Segunda-feira

MINAS GERAIS: Na Eleições 2010, as nuvens movem-se a todo o momento

Do Oiapoque ao Chuí *

“Política é como nuvem. Você olha e ela esta de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”. Nada melhor que a frase atribuída ao ex-governador de Minas, Magalhães Pinto, para definir como anda o cenário político nas Gerais, nestas Eleições 2010. Hoje, ao olhar para o céu da política mineira o que se vê são cenários completamente indefinidos. Certo apenas é que o vice-governador Antônio Anastásia (PSDB) assume o governo no início de abril, quando o titular Aécio Neves precisará para disputar as próximas eleições, a princípio, como insiste, a senador.

Mas há várias perguntas que aguardam respostas:

1) Aécio virá mesmo a senador ou aceitará a vice-presidência?
Depois de retirar sua pré-candidatura à presidência, ele reiteradamente assegura que será candidato ao senador, em detrimento das pressões do seu partido para que seja vice na chapa presidencial liderada pelo governador paulista José Serra. Enquanto o PSDB não anunciar o nome do vice, essa dúvida vai pairar. Na verdade, até José Serra renunciar ao mandato de governador, haverá mineiros com a expectativa que Aécio possa ser ungido candidato a presidente, coisa que se política não permite dizer que é impossível, pode se dizer que é improvável.
2) O PT e o PMDB conseguirão chegar a um acordo para a formação de um palanque único para Dilma Rousseff no Estado? Neste caso, o candidato será o Ministro Hélio Costa, do PMDB, ou o candidato será do PT. Se o PT lançar candidato, coligado ou não com o PMDB, será este o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, ou o ministro Patrus Ananias?
3) O vice-presidente José Alencar (PRB), no alto dos seus 77 anos, e tendo enfrentado uma luta contra o câncer será de fato candidato nas próximas eleições? Neste caso, virá ao Senado, como anunciou, ou disputa o governo, como forma de unir o PMDB e o PT?

Cada resposta poderia gerar uma série de cenários hipotéticos. A forma como este blogueiro consegue ver as nuvens de Minas Gerais no momento é a seguinte:

Haverá uma polarização entre a base do governador Aécio Neves contra a base do Presidente Lula. Isso significa que PT e PMDB caminharão juntos. Determinado a assegurar o apoio do PMDB para a aliança com Dilma, o PT oferecerá “a cabeça” dos petistas mineiros e “o cabeça” de chapa será Hélio Costa, o PT indica o vice, que talvez possa ser o ministro Patrus Ananias. José Alencar ocupa uma das vagas do Senado e a segunda vaga também é preenchida pelo PT, com a função de oferecer um escudo para José Alencar (clique aqui e entenda o que é o candidato escudo e como funciona as eleições para o Senado com duas vagas em disputa, como acontece este ano).
Do lado governista, Antônio Anastásia vem candidato ao governo, com um vice indicado pelo DEM. Aécio e o ex-presidente Itamar Franco (PPS) são os candidatos ao Senado.
Para o Governo, a polarização trará um resultado imprevisível. Hélio Costa larga na frente nas pesquisas, terá o apoio do PT e de Lula. Mas Anastásia, a partir de abril, sentará na cadeira de governador e contará com o apoio e o prestígio de Aécio. O resultado é imprevisível.
Também apresentam-se como aspirantes ao governo: Vanessa Portugal (PSTU) e Maria da Consolação (PSOL).
Para o Senado, a briga também será boa. As duas vagas em disputa são hoje de titularidade de Hélio Costa e Eduardo a Azeredo. O primeiro como se sabe prefere o Governo, embora as circunstâncias possam faze-lo candidato à reeleição. Já Azeredo, diante da grande concorrência, pensa em candidatar-se a deputado federal.
No contexto atual, três candidatos fortes disputarão duas vagas. É quase certo que Aécio Neves ficará com uma delas. Alencar e Itamar brigariam pela segunda, com uma ligeira vantagem para o primeiro, na modesta opinião deste blogueiro. Outro nome que se apresenta como pré-candidato é o empresário Clésio Andrade, que foi vice de Aécio no primeiro mandato, e é suplente do senador Eliseu Resende (DEM), que tem mandato até 2015 e não deve concorrer a nenhum cargo nestas eleições.

