Alguns exemplos de “transferência de votos”
Transferência de votos não é algo que aconteça da forma automática, como muitos pensam: que o eleitor vote simplesmente por conta do pedido de um líder popular (isso pode até acontecer, mas em escala muito menor que se pensa). Por este entendimento, talvez não seja nem possível afirmar que exista transferência de votos.
O que acontece muitas vezes é que o eleitor satisfeito com determinado governo ou com a situação do país, com sua vida, tende a votar no candidato que representa esta continuidade, a segurança.
Abaixo quatro exemplos de eleições onde aconteceu este fenômeno: a eleição presidencial de 1994, as eleições de 1996 para as prefeituras de São Paulo e Rio de Janeiro e as eleições 2008 também para prefeito de São Paulo.
Antes que se pergunte, não há fórmula de bolo e o fato do fenômeno ter funcionado nos exemplos abaixo não significa que o presidente Lula conseguirá eleger a Ministra Dilma Rousseff.
Os contextos são diferentes, mas há alguns elementos que também estarão presentes na sucessão presidencial de 2010.
As principais semelhanças: governos bem avaliados, população satisfeita, candidatos que saíram de patamares baixos nas pesquisas eleitorais, bom tempo de televisão.
Diferenças: nos casos das eleições presidenciais de 1994 e nas municipais de 1996 ainda não havia o instrumento da reeleição. O prefeito José Serra, em São Paulo, também estava no primeiro mandato quando renunciou para concorrer ao governo, o que estava em jogo, portanto, era a “reeleição de um mesmo governo”.
Elemento Chave: Todas essas eleições vitoriosas contaram também com um elemento que ainda não é possível saber se estará presente na campanha de Dilma Rousseff: uma campanha muito bem feita.
ITAMAR PARA FHC – 1994
Não se pode dizer que o Presidente Itamar Franco tenha sido popular, mas fez um governo bem avaliado. Na campanha eleitoral não foi para as ruas pedir votos para Fernando Henrique. Nem precisou. Ancorado pelo Plano Real, FHC saiu de 16% em maio para vencer a eleição no primeiro turno. Veja os gráficos com a evolução de FHC.

CÉSAR MAIA PARA CONDE – 1996
Luiz Paulo Conde era um arquiteto que foi convidado por César Maia para ser Secretário de Urbanismo. Não tinha qualquer experiência eleitoral. Mas seu padrinho político fazia um bom governo e o povo decidiu dar mais um mandato a César “personificado em Conde”. Veja que Conde saiu de 4% nas pesquisas já em julho para vencer aquela eleição pouco mais de três meses depois. Terminou o primeiro turno na frente e venceu Sérgio Cabral no segundo.

MALUF PARA PITTA - 1996
Celso Pitta, assim como Conde, não tinha experiência eleitoral. Era um economista que foi secretário de Paulo Maluf. Também saiu de baixo (embora com índices melhores que Conde) para vencer aquela disputa. Assim como Conde, terminou o primeiro turno na frente e derrotou a ex-prefeita Luiza Erundina, no segundo. Veja o gráfico.

SERRA PARA KASSAB – 2008
Embora já fosse o prefeito de São Paulo, por conta da renúncia de Serra dois anos antes para concorrer ao Governo do Estado. Esta foi a primeira eleição que disputou, defendendo a continuidade de um governo. Levou uma vantagem, por estar no cargo, mas vale lembrar que oficialmente o candidato do PSDB e, portanto, de José Serra, era Geraldo Alckmin. Serra não pode fazer campanha para Kassab no primeiro turno e nem precisou. O paulistano identificou o Democrata como o candidato do governador e decidiu dar-lhe mais um mandato. Contrariando as pesquisas, terminou o primeiro turno já na frente de Marta Suplicy (33% a 32%) e depois deu um banho no segundo turno, conquistando 60% dos votos válidos.
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Dilma não é Lula, é um reflexo distorcido do presidente. Quando a campanha começar as diferenças entre os dois ficarão claras. Ela pode levar lula a tira colo para os palanques, para as gravações de TV, mas no debate, no confronto olho a olho no eleitor, ela não tem chances.
Vínicius, cada situação é diferente, e a política não é uma ciência exata, mas Dilma tem boas chances (não quer dizer que consiga) de ser eleita sim.
Obrigado pelo comentário!
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