quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O PMDB estará com o PT na eleição presidencial? E por quanto?

O PMDB tem seis ministérios e uma dezena de cargos importantes na estrutura do Governo Federal. Oficialmente selou um pré-acordo com o PT para apoiar a eleição de Dilma em troca da indicação do vice, participação no programa de governo, na campanha, e, claro, espaço no próximo governo. Ficou acertado também que os partidos trabalhariam juntos para apaziguar as divergências estaduais e construir palanques únicos. Mesmo assim, devido à instabilidade do PMDB e as divisões no PT, até as convenções haverá um clima de instabilidade no ar.
Mantidas as circunstâncias atuais, o PMDB estará na chapa de Dilma. Quanto isso vai custar para o governo e para o PT é que a grande incógnita. Além de todas exigências do PMDB, o partido parece convencido de que o PT por ter a cabeça de chapa na eleição presidencial tem que ser mais maleável nos estados.

Isso fica claro se compararmos dois estados, com peso eleitoral mais ou menos parecido, Rio de Janeiro e Bahia. No Rio, o governador é Sérgio Cabral, do PMDB. A nacional do PT fez o que podia e o que não podia para barrar a candidatura de Lindberg. Conseguiu. Na Bahia, ocorre o inverso. O governador é o PT, Jacques Wagner, e o partido fala em conviver com o palanque duplo – o ministro Gedel Vieira Lima, do PMDB, é pré-candidato. Dois pesos e duas medidas.
Tem outros casos emblemáticos, como Minas, segundo colégio eleitoral do país: o PT tem dois pré-candidatos (os ex-prefeitos de Belo Horizonte Patrus Ananias e Fernando Pimentel) o que dificulta o acordo com o PMDB, do também ministro Hélio Costa.

O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) declarou que o impasse em Minas pode dificultar a aliança nacional entre os dois partidos, num claro tom de ameaça.

Se até junho, data das convenções, a ministra Dilma Rousseff, tiver disparado nas pesquisas, aumentando a perspectiva de vitória, o PMDB embarcará em sua candidatura de cabeça. Se isso não acontecer, o preço pedido pelo PMDB será alto e pode se tornar até impagável.

(Publicado originalmente na coluna mantida por este autor na Revista Médio Paraíba)

3 Comentários:

RD disse...

Caro Campbell,
Eduardo Cunha é um grande amigo meu. Trabalhei com Eduardo desde seu primeiro mandato, ainda de Estadual. Coordenei sua primeira campanha a Federal e participei da segunda, com menos intensidade pois também fui candidato a Estadual. Tornamo-nos amigos.
Hoje, pela manhã, estava com Eduardo Cunha, em seu escritório no Rio de Janeiro, quando uma repórter o questionou sobre os pontos de conflito no PMDB.
Eduardo disse que as coisas continuam como antes do Natal e que Minas continua sendo uma incógnita. Ou seja, nada mudou nos últimos 20 dias. Eduardo não disse nada que já não se sabia. Em 15 minutos o comentário virou frontpage do site da UOL.
Você conhece isso melhor do que eu Campbell, a imprensa fica desesperada quando não há novidade para noticiar e, em política eleitoral, janeiro nunca é um mês muito produtivo.
Continue com seu trabalho, está muito bom!
Um grande abraço,
Rodrigo Drable

Alexandre Campbell disse...

Uma boa manchete em destaque em um site como o Uol é capaz de requentar as informações. Mas embora não tenha falado novidade, as declarações de eduardo ou como elas foram inscritas acabaram por chamar a atenção.

abs,.

Anônimo disse...

O PMDB é o que há de mais danoso na política brasileira. Pior que ele, só o DEM. Aliás, são farinha do mesmo saco... O problema do Lula é que precisa desses caras para governar o País. Vai chegar uma hora em que o PMDB será atropelado pela história e será colocado no lugar que merece: um partidinho vendido, com interesses regionais e sem projeto nacional. Hélio Costa é um "cavalo paraguaio", o que na linguagem do turfe significa o que larga na frente, abre dois corpos de vantagem, perde fôelgo na reta final e chega em último.

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