É impressionante a visão que se passa a ter dos veículos de comunicação e do jornalismo quando se deixa as redações e passa para o outro lado do balcão: as assessorias de imprensa. Um caso que vem me intrigando muito ultimamente é a falsa ética imposta pela mídia de que ouvir os dois lados basta. Resumidamente: você pode redigir uma matéria de três laudas detonando o sujeito e basta que no final da reportagem diga "que o fulano negou a autoria" que está tudo certo: jornal e jornalista podem dormir tranqüilo que fizeram a sua parte. Em outros casos, jornais publicam releases ou matérias de agência e nem a preocupação de ouvir esses dois lados tem.
O jornalista brasileiro está muito preguiçoso, cada vez mais os órgãos oficiais estão sendo as fontes principais de notícias e questionar é cada vez mais raro. Informações parciais são dadas como verdades definitivas. A pauta dos jornais parece ser decidida em grandes reuniões conjuntas, tal a falta de originalidade nas coberturas.
O exemplo recente é o caso da jovem Paula de Oliveira, que os Meios de Comunicação primeiro fizeram o estardalhaço de que ele teria sido agredida por neonazistas e, por conta disso, perdido a gravidez de gêmeos. Agora é tratada como uma criminosa, depois das declarações da polícia suíça. A imprensa errou no início e continua errando neste e em vários outros casos. Precisamos repensar nossa mídia, antes que não sobre nenhuma credibilidade.
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