quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Dilma continua sendo a candidata com maior potencial de crescimento

Passeando pelo arquivo do Blog, encontrei um post de setembro de 2009, onde arriscava um palpite: Dilma é quem mais chance tem de crescer nas pesquisas, o que contrariava a maioria das análises que podiam ser encontradas naquele momento na mídia.

Na ocasião, o Ibope marcava: Serra, com 35%, Ciro, com 17%, Dilma, com 15% e Marina Silva, com 8%. O destaque daquela rodada era o crescimento de Ciro em todos os cenários, Serra caia de quatro a cinco pontos dependendo do cenário e Dilma também perdia de três a quatro pontos. A pesquisa foi a primeira do Ibope que incluiu o nome da ex-ministra Marina Silva.


Pelo mesmo Ibope , em pesquisa feita no pré-carnaval, o que mudou foi que Ciro caiu um pouco, cinco pontos neste cenário, e Dilma cresceu 11 pontos. Serra manteve-se estável (oscilação de um ponto para cima) e Marina, idem (com oscilação positiva de dois pontos).

A tese principal mantém-se válida: à medida que mais pessoas passem a conhecer a ministra e a identificarem como candidata do presidente Lula, seus índices vão melhorar. O principal argumento para justificar essa possibilidade maior de crescimento vinha do cruzamento aprovação do governo Lula X grau de conhecimento em Dilma X intenções de votos da ministra.

Olhando o que aconteceu neste período podemos chegar a algumas conclusões:

Como a ministra Dilma Rousseff (PT) ainda não é conhecida de todo o eleitorado (segundo o último Ibope apenas 47% dos eleitores dizem conhecê-la bem ou mais ou menos), a aprovação do presidente Lula continua nas alturas, ela continua sendo a candidata com maior potencial de crescimento. No entanto, como a Ministra já avançou para patamares que variam de 25% a 30% (dependendo do instituto e do cenário), este crescimento tende se dar numa velocidade menor. Estamos próximos, portanto, de um momento de acomodação que possibilitará saber qual será o patamar de largada de cada candidatura.

O crescimento de Dilma não significou queda de Serra. Ele se mantém estável sempre na casa dos 35%. A petista avança principalmente sobre os votos de Ciro Gomes e sobre os indecisos.

POTENCIAL DE VOTOS DE DILMA – em um hipotético segundo turno contra Serra. A mesma pesquisa do Ibope de fevereiro pesquisou o sentimento do eleitor em relação ao próximo presidente: 34% disseram que gostariam que ele desse total continuidade ao atual governo, 29% afirmaram que gostariam que ele desse continuidade a muitas coisas, mas que fizesse pequenas mudanças; 25% declararam que gostariam que se mantivesse apenas alguns programas, mas mudasse muita coisa e 10% querem mudança total do governo. Em tese, apenas em tese, o potencial da candidatura de Dilma varia de 34% (total continuidade) a 63% (total continuidade + continuidade com pequenas mudanças). Obviamente este é apenas um palpite. O ex-prefeito César Maia (DEM), em uma das edições do seu ex-blog, sustenta que 34% na verdade representam o teto futuro da candidatura de Dilma. Esperar e conferir.

POTENCIAL DE VOTOS DE SERRA – em um hipotético segundo turno contra Dilma. Seguindo o raciocínio anterior, a capacidade de votos de Serra varia de 35% (mudança total + grandes mudanças, mantendo apenas alguns programas) a 64% (mudança total + grandes mudanças, mantendo apenas alguns programas + continuidade com pequenas mudanças). Uma explicação para este critério: o discurso de Dilma é de continuidade ao governo atual e, portanto, dificilmente seduzirá os eleitores que declaram que querem grandes mudanças no governo, apenas manutenção de alguns programas. Já Serra pode conquistar parte dos votos dos eleitores que querem a continuidade do governo com pequenas mudanças se conseguir se posicionar como um “Pós-Lula”.

O ANTI-LULA – Por conta desses 29% de eleitores que querem a continuidade do governo, mas desejam algumas mudanças, a estratégia da situação será tentar rotular Serra como o “anti-Lula” e atrelá-lo a Fernando Henrique Cardoso, que, ao contrário de Lula, encerrou seu mandato com popularidade baixa. Ao candidato tucano caberá tentar fugir dessa “armadilha” e se impor como o “pós-Lula”. Seu discurso terá que se concentrar principalmente nestes 29%, que na prática, serão aqueles que decidirão a eleição. Seu caminho será se mostrar o mais preparado para dar continuidade aos avanços que o Brasil teve nos últimos 16 anos (atribuindo os avanços de Lula aos passos dados pelo governo anterior), promover os ajustes necessários e dosar as críticas ao governo. É um caminho tortuoso, já que, ao preservar o governo, indiretamente favorece Dilma, mas não há, por enquanto, outro caminho. Pode se achar o governo Lula ruim e ter uma série de argumentos contra ele, mas não se pode brigar contra os números (ao contrário, é preciso usá-los a seu favor).

Recomendo, a quem ainda não leu, o artigo “Lula X FHC: assim é se lhe parece”, que mostra que a comparação dos dois governos depende principalmente do ponto de vista de quem observa. Hoje a percepção popular (sendo todos livres para concordar ou não com ela) é de que Lula faz um melhor governo que seu antecessor.

Outra leitura que pode interessar é o artigo “Não existe imparcialidade, nem no jornalismo, nem na blogosfera”. 

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3 Comentários:

Johnes Hebert disse...

A nível de estudante universitário eu diria o seguinte a juventude de modo geral no últimos anos do Governo Lula vem crescendo as chances de entrar na universidade,bem com issu a candidata dele sairia na frente com os jovens,(16-30)do outro lado tem os mais esperientes (31 anos em diante)ele perderia pois não adianta popularizar o ensino se não abre postos de emprego para atuar na área que foi formado...
Aê eu não sei dizer se ela ganha ou não,mas posso dizer as eleições ainda estão longe do alcance dos candidatos.....
abraços
www.juventudebm.blogspot.com

Ísis Paes disse...

bem, faço parte destes 29% que querem mudanças, mas continuidade de alguns projetos... Mas não simpatizo nem com Serra nem com Dilma, pelo menos por enquanto (mas não é a simpatia que definirá meu voto, e sim a razão). Os dois possuem pontos de vista interessantes, mas ainda assim, não sei seus planejamentos de governo (aliás, de nenhum dos possíveis candidatos), para decidir tenho que esperar as candidaturas se definirem. Por enquanto só posso pesquisar o passado político e ficar por dentro do que está acontecendo na política e das necessidades do país.

Alexandre Campbell disse...

Johnes, a questão da ampliação universitária X geração de empregos é importante e deve estar presente na campanha, mas não creio que será uma questão principal.
Ísis, é para pessoas como você que a campanha será feita. A tendência de polarização entre esses dois candidatos vai te "obrigar" a escolher um dos dois. Acho legal o que você diz, que vai procurar escolher seu candidato de forma racional. Todos deveriam fazer o mesmo.

Obrigado aos dois pelos comentários.

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