dilma representa a continuidade total do atual governo (34% dos eleitores) e que fará eventuais pequenos ajustes e aprimoramentos (29% que defendem continuidade da maioria das ações, com pequenas mudanças).
Do lado de Serra, um dilema. Encontrar um discurso que, ao mesmo tempo, atenda aos anseios dos 10% que defendem total mudança e dos 25% que querem manter apenas alguns programas e mudar muita coisa, e ao mesmo tempo conquiste parte dos eleitores que defendem pequenas mudanças, mas querem continuidade de muitas coisas. Esse é o dilema dos tucanos.
Mas é importante também observar que a pesquisa Ibope, realizada antes do carnaval, mostrou que a maioria dos brasileiros ainda não está interada sobre a sucessão presidencial. Na modalidade espontânea , o presidente Lula que não pode ser candidato, lidera com mais de 20% e há mais de 40% de pessoas que não sabem dizer em quem pretende votar. Nesta modalidade, há um empate técnico entre Serra e Dilma, com uma vantagem de apenas um ponto percentual para o tucano.
Cenário sem Ciro
Sem Ciro Gomes, a vantagem de Serra sobe de 11 para 13 pontos (é o mais beneficiado com a saída do candidato do PSB), mas até o quadro de conhecimento se estabilizar é difícil saber até que ponto isso acontece em função do recall de Serra de outras eleições.
Para baixar o relatório completo da pesquisa, clique aqui .
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