Não me estendi muito nas análises da pesquisa Ibope como fiz na recente Datafolha por dois motivos. Um é que escrevo no blog nas minhas horas vagas, e elas ficaram mais raras recentemente, em virtude compromissos profissionais, pessoais e acadêmicos. O outro motivo é que, na verdade, o Ibope não traz muitas novidades. As principais observações estão nesta análise geral e nesta análise específica sobre transferência de votos. CNI IBOPE: Dilma é menos conhecida entre os eleitores de Lula. Caso também queira ver um resumo dos principais números do Ibope de Março você os encontra aqui.
O resto é mais do mesmo todas as pesquisas que mostram que a Ministra Dilma Rousseff (PT) cresce nas intenções de votos à medida que aumenta o conhecimento de que é a candidata de Lula. Já Serra, mantém um quadro de praticamente estabilidade. Os pequenos recuos são absolutamente naturais. É uma “queima de gordura” tendo em vista que seis, sete meses atrás, Serra era infinitamente mais conhecido que os demais pré-candidatos. Continua sendo o mais conhecido hoje, mas numa proporção menor.
No entanto, estamos ainda no período de muita volatilidade, quando as intenções de votos ainda não estão cristalizadas. Basta observar que na modalidade espontânea de todas as pesquisas eleitorais a soma de Serra, Dilma, Marina e Ciro que são efetivamente os pré-candidatos neste momento fica na casa dos 20% e Lula, que não pode ser candidato, lidera todos os levantamentos.
Quando o entrevistador aponta uma lista com três ou quatro nomes, o eleitor tende a citar um nome que lhe seja mais comum, mais simpático. Sair-se bem em pesquisas eleitorais neste momento não deixa de ser ruim: ajuda atrair apoios, fechar alianças, arrecadar recursos, motivar a militância, etc.
Um dos efeitos das recentes pesquisas, por exemplo, é o esvaziamento da candidatura de Ciro Gomes. Lá em setembro, falava-se que Ciro precisaria crescer nas pesquisas até abril para conseguir viabilizar alianças, apoios e recursos. Não conseguiu e não deve ser candidato a presidente.
É possível imaginar também que haverá uma campanha polarizada entre Serra e Dilma, com o segundo turno dentro do primeiro. Isso, não só pelos índices atuais, mas pelo fato de terem as maiores coligações, mais tempo de TV, mais recursos de campanha, mais palanques nos estados. Marina, pobre Marina, sofrerá os efeitos deste FlaXFlu.
Contudo, os índices que tanto Serra como Dilma ostentam hoje não têm qualquer solidez. Vem de uma análise muito superficial de eleitor com baixo interesse e escassos conhecimento sobre a sucessão eleitoral. Confrontados a uma lista com alguns nomes, o entrevistado faz quase um uni-duni-tê e cita um nome mais familiar.
Intenções de votos em Serra:
Serra desde 1994, quando se elegeu Senador por São Paulo, participou da maioria das eleições majoritárias: foi candidato a prefeito de São Paulo em 1996, a presidente da República em 2002, eleito prefeito de São Paulo em 2004, governador de São Paulo, em 2006, e, em 2008, mesmo sem ser candidato foi o principal nome na disputa, “encarnado” em Kassab.
Foi, além disso, ministro do Planejamento e ministro da Saúde. Suas intenções de votos vêm da lembrança (boa, diga-se de passagem) dos cargos que exerceu. Mas não é uma análise do candidato, suas propostas, seu posicionamnto em relação ao Governo Federal, etc.
Em relação à Dilma, que nunca disputou qualquer cargo político, suas intenções de votos vem hoje principalmente da sua identificação com Lula e da grande exposição dos últimos meses. Igualmente, é uma análise puramente superficial.
Quando a campanha eleitoral começar para valer, em julho, e principalmente com o início do horário eleitoral, em agosto, o contexto será completamente diferente, o eleitor estará sujeito a outras interferências.
Continuidade
As pesquisas indicam também que há um desejo de continuidade na maioria dos eleitores e esta informação os pré-candidatos terão administrar. A princípio, obviamente favorece a candidatura oficial, mas não é uma equação matemática: “gosto de Lula, logo voto em Dilma”.
O eleitor pode gostar de Lula e de Serra ao mesmo tempo, fato observado em São Paulo, por exemplo.
A candidatura oficial parece já ter a estratégia definida: é o “nós contra eles”. A estratégia da oposição deve ser algo como tentar desconstruir Dilma e o PT, preservando Lula.
Mas isso tudo são só pistas...
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