segunda-feira, 27 de abril de 2009

A doença de Dilma e as eleições de 2010

Sejamos práticos. A doença de Dilma, divulgada amplamente sábado, altera completamente o quadro eleitoral para o ano que vem. Há duas hipóteses: a primeira é que o câncer, que apesar de identificado em período inicial é muito grave, impeça a ministra de concorrer. Dificilmente o PT e o Governo Lula terão condições de preparar um novo candidato e o caminho fica livre

para o PSDB eleger o próximo presidente da República.

A outra hipótese é que Dilma supere a doença, o episódio consiga suavizar a sua imagem e a ex-guerrilheira que enfrentou a tortura na ditadura, superou um câncer e enfrentou o preconceito de ser uma mulher na política, consiga manter a sua candidatura. Barbada! Será ela a nova presidente do Brasil.

Claro que a situação econômica e a popularidade do governo também são fatores relevantes, mas que ficam em segundo plano com este novo cenário.

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sexta-feira, 24 de abril de 2009

O problema não está na instituição, mas nos homens que a integram

O problema não está na instituição “Congresso Nacional”, mas nos homens que a integram. Deputados e senadores, é bom que se lembre, eleitos com os nossos votos. Mas se é possível ver algo bom nessa crise é o fato de que a Sociedade Brasileira está mais vigilante. Principalmente com o crescimento da Internet, as denúncias passaram a ganhar mais visibilidade e destaque. O próprio crédito pela revelação dessa farra é do site “Congresso em Foco”, que passou a pautar toda grande mídia.Resumindo: a corrupção não aumentou, mas sim o número de denúncias. Isso é bom ser repetido para que nem de longe passe a idéia de que democracia e Brasil não combinam. Algumas vozes sufocadas já foram ouvidas nas últimas semanas defendendo a “ditadura militar”. Ano que vem tem eleição. Pode ser uma boa oportunidade para tentarmos dar uma oxigenada no Congresso. Claro, que o atual sistema eleitoral não favorece muito renovações (é chover no molhado dizer que o Brasil precisa de uma reforma política), mas o desinteresse do povo pelas eleições legislativas também não colabora para a qualidade do parlamento. Resposta Clara Depois das eleições municipais de 2008, o deputado Fernando Gabeira (PV) saiu fortalecido como um dos principais nomes para as eleições fluminenses de 2010. O envolvimento do seu nome na farra das passagens arranhou a sua imagem e a forma como ele saberá lidar com isso vai determinar seu futuro político. O deputado fez um mea culpa e admitiu o uso de passagens da sua cota por parentes e prometeu que devolverá os valores para o Congresso. Quer aproveitar o momento para discutir mudanças na Política. Acho importante, mas estou sentindo falta de uma explicação clara desse episódio.O jornalista Gabeira precisa responder aquelas perguntas tradicionais do lide jornalístico (abertura da matéria, grotescamente falando): “Quem usou as passagens? Como? Quando? Onde? Por quê?Abaixo segue artigo de Gabeira, que não responde a essas perguntas, mas analisa o episódio. Aos que estão por vir Fernando Gabeira "Na crista da crise mundial, sopram ventos de mudanças. No norte, banqueiros e executivos tornam-se vilões. Aqui, políticos sofrem um bombardeio.Pelos seus traços fortes, caricaturais, os Parlamentos são alvo predileto. É perigoso concentrar só neles. Às vezes, acho que o governo escapa, sobretudo porque é um grande anunciante. Mas, pensando melhor, não é esse o ponto.O caso dos cartões corporativos ganhou grande espaço. Tanto ele como o escândalo das passagens são de fácil entendimento. Licitações, editais, relações com ONGs são temas ásperos, que não se reduzem a falas de 30 segundos nem se traduzem na linguagem visual.O que dizer da transparência no Judiciário, no Ministério Público? Não há demanda para saber como se comportam juízes e procuradores nem como é gasto o dinheiro com eles.Não são eleitos pelo voto popular. Independem dessa confiança básica, renovável. Com suas limitações, o processo que o avanço social e técnico deflagrou é a semente dos novos tempos. Na internet e entre os leitores, a sensação é a de que todos os políticos são iguais e deveriam desaparecer. É um equívoco. Depois de uma explosão nuclear, nem todos desaparecem: as baratas sobrevivem. Um Congresso fantasma ou um Congresso fechado não interessam à democracia. Vale um esforço para ajustar sua conduta agora e renová-lo em 2010. Quem dá um passo à frente?A sociedade avançou, a política envelheceu. É uma crise de crescimento da democracia. Jamais alcançaremos a perfeição. Mas vai melhorar. E os que estão por vir, como no poema de Brecht, serão compreensivos com os tempos sombrios que vivemos.Resta trabalhar para que a energia dos escândalos não esgote a busca de soluções. Devem andar juntas, como luz e sombra".

