domingo, 6 de dezembro de 2009

Para que servem as pesquisas eleitorais?

Faltando pouco menos de um ano para as eleições de 2010, as pesquisas eleitorais que invariavelmente são apresentadas servem para muita coisa, menos para prever os resultados eleitorais.

Sempre que é divulgada uma pesquisa eleitoral as reações são mais ou menos as mesmas: quem está bem comemora, quem não está bem questiona a sua credibilidade. Há também um terceiro grupo, aquele que interpreta as pesquisas à sua maneira, baseado apenas nas suas próprias preferências.
Como política não é uma ciência exata, as estatísticas precisam sempre ser analisadas com cuidado. Faltando pouco menos de um ano para as eleições de 2010, as pesquisas eleitorais que invariavelmente são apresentadas servem para muita coisa, menos para prever os resultados eleitorais.
Na disputa presidencial, por exemplo, é impossível saber quem serão os candidatos, quais as coligações vão formar, seus apoios nos estados. Serra ou Aécio pelo PSDB? O PSB lança mesmo Ciro Gomes ou vai apoiar Dilma? Ou quem sabe até o Aécio?
Neste momento pré-eleitoral as pesquisas têm outras finalidades: consolidar candidaturas, conseguir apoios, recursos, etc. O crescimento de Dilma Roussef nas recentes pesquisas teve como conseqüência, por exemplo, aumentar a cobrança sobre o governador José Serra para que diga se será ou não candidato à presidência.
Sua indefinição põe em evidência a tese de que espera as pesquisas de março para ver se continua na disputa ou parte para uma tranqüila reeleição em São Paulo.
Para Ciro Gomes, consolidar seu nome nas pesquisas eleitorais até março de 2010 é fundamental para que consiga o apoio de algum outro partido além do seu próprio PSB, que vai lhe garantir um tempo de candidato nanico na propaganda eleitoral no Rádio e na TV. E apoio nos estados.
Para Dilma, continuar crescendo significa espantar o fantasma Ciro Gomes e partir para a polarização com o Serra, como planeja o governo.
É preciso saber que interpretar pesquisas não é um exercício de futurologia, mas é importante ter em mente algumas dicas, como acompanhar tendências, comparar cenários, analisar a conjuntura atual (clique aqui e veja algumas dicas do jornalista político José Roberto de Toledo, que chama atenção para um fato interessante: a maioria dos eleitores não está sequer pensando em eleições).
Tome-se, por exemplo, as eleições de 1994. Em maio, Lula, que havia sido candidato em 1989, até maio liderava com 42 pontos, contra 16 de Fernando Henrique. Havia ali, claramente, um efeito recall. Veio o Plano Real e FHC elegeu-se no primeiro turno.
Há outros diversos casos de viradas clássicas, César Maia contra seu ex-aliado, Luiz Paulo Conde, em 2000. Recentemente Kassab, que saiu de um quarto lugar, terminou o primeiro turno na frente da ex-prefeita Marta Suplicy, e deu um banho no segundo turno. Há também casos de candidatos que nadaram, nadaram e morreram na praia, como o deputado federal Leonardo Quintão, que saiu do nada nas pesquisas eleitorais, terminou o primeiro turno praticamente empatado com o favorito Márcio Lacerda e tomou uma surra no segundo, quando, proporcionalmente, teve menos votos do que no primeiro.

No mais, se pesquisa decidisse os vitoriosos, não precisaria nem ter eleição.


(publicado originalmente, em 27/11/2009 na Revista Médio Paraíba)

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