Em relação à eleição presidencial

Em 2002 e 2006, Aécio, do PSDB, elegeu-se governador com votações expressivas, mas Lula, do PT, passeou sobre os candidatos do PSDB, com votações igualmente significantes. O fenômeno ficou conhecido como “Lulécio”. O fenômeno pode se repetir. Mas Dilma não é Lula? Nem Anastásia é Aécio. Ou será que não são mesmo?
Dilma Rousseff nasceu no Estado, que é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, embora sua carreira política tenha sido construída no Sul. Isso pesará de alguma forma? Aécio vai realmente se empenhar pela vitória de Serra? Nas eleições de 2002 e 2006, ele foi acusado de não se esforçar pelos presidenciáveis tucanos. Duas frases têm sido ditas, quase em seqüência por Aécio, e um “mas” entre elas alteraria bastante o contexto: “A melhor forma que tenho de ajudar Serra é ficando em Minas (rejeitando a vice)”; “Minha prioridade é fazer o sucessor”.
Resumindo: o resultado em Minas é imprevisível e pode ser decisivo. Isso acontece porque se imagina (este é o palpite do blog) que Dilma vencerá no Norte, no Nordeste, no Rio de Janeiro e no Espírito Santo, e Serra no Centro-Oeste, no Sul, e em São Paulo.

RAIO X – MINAS GERAIS


ELEITORES: 14.150.093 (10,73% dos eleitores brasileiros) **
GOVERNADOR: Aécio Neves (PSDB)
POSSÍVEIS CANDIDATOS AO GOVERNO: Antônio Anastásia (PSDB), Hélio Costa (PMDB), Patrus Ananias (PT), Fernando Pimentel (PT), José Alencar (PRB), Vanessa Portugal (PSTU) e Maria da Consolação (PSOL)
SENADORES COM MANDATO A SEREM RENOVADOS EM 2010: Hélio Costa (PMDB), Eduardo Azeredo (PSDB)
SENADOR COM MANDATO ATÉ 2015: Eliseu Resende (DEM)
POSSÍVEIS CANDIDATOS AO SENADO: Aécio Neves (PSDB), Itamar Franco (PPS), José Alencar (PRB), Hélio Costa (PMDB), Eduardo Azeredo (PSDB), Patrus Ananias (PT), Fernando Pimentel (PT) e Clésio Andrade (PR)
NA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL, o estado pende para ... Indefinido

* Oiapoque a Chuí é uma proposta de fazer um Raio X pelos Estados. Clique aqui e entenda. Ou clique na Tag Oiapoque e leia todos os textos relacionados ao tema.

** Dados do TSE, de Novembro de 2009.

Observação: A série está atrasada, uma vez que o blogueiro direcionou as horas vagas que dedica, por prazer, a este blog às análises das pesquisas de opinião no mês de janeiro. Já realizamos até agora 13 estados. Faltam 14. Chegaremos lá.

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José Nader, presidente do TCE, quer voltar a ser presidente da Alerj

O jornal Foco Regional informa na edição desta segunda-feira, que o Presidente do Tribunal de Contas do Estado, José Nader, que se aposentará compulsoriamente no próximo dia 23, quando completar 70 anos, pensa em retomar a sua carreira política. Cogita candidatar-se a deputado estadual e sonha alto: ser presidente da Alerj, cargo que ocupou entre 1991 e 1994.