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quinta-feira, 23 de abril de 2009

“O Caralho do Ciro”

Todos lembram que em 2002, o hoje deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) chegou a liderar a corrida presidencial. Uma frase infeliz dita na época sobre a sua mulher, a atriz Patrícia Pilar, o fez despencar nas pesquisas, ao ponto de terminar a corrida em quarto lugar. Na ocasião, ao responder uma pergunta de jornalistas, Ciro disse: "minha companheira tem um dos papéis mais importantes, que é dormir comigo. Dormir comigo é um papel fundamental".

No meio do escândalo das passagens aéreas, ao criticar as medidas adotadas pela Presidência da Câmara, o deputado se exaltou, chamou os pares de babacas. Ciro foi acusado de emitir passagens, da sua cota, para sua mãe viajar a Nova Iorque e esbravejou com os jornalistas, que creditavam essa informação ao Ministério Público: "Ministério Público é o caralho! Não tenho medo de ninguém. Da imprensa, de deputados". "Pode escrever o caralho aí", disse.

Como cidadão e parlamentar Ciro tem direito de emitir a opinião que quiser, mas, como pré-candidato a Presidência, deveria ser mais cuidadoso na escolha das palavras. Reproduzo notícia da Folha:

Ciro insulta Ministério Público e deputados

Ele negou que sua mãe tenha utilizado passagens da sua cota aérea para ir a NY

"Ministério Público é o caralho! Não tenho medo de ninguém. Da imprensa, de deputados. Pode escrever o caralho aí", afirmou ele

Entre as muitas reações às medidas anunciadas pelo presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), contra a "farra das passagens", a do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) foi a mais "raivosa". Indignado, ele chamou colegas de "babacas" e falou palavrões enquanto conversava com jornalistas.

Ao negar em plenário que tenha emitido passagens de sua cota para a sua mãe ir a Nova York (EUA), Ciro foi mais moderado. "Trata-se de leviana e grosseira mentira aquilo que foi feito, envolvendo pelo menos o nome de minha mãe, octogenária", disse.

Minutos depois, no entanto, Ciro, ex-candidato a presidente da República, repetiu por diversas vezes aos jornalistas que creditavam a informação ao Ministério Público: "Ministério Público é o caralho! Não tenho medo de ninguém. Da imprensa, de deputados". "Pode escrever o caralho aí", disse.

Ainda muito irritado, o deputado criticou as medidas, anunciadas ontem, que vetam o uso da cota por familiares, chamando alguns colegas, sem dar nomes, de "babacas". "Até ontem era tudo [o uso de passagens] lícito, então por que mudou? É um bando de babaca", disse.

Em referência a Fernando Gabeira (PV-RJ), o deputado do Ceará também fez críticas a colegas que "se dizem do grupo dos éticos, mas dão passagens aos seus parentes". Ciro disse que não só não usou sua cota para sua mãe como devolveu, desde 2007, R$ 189 mil aos cofres públicos. Assinante do jornal leia mais em: Ciro insulta Ministério Público e deputados

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sábado, 18 de abril de 2009

Protógenes Disse Sim

O delegado Protógenes Queiroz finalmente admitiu o que parace claro para todos, em entrevista à revista Época: ele pode ser candidato a deputado federal. Aposto uma escuta ilegal: será candidato a deputado federal por São Paulo, pelo PSOL, com chances de ser o mais votado do Brasil. 

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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Senador mesmo morto gera despesas

Jefferson Peres foi, durante sua passagem pelo Senado, um crítico ferrenho da corrupção e defensor do bom uso do dinheiro público. Ou era conversa para inglês ver ou ele está se revirando agora no túmulo por conta da atitude da sua viúva. Veja reportagem que está na Folha de hoje: 


17/04/2009 - 08h08

Viúva de senador converte cota de passagem aérea em dinheiro

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da Folha Online
Hoje na FolhaO Senado transformou em dinheiro a cota de passagens aéreas deixada pelo senador Jefferson Péres (PDT-AM), morto em maio de 2008, e deu o valor para a sua viúva, revela reportagem de Andreza Matais, publicada na edição de hoje da Folha (a íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal). A conversão foi feita a pedido da viúva Marlidice Péres, que é juíza estadual aposentada.
De acordo com a reportagem, ela recebeu R$ 118.651,20 referentes à cota que o senador não usou de janeiro a abril de 2008.
A reportagem informa que esse procedimento não é previsto no ato do Senado que regulamenta o uso de passagens, mas foi liberado pelo então presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN).
À Folha Marlidice afirmou que o Senado "tem tanto desperdício de dinheiro público", que o pagamento a ela não pode ser considerado ilegal, pois a cota de passagem era do seu marido e, portanto, lhe pertencia.
Leia a notícia completa na Folha desta sexta-feira, que já está nas bancas.




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terça-feira, 14 de abril de 2009

O que é possível fazer em cem dias?

