quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Greve dos bancários expõe um problema: máquinas substituirão homens?

Odeio fila e, por conseguinte, odeio banco. A greve dos bancários (que já passa de duas semanas) me afeta muito pouco. Uso os canais de auto-atendimento e resolvo tudo. O único impacto que percebo é que os caixas rápidos ficam lentos, com mais pessoas procurando o auto-atendimento, mas também nem é tanto assim.
Entendo a greve dos bancários e admiro a capacidade de organização da classe. Manter uma greve por mais de duas semanas, hoje em dia, não é para qualquer categoria. Mas preocupo-me com inevitáveis reduções de postos de trabalho no futuro.
A greve mostra que cada vez mais é desnecessário enfrentar filas para fazer a maior parte dos serviços bancários (retirar folhas de cheque, efetuar depósitos, saques, transferências, contratar empréstimos, etc.).
Quer um exemplo? Hoje fui ao auto-atendimento fazer uns pagamentos e uma senhora, com seus 60 e poucos anos, me abordou pensando que trabalhava na agência. Antes que eu pudesse explicar que não, ela me contou o seu problema: precisava fazer um depósito para cobrir um cheque pré-datado, queria conversar com a sua gerente.
Expliquei a ela que não trabalhava no banco, mas que ela poderia fazer o depósito no caixa rápido e que um dos funcionários de colete poderia orientá-la. A senhora disse que não sabia e não gostava de usar o serviço. Na necessidade, teve que recorrer a ele. A greve daqui a pouco acaba, mas se os bancos continuarem reduzindo os postos de trabalho, mas pessoas terão que aderir aos serviços eletrônicos.
Há várias leis regulando o tempo máximo para atendimento bancário. Os bancos não respeitam, em primeiro lugar, porque os clientes não exigem seus direitos e os mecanismos de fiscalização são fracos.
Além disso, tem a questão financeira, para melhorar o atendimento seria preciso contratar mais gente e a intenção dos bancos parece ser o contrário: reduzir cada vez mais o número de funcionários, aumentar o tamanho das filas, para mais pessoas aderirem aos serviços eletrônicos, o que permite fazer novas demissões. No final, é um circulo vicioso onde o maior prejudicado é o trabalhador.

Comentário 1:

Como no caso da senhora que não sabia usar o caixa eletrônico, quem mais sofre com as greves e com esse pensamento dos donos de bancos são as pessoas mais humildes, os aposentados, quem não tem conta bancária e depende de enfrentar filas para pagar suas contas.

Comentário 2:

É meio egoísmo, mas para mim a greve até ajudou. Hoje fui a agência bancária retirar o cartão de movimentação da conta que precisei abrir mês passado (a empresa em que trabalho alterou o banco para depósito do meu salário). Para alguns casos, os gerentes que estão nas agências fazem o atendimento. Conversei com a moça do colete, ela entrou na agência e, em menos de cinco minutos, um funcionário veio com o meu cartão.  

Siga o Blog no Twitter. Clique aqui e dê um follow.


1 Comentário:

Thiago Beleza disse...

´euma tendência.... mas, como na revolução industrial, a substituição de mão de obra por máquinas gera alguns problemas de logística. alguns serviços não podem ser realizados por máquinas, há necessidade de um toque humano no processo. Computadores não são inteligentes... fazem o que são programados pra fazer...

Enfim, vivemos em um admirável mundo novo...

Postar um comentário

REGRAS - ATENÇÃO:

Seu comentário é muito importante. Passadas as eleições, o Blog volta a aceitar comentários anônimos, mas se identifique no campo nome pelo menos com um "nick" ou nome fictício, caso não queira assinar com o nome verdadeiro.

Por favor não escreva apenas em MAÍUSCULA, seja crítico sem ser leviano e evite repetir boatos e informações não comprovadas.

Não serão aceitos palavrões.

Blogosfera Política

PostRank

  ©Template by Dicas Blogger

TOPO