domingo, 30 de agosto de 2009

Reforma Política: lista flexível e outras mudanças nas eleições proporcionais

O professor Jairo Nicolau (Iuperj), um dos mais respeitados cientistas políticos do Brasil, é defensor de uma alternativa interessante para o processo de reforma política no Brasil: a lista flexível, que tem como principal vantagem poder combinar simultaneamente a vontade do partido e a dos eleitores. Os partidos apresentam uma lista ordenada de candidatos; caso o eleitor concorde com a lista, vota na legenda; caso queira votar em um candidato específico, pode fazê-lo.


Um resumo da proposta de Jairo, que pode ser acessada na íntegra clicando aqui:

1. os partidos apresentam aos eleitores uma lista de candidatos em ordem de preferência;

2. os eleitores continuam votando em um nome da lista ou na legenda;

3. o total de votos obtidos por um partido (nominal mais legenda) é dividido pelo número de cadeiras que o partido elegeu, obtendo-se uma quota;

4. os votos de legenda são transferidos para o primeiro nome da lista até que este atinja a quota, e os votos em excesso são transferidos para o segundo candidato, e assim sucessivamente;

5. caso um candidate obtenha uma votação nominal superior à quota, ele tem prioridade na lista de eleitos.

A proposta de Jairo, somada a algumas três medidas simples, poderiam ajudar a melhorar a qualidade do nosso parlamento:

Fidelidade partidária ampliada para pelo menos dois anos, mantendo o entendimento do STF que o mandato pertence ao partido e não ao parlamentar. Com isso, o candidato teria mais identidade e compromisso com o partido e com seus ideais. Além disso, o eleitor correria menos riscos de comprar gato por lebre. (Infelizmente, nas épocas eleitorais vários candidatos se unem numa mesma nominata e o único interesse em comum é ser eleito, concorrem na mesma chapa um defensor das causas GBLT com um candidato com propostas homofóbicas, fazendo uma salada mista na cabeça do eleitor, que, por conta da proporcionalidade do voto, vota em um e acaba elegendo o outro).
Proporcionalidade dentro das coligações. Da mesma forma, que candidatos com idéias totalmente diferentes se unem sob uma mesma legenda, apenas por conveniência política, há casos em que partidos que não tem nada a ver se unem apenas com interesses eleitorais. Os partidos poderiam continuar se coligando, mas as vagas que conquistassem seriam distribuídas proporcionalmente pelo número de votos que cada partido recebeu separadamente.
Redução do número de candidatos. Atualmente a Legislação permite que os partidos lancem uma vez e meia o número de vagas em disputa nas casas legislativas (ou duas vezes em caso de coligação). Minha sugestão seria que fosse permitido lançar apenas 10% a mais do que o número de vagas (com o sem coligação). Os partidos muitas vezes lançam uma penca de candidatos apenas para somar votos para a legenda, com chance nenhuma de se eleger. O grande número de candidatos impede que o eleitor consiga prestar atenção nas propostas e acaba dando uma importância muito pequena ao parlamento, o que favorece os candidatos com mais recursos, que conseguem se destacar.

6 Comentários:

JAL disse...

Muito interessante, eu concordo com a lista flexivel e com o parlamento unificado. Palavra de ordem que estou trabalhando num ensaio para Unisul/SC.

Alexandre Campbell disse...

JAL, embora particularmente não ache que um parlamento unicameral seja a solução, acho que a sua proprosta merece ser discutida sim, já que há uma grande distorção na representação dos estados na Câmara dos Deputados. Como no Senado, o número de representantes é igual para todos os estados, a distorção no Congresso aumenta ainda mais.
A votação que elegeu Sarney no Amapá (144.782 votos) não lhe asseguraria uma vaga na Câmara de Deputados, se estivesse concorrendo por São Paulo.

Antônio Augusto disse...

Pode ser uma boa, mas é difícil acreditar que os parlamentares vão mexer em alguma coisa na legislação. Estão acostumados a se eleger dessa forma, não vão querer arriscar.

Anônimo disse...

o jeito é jogar uma bomba no congresso

Alexandre Campbell disse...

Antônio, é verdade. Talvez uma reforma política só saia a partir de uma grande mobilização da sociedade, que, infelizmente é despolitizada e acomodada.
Anônimo, tem hora que dá raiva mesmo, mas o parlamento é fundamental na cosntrução da democracia.

Alexandre Lucas disse...

A lista flexivel é a melhor saída para corrigir essa distorção. O que eu acrescento ainda é o voto vinculado entre o majoritário e sua respectiva representação no parlamento.
Presidente/deputado federal, Governador/deputado estadual e Prefeito/vereador. E concordo em parte com o projeto do senador cristovam buarque, na parte em que ele transforma os vereadores em conselheiros, nome usado na america latina, espanha e portugal. Na terrinha eles chamam o vereador de conselheiros do prefeito.

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