Em um quesito, Dilma sai na frente: tempo de TV
Vamos combinar: tempo de TV não ganha eleição. Só para citar as últimas eleições, em 2006, Alckmin tinha mais tempo que Lula e perdeu. Mas é um fator importante e, nesse quesito, pelo menos por enquanto, Dilma Rousseff sairá amplamente na frente. Mantido o atual cenário, ela 50% mais tempo de TV que Serra, isso no cenário que Ciro é candidato. Já Marina Silva e Ciro (se for mesmo candidato) terão tempos próximos aos dos nanicos que devem sair candidatos por partidos de extrema esquerda (como PSOL, PCO, etc). Confira o tempo dos candidatos em um cenário com seis candidatos a presidente.
Antes de continuar o raciocínio abro parênteses para quem não está muito habituado com a Legislação Eleitoral: o tempo de TV é calculado da seguinte forma: dois terços do tempo de acordo com a bancada de deputados federais eleitos (em 2006, no caso) e um terço de forma igualitária a todos candidatos. Para a eleição presidencial são destinados 25 minutos em cada bloco, as terças, quintas e sábados.
Numa situação hipotética, com seis candidatos, mantidas as tendências de coligações atuais, os tempos de TV dos candidatos seriam os seguintes *:
DILMA ROUSSEFF – 10min29s
(PT, PMDB, PRB, PR, PDT, PCdoB e PP)
JOSÉ SERRA – 6min59s
(PSDB-DEM-PPS-PTB)
CIRO GOMES – 2min16s
(PSB)
MARINA SILVA – 1min48s
(PV)
BABÁ OU PLÍNIO ARRUDA SAMPAIO 1min29s
(PSOL) –
RUI COSTA PIMENTA * 1min23s
(PCO)
(*) Os segundos que sobram dessa conta são em função de pequenos partidos que não anunciaram que rumo tomarão. Caso não se coliguem, o tempo é rateado entre os demais. Em função de outras candidaturas menores serem lançadas, haverá redução no tempo dos candidatos.
O BLOG PERGUNTA: Ciro Gomes mantém sua candidatura presidencial mesmo com esse pouco tempo de TV? É preciso considerar que esta não é sua única fragilidade, já que a falta de coligações (por enquanto) implica também na falta de palanques nos estados. Caso seja mesmo candidato, conseguirá manter a consistência da sua candidatura ou a disputa vai mesmo se polarizar entre PSDB e PT?
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(Publicado Originalmente, em 14/10/09, Atualizado em 07/02/2010, às 23:03













Campbell, nesta conta foi incluido o PSB na chapa de Dilma e Ciro.
Quanto ao PTB, este não estaria regionalmente mais proximo do Serra? Sem contar que a tendência nacional é o presidente Roberto Jeferson tirar o PTB da influência do governo lula.
Ola Paliteiro, obrigado pelo comentário. É, de fato, hoje o PTB está pendendo mais para Serra. Vou aproveitar a sua dica e vou atualizar esta postagem. Abraços!
Campbell, fiquei com uma dúvida. Não dizem que a Dilma coligada com o PMDB vai ter 60% do tempo de propaganda?
Tamara, muitos jornais e comentaristas estão cometendo este erro por desatenção. A base governista na Câmara tem cerca de 60% dos deputados do Congresso, isso incluindo o PSB e o PV (que também faz parte da base aliada). Mesmo que o PSB não lance candidato e esta base vá unida para as eleiçõs, com a exceção do PV, ela terá direito a algo como 60% do tempo que é distribuido de acordo com a bancada, portando 60% de 66%, ou 40% do total. Ocorre que os outros 33% são divididos de acordo com o número de candidatos(6 por exemplo). Portanto, Dilma deve chegar no máximo a 45% do tempo de propaganda eleitoral.
Obrigado pelo comentário.
O PSB está em uma encruzilhada. Ou lança Ciro Gomes e vai para a derrota certa, mas com a chance de eleger uma bancada um pouco maior de deputados, ou apóia Dilma e participa de uma chapa com chances de se sair vencedora, mas fica na rabeira de uma aliança enorme. Para onde for o partido será prejudicado.
Postergar a decisão de aderir a Dilma ou lançar Ciro não foi a melhor decisão, uma vez que não pode conquistar espaços nem na aliança nem nas pesquisas.
Abraços,
Gabriel Ferreira
Verdade Gabriel! Boa análise. O PMDB faz o caminho inverso e diante do crescimento da ministra Dilma nas pesquisas, quer antecipar logo a aliança e a candidatura a vice, para impedir que cresça um sentimento que já existe em parte do PT de que o PMDB não seria assim tão indispensável para a eleição de Dilma, o que diminuiria o cacife do partido na negociação.
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