segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

CNT / SENSUS: realidade local não obedece lógica nacional

O Blog Coturno Noturno, aquele que questionou a credibilidade da Pesquisa Vox Populi, como mostrei aqui no domingo, publica hoje uma série de artigos para tentar comprovar que houve fraude ou manipulação na pesquisa CNT / Sensus, o que justificaria o crescimento da ministra Dilma Rousseff (PT), tecnicamente empatada com o governador de São Paulo, José Serra.

O principal argumento do blog é “os municípios comandados por petistas ou aliados estão proporcionalmente super representados na amostra do Sensus. Com ironia fina, chama atenção para a “sorte do PT” e o “azar do PSDB” na seleção das cidades. Segundo a metodologia da pesquisa, registrada no TSE a escolha dos municípios é aleatória. Veja o argumento principal do “Coturno”:
“Para que fique bem claro, o Coronel parte de uma premissa bobocamente básica: se uma cidade é governada pelo PT, é mais simpática ao PT; se é governada pelo DEM, é mais simpática ao DEM; se é governada pelo PSDB, é mais simpática ao PSDB. Portanto, mesmo que a amostra fosse aleatória probabilística, este fator pesa, sim. E pesa muito! E vale quanto pesa. Que o diga quem comprou a pesquisa a peso de ouro”.
A grande questão é que a realidade nacional não obedece a lógica nacional. Isso significa que um líder local, como José Camilo Zito, prefeito de Duque de Caxias, do PSDB, pode vencer as eleições, como venceu em 2008 no primeiro turno, o que não significa que há identificação do município com o partido. Em 2006, neste mesmo município, Lula venceu no primeiro turno com 61% e no segundo teve 81% dos votos válidos. Além de não obedecer a lógica nacional, o eleitor brasileiro vota em pessoas e não em partidos.
A cidade de Caxias, diga-se de passagem, é a maior comandada pelo PSDB no Rio e não foi incluída na amostragem da CNT / Sensus. Se tivesse entrado teria ajudado Serra a crescer na pesquisa? Talvez até atrapalhasse. Em seu lugar, entrou Niterói, comandata pelo PDT. Lá Lula teve dificuldades em 2006: no primeiro turno, venceu Alckmin por 39% e 30% e no segundo turno teve 61% dos votos válidos, abaixo da média do Estado do Rio, que foi 69%. Este é apenas um exemplo de como a realidade local não obedece a lógica nacional
Pesquisas eleitorais vão sempre despertar euforia de um lado e questionamentos do outro. Quem está na frente vai soltar fogos, que está atrás vai duvidar da credibilidade. Era assim em 2009, quando Serra estava 20 pontos ou mais na frente nas pesquisas e será de novo caso Serra passe a crescer e a ministra Dilma passe a cair.
Pesquisas servem para medir a fotografia de um momento. Quando “reveladas”, tudo já pode ter mudado. Pesquisas, como já mostrei aqui. Neste momento pré-eleitoral, servem para consolidar candidaturas, conseguir apoios, recursos, etc. Há casos de viradas clássicas, outros de candidatos que conseguiram disparar nas pesquisas, mas depois perderam fôlego.
No mais, pesquisas são um termômetro para se medir a temperatura, embora muitas vezes sejam usadas para aquecerem o jogo político.

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