Esta semana a TV Rio Sul está entrevistando os prefeitos da região sobre os primeiros cem dias de Governo. Vários deles já convocaram coletivas para falar das suas primeiras ações, mas a verdade é que muito pouco se pode ver de mudança nas cidades da região. Até porque cem dias é uma marca simbólica, mas insuficiente para se avaliar um governo. No máximo, é possível tentar identificar rumos ou falta deles nas ações dos governos.
O momento econômico não é bom. A redução da atividade industrial e as isenções de impostos concedidas pelo governo federal reduzem o repasse para os municípios. A campanha do IPTU está nas ruas e, em momento de crise, é preciso aguardar para sabermos se haverá aumento na inadimplência. As ações dos prefeitos para minimizar os efeitos da crise são limitadas.
As diversas reuniões realizadas até o momento não mostraram resultados objetivos. Administrativamente, o que se espera dos gestores é cautela redobrada no uso do dinheiro público. Despesas supérfluas e excessos devem ser cortados, para que os serviços básicos sejam garantidos. Ou seja, é hora de fazer a política "feijão com arroz".

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segunda-feira, 13 de abril de 2009

PMDB de Garotinho não é o mesmo de Cabral

Essa semana dei uma passeada pelo blog do ex-governador Anthony Garotinho (www.blogdogarotinho.com.br). Lá o ex-governador, que é do PMDB (ainda) desce o malho no atual governador a torto e a direito. Não resta dúvida que Garotinho será candidato a governador, pelo PTB, dizem. Ele tem, no entanto, um grande empecilho pela frente: a fidelidade partidária imposta pelo STF. Com isso, muitos aliados de primeira hora de Cabral que estão no PMDB (a começar pela sua filha Clarissa, vereadora na capital, e sua mulher Rosinha, prefeita de Campos) não poderão deixar seus partidos sob pena de perderem seus mandatos. Há sempre o argumento de que estão sofrendo perseguição no partido para tentar alegar uma justa causa para mudança de legenda, mas o risco é sempre grande.
 
Sul Fluminense
 
Na Região, Garotinho tem muitos aliados. O problema é que muitos desses aliados são também aliados de Sérgio Cabral, que é quem está com a caneta na mão. Somada a questão da fidelidade partidária, lembrada acima, é mais fácil ficar ao lado do atual "chefe", mas que tem um monte de gente com uma dúvidazinha atrás da orelha isso tem ...

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quarta-feira, 8 de abril de 2009

O que será de Pezão?

 

Matéria sábado no "Globo" mostra que o vice-governador Luiz Fernando Pezão (PMDB), que acumula a Secretaria Estadual de Obras, já exerceu o governo como titular por mais de 100 dias, nas corriqueiras viagens de Sérgio Cabral (PMDB). A força de Pezão no Governo, no entanto, não é garantia de que ele conseguirá continuar na chapa de Sérgio Cabral ou que possa se cacifar para o Senado.

As chances de uma coligação do PT com o PMDB no Rio são muito grandes e, certamente, o Partido dos Trabalhadores vai requisitar a vaga de vice. Para o Senado, o PMDB já tem candidato, é o presidente da Alerj, Jorge Picciani. Para a segunda vaga, o partido terá também que ceder a um aliado.

Sobra para Pezão se candidatar a deputado federal e, nesse caso, se trabalhar direito pode ser um dos mais votados no Estado. Ex-prefeito de Piraí por dois mandatos, onde conquistou aprovação popular de cerca de 85%, é admirado no Sul Fluminense. No restante do Interior, é o contato mais freqüente de prefeitos e outras lideranças. Poderá ser, sem dúvida, o deputado federal mais votado do interior.

Mas, como a campanha ainda está longe, PMDB e seus aliados terão que fazer uma conta bem feita para saber se vale a pena trocar o vice para dar a vaga ao PT ou se o melhor é manter as trincheiras conquistadas no interior. Vale lembrar, que um fantasma, com grande força no interior volta a assombrar: Garotinho pode vir candidato pelo PTB.


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terça-feira, 7 de abril de 2009

Palocci Governador de São Paulo - Será que Cola?

Li recentemente o livro "Sobre Formigas e Cigarras", em que o deputado federal Antônio Palocci (PT-SP) conta em primeira pessoa sua ascenção, gestão e queda no Ministério da Fazenda. É um livro depoimento e, se não podemos incluí-lo entre os clássicos da política, é preciso dar mérito para o autor: com argumentos fortes, alguns mea-culpas, ele conta uma versão bastante convicente do seu período como ministro.
Se souber usar o discurso correto pode sim viabilizar sua candidatura ao governo do Estado. O problema principal é que ele terá que, a todo momento, ditar o discurso da campanha e tomar cuidado para não passar a eleição inteira se defendendo das acusações que o derrubaram do cargo de ministro. Outro problema é que São Paulo se mostrou nas últimas eleições, mesmo nas vencidas por Lula, em uma território Tucano, onde a influência do governador José Serra, virtual candidato do PSDB à Presidência, torna-se uma barreira "hoje" instransponível.
Passada a crise econômica, conseguindo o presidente Lula manter a sua popularidade em alta e, principalmente, conseguindo o Governo viabilizar a candidatura de Dilma, Palocci tem chances sim. Mas depende de muitos "se".

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