Escudo para senador: estratégias em eleições com duas vagas
O mandato de Senador tem duração de oito anos e a cada eleição renova-se um terço ou dois terços do Senado, que é formado por 81 senadores (três de cada unidade da federação, independente do número de eleitores). Nas Eleições 2010, serão renovados dois terços do atual Senado, portanto cada estado elegerá dois senadores. Muita gente não sabe ou não se lembra, mas neste caso pode-se votar duas vezes para o Senado. Por isso, uma estratégia eleitoral boa para um candidato que quer se eleger é fazer uma dobradinha com um candidato mais fraco, com objetivo de evitar que seus eleitores fieis votem num outro candidato que tenha também chance de se eleger.
Para ficar mais claro o entendimento, recorro ao um exemplo concreto, que aconteceu aqui no Rio de Janeiro, nas eleições de 2002, quando foram eleitos, em primeiro lugar, Sérgio Cabral (PMDB), hoje governador do Estado, e Marcelo Crivella (hoje no PRB e na época filiado ao extinto PL, que se transformou em PR).
Crivella lançou uma dobradinha com a hoje vereadora no Rio Lílian Sá e incentivou que seus eleitores “fiéis” (aqueles que o escolheram como primeira opção) votassem também em Lílian. Lílian conquistou mais de 300 mil votos, ficando em oitavo lugar, entre 20 candidatos. Com a estratégia, Crivella impediu que boa parte desses votos (que, teoricamente, foram dados por eleitores que escolheram o senador como primeira opção) migrassem para um adversário direto na disputa.
Esta estratégia é importante em locais onde três candidatos disputam de forma acirrada duas vagas, como deve ser nas Eleições 2010, em Minas, entre Aécio Neves, José Alencar e Itamar Franco ou, novamente, no Rio, entre César Maia, Benedita da Silva (ou Lindberg) e Marcelo Crivella.
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