Dutra: "pesquisas confirmam que melhor estratégia é eleição plebiscitária"
Em entrevista publicada nesta terça, dia 09, no Valor, o Presidente eleito do PT, José Eduardo Dutra, que assume o posto dia 19, diz que o crescimento da Ministra Dilma Rousseff nas pesquisas de intenção de votos mostra que a tese de candidatura única da base governista é a mais acertada, ao contrário do que defende o PSB, para quem é melhor duas candidaturas na base do governo para forçar o segundo turno.
Confrontado pela repórter Raquel Ulhôa, de que os votos de Ciro, nos cenários em que ele fica de fora da disputa e nas simulações de segundo turno, migram mais para Serra, Dutra acredita que isso ocorra pelo fato de Serra ser o mais conhecido entre os candidatos.
- Em pesquisas "a frio", sem explicar que o Ciro apoia a Dilma no segundo turno, quando você tira um nome, a tendência estatística é que o nome mais conhecido ganhe mais voto, independentemente da posição ideológica que esse candidato tenha – defendeu Dutra.
Ele lembra que a ministra cresce em todos os cenários e na simulação de segundo turno.
- Nós, respeitosamente, publicamente, queremos aliança com o PSB, mas, se lá na frente o PSB, com toda legitimidade, decidir que vai lançar o Ciro, faremos campanha considerando que o Ciro é um candidato aliado. O adversário é o Serra. E vamos estar juntos num possível segundo turno. Não tenho nenhuma dúvida – garantiu.
Para Dutra, Dilma, se eleita presidente, é candidata natural à reeleição. Ele acha que Lula não tem interesse em voltar - e correr o risco de fazer um mandato pior que os dois, que já garantem ao petista um lugar na história.
Veja alguns trechos da entrevista:
GOVERNO À ESQUERDA: Não cabe esse conceito de esquerda ou direita no governo Lula. Com a crise, foi se buscar exatamente o Estado para salvar bancos, totens do capitalismo mundial. Todos os países estão atentos para reforçar organismos estatais que, em caso de crise, sejam necessários. É uma mera decorrência da evolução da economia mundial.
ESTADO FORTE – Não estamos propondo estatizar mais nada. Esse fortalecimento do Estado a que nos referimos é fortalecer os instrumentos estatais que já existem.
RESPOSTA A SÉRGIO GUERRA, presidente do PSDB, que disse que um governo tucano mudaria os pilares da política econômica. – Os fundamentos da economia brasileira hoje estão absolutamente sólidos. Prova disso é que sofremos menos do que a maioria dos países a crise econômica. Se os tucanos vão mudar deviam dizer o que vão mudar e o que vão botar no lugar. Eu, particularmente estou muito curioso para saber o que os tucanos vão mudar e botar no lugar. Nós vamos manter.
MAIOR PARTICIPAÇÃO DO PMDB EM UM GOVERNO DILMA – O governo da Dilma , da mesma forma que o governo do Lula, vai ser um governo de coalizão, que muitas vezes tem disputas internas.
DILMA POLÍTICA – Essa imagem da Dilma como uma pessoa meramente técnica, tecnocrata, gerentona, não é realidade. A Dilma é uma excelente política. Faz política desde sua juventude. A Dilma é eminentemente uma personalidade política. Com estilo totalmente diferente do de Lula, claro. Ela não tem interação com as massas que o Lula tem, até pela diferença de trajetória de vida. Mas eu confio não só na capacidade dela de gerenciar, como também de administrar politicamente esse condomínio de partidos que vão estar na base do governo.
DIVERGÊNCIA PT-PMDB MINAS – Se a gente conseguir unificar dentro do PT e se a pesquisa for realizada não em março, mas no final de abril, quando tiver condição de mensurar melhor qual foi a influência do Anastasia (Antonio Anastasia, vice-governador e candidato de Aécio Neves a governador) no governo, pode ser um critério interessante. Estou trabalhando pelo entendimento. Até março tem que resolver. Agora, se, de comum acordo, chegarmos a esse entendimento e a pesquisa for feita, aquele que estiver na frente vai ser o candidato.
CANDIDATURA ALENCAR EM MINAS – A questão principal é o estado de saúde dele. Ele tem que avaliar se quer ser candidato. Se decidir disputar o governo, pode ser uma alternativa de consenso. Os partidos vão analisar o quadro.
DIRCEU, O NEGOCIADOR – É natural que os próprios aliados procurem o José Dirceu, que tem experiência e é visto como pessoa com influência no PT. Mas ele não vai fechar nenhuma aliança em nenhum estado. O José Dirceu é um animal político, faz parte do DNA dele, mas ele não fala pelo PT.
CIRO, GOVERNADOR DE SÃO PAULO – Ele teria capacidade de aglutinar toda a base do governo em SP. A gente vê uma fadiga de material dos tucanos em SP, depois de 16 anos. A eleição não está perdida. O perfil de campanha do Ciro - incisivo, agressivo - é interessante. Mas ele tem dito categoricamente que não é candidato. Ninguém é candidato a uma coisa que não quer. Se não quer, o PT tem que buscar outra alternativa. Até março tem que ter uma definição.
DE QUEM MARINA TIRA VOTOS: Marina vai tirar mais voto do Serra. Um eleitorado que já votou no PT e já não votaria mais no PT. Votaria no Serra envergonhado. A Marina é uma alternativa para esse eleitorado.
MICHEL TEMER PARA VICE – Sou da tese que o potencial eleitoral de um vice é muito limitado. Por mais que a pessoa tenha votos, concordo plenamente com o que disse o José Alencar: a pessoa vota no presidente. O vice ajuda na medida em que dá "liga" com o titular. O PMDB é que vai indicar o vice. Fez-se muita celeuma nessa questão da lista tríplice que o Lula falou. Se o PMDB concordar com a lista tríplice ótimo. Se não concordar, não concorda e pronto. Não cabe ao PT ficar dando palpite em quem é o vice do PMDB. Mas, naturalmente, a discussão do vice tem que passar pela candidata. Não há circunstâncias na política em que um partido indica um vice em que o candidato não concorda com aquele vice. Isso vale para prefeito, governador e presidente da república. Então, a costura do vice tem que passar pela candidata. Não é pelo PT. Eu, pessoalmente, não acho que o nome do Michel Temer tenha algum problema. É presidente do PMDB, representaria institucionalmente o partido. Mas essa é uma questão que cabe ao PMDB discutir e, depois, levar a sugestão a Dilma.
Veja a íntegra aqui / http://www.valoronline.com.br/?impresso/especial/195/6097275/estado-mais-forte-e-mera-decorrencia-da-economia-mundial/ apenas para assinantes
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