Pesquisas eleitorais podem ser analisadas ao gosto do freguês
É repetitivo, mas não custa insistir: pesquisas eleitorais refletem apenas a fotografia de um momento e, a sete meses das eleições, sem candidaturas oficializadas, servem mais para fechar alianças, obter apoios e, principalmente, motivar a militância.
Não por acaso são interpretadas sempre ao gosto do freguês. Foi assim mais uma vez com pesquisa Ibope divulgada ontem. O levantamento mostrou os seguintes números na modalidade estimulada: Serra (PSDB), 36%; Dilma, 25%; Ciro, 11% e Marina, 8%. Sem Ciro Gomes, Serra vai a 41%, Dilma belisca 28% e Marina marca 10%. .
Sem ser contraditório, é possível afirmar que Serra mantém uma liderança confortável, com o apoio de um terço do eleitorado, e que Dilma teve um crescimento substancial de oito pontos (tinha 17% no levantamento anterior do instituto, em dezembro).
De concreto, temos uma candidata em ascensão de um lado e um forte adversário do outro, com índices elevados e estáveis. Note-se que o avanço de Dilma não significou queda (pelo menos não na mesma proporção) de Serra. Ela avança, sobretudo, nos votos de Ciro e nos indecisos.
Há duas perguntas que só o tempo será capaz de responder:
1) Qual o teto de Dilma, antes da campanha começar? Impulsionada pela popularidade do presidente Lula, ela tomou o elevador para o andar de cima das pesquisas eleitorais. Por ser menos conhecida que seu principal adversário e pelo fato de que nem todas as pessoas a identificam como a candidata do presidente, há margem para continuar crescendo, mas, como já cresceu bastante, a proporção pode ser menor.
2) Até que ponto, as intenções de votos em Serra são frutos de Recall? Ele conseguirá manter esses patamares? Como lembrado logo acima, mesmo com o crescimento de Dilma, Serra mantém-se na liderança com patamares elevados. Mas é preciso saber se continuará conseguindo sustentar esses índices.
As respostas para estas perguntas nos ajudarão a conhecer o percentual de largada dos candidatos na campanha oficial. E apenas isso. A partir de julho, começa uma fase completamente diferente da sucessão, sujeita a fatores diversos e inesperados. Um palpite de quem vencerá as eleições hoje é apenas isso, um palpite.
Para encerrar, um exercício: duas interpretações diferentes da pesquisa Ibope, uma para agradar tucanos e a outra, petistas.
Serra lidera com ampla vantagem e pode vencer já no 1º turno
A pesquisa Ibope, divulgada ontem, mostra que, no cenário mais provável (sem Ciro Gomes no páreo), o governador de São Paulo, José Serra, venceria no primeiro turno. Ele teria 41%, três pontos percentuais a mais que a soma de Dilma Rousseff (28%) e Marina Silva (10%).
Mesmo no cenário com Ciro Gomes, Serra mantém a liderança confortável, com 36%, contra 25% de Dilma, 11% do pré-candidato do PSB e 8% da pré-candidata do PV.
A projeção de segundo turno também mostra superioridade de José Serra, que venceria Dilma por 47% a 33%.
Segundo o levantamento do Ibope, apesar da campanha eleitoral antecipada (de forma ilegal, diga-se), Serra continua sendo o favorito para ser o próximo Presidente da República.
Dilma dispara e reduz em 10 pontos desvantagem em relação a Serra
A Ministra Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência da República, subiu oito pontos na pesquisa Ibope, divulgada ontem, enquanto seu principal adversário, o governador de São Paulo, José Serra, caiu dois pontos. Com isso, a diferença que em dezembro era de 21 pontos agora é de apenas 11 pontos. No levantamento anterior, ela tinha 17% e agora chega a 25%, enquanto Serra caiu de 38% para 36%.
O crescimento da ministra mostra que o Brasil está descobrindo que Dilma é garantia de continuidade de um governo com mais de 80% de aprovação popular. Crescendo dessa forma, Dilma pode vencer as eleições ainda no primeiro turno.
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Faço a seguinte equação, Dilma vem crescendo de forma firme e sustentável e Serra vem em declínio ou estagnado em um momento de baixa polaridade, já que a eleição ainda não caiu no gosto popular, não virou assunto de roda de conversas entre as pessoas menos interessadas em política.
A favor de Serra o recall das últimas eleições disputadas.
A favor de Dilma, além da comparação já feita pelo eleitorado em face do legado de Lula comparando-o a FHC, onde indiscutivelmente a população já escolheu o melhor governo (basta comparar a avaliação de Lula hoje e de FHC em Fevereiro de 2002), há a indicação de que Dilma é menos conhecida que Serra, tem a rejeição menor que seu oponente e tem seu melhor desempenho entre as classes mais escolarizadas. Quando a campanha ganhar ritmo, como se comportará o eleitor menos escolarizado e de menor renda e que coloca Lula nas alturas, o pós Lula será alguém de sua confiança ou da confiança de FHC, identificado em Serra, que mesmo a contragosto deve ser assim identificado, haja vista a língua solta dos últimos dias do Ex-presidente.
Augusto Ramos
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