César Maia projeta vitória de Serra no 1º turno: “performance em campanha tende a ser decisiva”
O ex-prefeito do Rio, César Maia, afirma que o primeiro turno da campanha presidencial é favorável ao governador José Serra (PSDB), uma vez que falta a Dilma Rousseff (PT) experiência de campanha. Para César Maia, se a eleição for plebiscitária, “a probabilidade de Serra vencer no primeiro turno é tão alta que -de hoje- parece inevitável”. Como no seu entendimento Serra terminará o primeirou Round na frente de qualquer forma, as chances de Dilma estariam em tentar virar o jogo no segundo turno, quando já terá adquirido experiência de campanha, e a presença de Lula ficará mais evidente. Veja seus argumentos e abaixo também sua opinião de que a pesquisa CNT / Sensus deu ânimo ao discurso de Ciro de que ele é importante para levar a eleição para o segundo turno.
Do Ex-Blog do César Maia
1. As eleições pelo mundo afora, nestes últimos anos, têm mostrado que se não ocorrer uma conjuntura de máxima ou de mínima (economia crescendo 8% a 10%, ou em recessão afirmada), o fator decisivo é a performance dos candidatos em campanha. No Brasil, com eleições coincidentes para governadores e acesso proporcional à TV, a performance dos candidatos se somam à capilaridade (candidatos a governador) e o tempo de TV. No caso específico de 2010, Serra e Dilma se equilibram nestes dois quesitos. Portanto, a performance em campanha tende a ser decisiva.
2. Os programas de governo e promessas eleitorais são cada vez mais argumentos após se ter transposto a barreira da confiança. E esse é função da performance dos candidatos em campanha.
3. Importante lembrar para 2010 que se a cobertura na pré-campanha pela mídia coloca Lula como comissão de frente do desfile de Dilma, durante a campanha as lentes e microfones a focalizarão sem Lula. Assim serão aqueles 30 segundos diários no Jornal Nacional. Assim serão os debates. Assim serão as pegadinhas nas ruas e o acesso do eleitor.
4. E aí, inevitavelmente, entra a experiência adquirida em campanhas eleitorais. E não se trata aqui de experiência política, mas eleitoral, propriamente. Para lembrar Glorinha Beuttenmüller: o abraço redondo, o olhar envolvente, falar a partir do umbigo, o passeio do olhar na frente das câmeras, o A e o I, o exercício de relaxamento, a voz escandida na TV e agitada no Rádio, etc. A aula ajuda, mas só a prática incorpora na massa do sangue e torna espontânea a performance.
5. Dilma nunca foi candidata a nada, talvez nem à síndica. Vai começar a aprender -para valer- depois da convenção de junho e a partir de 5 de julho. E vai tropeçar, inevitavelmente. A TV editada só entra uns 50 dias depois da convenção. Vai levar um susto no final de julho quando as pesquisas anotarem a percepção do eleitor sobre ela. E a imprensa que apenas cobre estratégia de campanha vai querer saber das mudanças. A candidata se deprime um pouco. Mas logo vem a TV editada e a situação melhora.
6. Cada quinzena de campanha para presidente vale um ano de experiência eleitoral. Mas não dará tempo para Dilma ganhar. Serra vence o primeiro turno. E aí vem a questão. Vence no primeiro turno? Ou haverá segundo? O mais provável é que numa eleição plebiscitária ele vença no primeiro turno. Lembre-se que a TV é alternada dia sim, dia não. E que o primeiro turno é cheio de ruídos.
7. Mas se houver segundo turno o quadro já será diferente. Dilma terá adquirido experiência de performance em campanha. O segundo turno entra com TV contínua. Saem os deputados federais, estaduais e senadores. Desaparecem as suas placas nas ruas e seus cabos eleitorais com panfletos. A TV e a campanha ficam "limpas". Será mais fácil perceber a presença de Lula. O segundo turno tende a ser uma eleição indefinida. Mas o primeiro será muito favorável a Serra, pelas razões, e se for plebiscitária, a probabilidade de Serra vencer no primeiro turno é tão alta que -de hoje- parece inevitável.
Pesquisa Sensus deu ânimo ao discurso de Ciro!
A lógica de Ciro é que ele é importante para levar a eleição para o segundo turno. Os números do Sensus ajudaram!
1. Dilma com ou sem Ciro fica na mesma. Pela ordem Norte\CO, Nordeste, Sudeste e Sul. Com Ciro\Sem Ciro: 24,2\25,5 - 38,0\40,2 - 22,7\ 23,4 - 26,5\23,7. Obs.: A queda no Sul deve ser desconsiderada por inusitada.
2. Serra cresce sem Ciro em todas as regiões. Pela ordem: Norte\CO, Nordeste, Sudeste, Sul. Com Ciro\Sem Ciro: 35,1\43,4 - 25,4\34,6 - 34,7\40,7 - 41,9\49,5.
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Além do formato comparativo que esta eleição trará o que é mais notório em todas as amostragens até agora é o encurtamento da distância de Dilma para Serra, num cenário de baixa polaridade, onde Dilma é muito menos conhecida que Serra.
Considero que quando a eleição estiver inserida no bate papo e na atenção das pessoas, a tendência é Dilma ultrapassar Serra e consolidar-se na primeira posição, e os números hoje lhe são tão favoráveis que pode ser que isto ocorra antes do momento de maior polaridade eleitoral.
Parece-me que César Maia, ao insistir na hipótese de Serra vencer, e vencer já no 1º turno, não se sustenta numa análise mais fria e detalhada dos indicadores, aquilo que a pesquisa fala por dentro. Serra hoje compulsoriamente candidato das oposições e uma oposição sem agenda, sem bandeira e sem o contraditório, encontra-se numa situação bastante desconfortável.
Augusto
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