Caso a candidatura vá para frente, o filho de José Nader, de mesmo nome, que atualmente é deputado estadual poderia vir candidato a deputado federal ou até mesmo não disputar às próximas eleições, abrindo caminho para o pai.
Segundo o jornal, Nader, o pai, tem o privilégio, por ser conselheiro de tribunal de contas, não precisar cumprir o prazo de filiação partidária mínima e pode escolher o partido que quiser. A se julgar pelo comportamento do filho na Alerj, seu partido não chegará nem perto de partidos da base do governador Sérgio Cabral.
As opções mais próximas seriam o PR e o PTB. O PTB é o partido de José Nader, o filho, e no PR estão abrigados outros membros do “clã Nader”, cuja base política é o Sul Fluminense: o vereador Guto Nader e o ex-deputado federal Carlos Nader, respectivamente filho e sobrinho do conselheiro.


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Semelhanças entre Aécio e Ciro

Ciro Gomes (PSB) e Aécio Neves (PSDB) são amigos. Ambos têm o sonho de, um dia, chegar à presidência da República e, nesta eleição de 2010, embora estando em lados opostos da política, vivem situações parecidas. Aécio, depois de brigar sem sucesso por prévias no PSDB, desistiu da candidatura presidencial e lançou-se ao Senado por Minas. É pressionado para aceitar ser vice de José Serra, o que nega veementemente.
Ciro ainda mantém sua candidatura ao Planalto pelo PSB, mas, depois de ter aceito ano passado transferir seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo, é pressionado a abandonar a corrida presidencial e embarcar na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Talvez não seja candidato a presidente, se o seu partido lhe negar legenda, daí aceitar a disputa em São Paulo é uma distância grande.
Qualquer que seja o desfecho do caso Ciro, já ficaram mágoas e desgastes que podem comprometer o engajamento do deputado na candidatura Dilma Rousseff (no primeiro ou no segundo turno). Sendo candidato, Ciro será isolado e o próprio PSB poderá sofrer retaliações em alguns estados. Ainda que o PSB se alinhe ao PT no segundo turno, não é possível assegurar que Ciro não fará corpo mole.

Se não for candidato a presidente e realmente não ceder as pressões para concorrer em São Paulo, mergulhará na campanha do irmão, Cid Gomes, à reeleição no Ceará e mandará o PT pastar, como disse que faria com o ex-presidente do PT, José Dirceu.

Do lado do PSDB, essas rixas já aconteceram. Aécio, e aí está a sua grande diferença para Ciro, tem um comportamento político mais “mineiro”. Quando viu que sua candidatura presidencial estava sendo fritada pela direção do PSDB, que claramente preferia Serra, tirou seu time de campo. Afirma que se dedicará por Serra, mas deixa claro que sua prioridade passa a ser eleger o sucessor, o vice-governador Antônio Anastásia.

Vale lembrar que em 2002 e 2006, Aécio foi acusado de fazer corpo mole pelos candidatos dos PSDB, Serra e Alckmin. Preferiu “dar prioridade” à sua candidatura ao Governo, o que acabou produzindo o voto “Lulécio”, tanto que Lula ganhou de lavada no Estado nas duas eleições.

Publicado Originalmente na Coluna Entrelinhas, mantida por este blogueiro na Revista Médio Paraíba.

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Escudo para senador: estratégias em eleições com duas vagas

O mandato de Senador tem duração de oito anos e a cada eleição renova-se um terço ou dois terços do Senado, que é formado por 81 senadores (três de cada unidade da federação, independente do número de eleitores). Nas Eleições 2010, serão renovados dois terços do atual Senado, portanto cada estado elegerá dois senadores. Muita gente não sabe ou não se lembra, mas neste caso pode-se votar duas vezes para o Senado. Por isso, uma estratégia eleitoral boa para um candidato que quer se eleger é fazer uma dobradinha com um candidato mais fraco, com objetivo de evitar que seus eleitores fieis votem num outro candidato que tenha também chance de se eleger.
Para ficar mais claro o entendimento, recorro ao um exemplo concreto, que aconteceu aqui no Rio de Janeiro, nas eleições de 2002, quando foram eleitos, em primeiro lugar, Sérgio Cabral (PMDB), hoje governador do Estado, e Marcelo Crivella (hoje no PRB e na época filiado ao extinto PL, que se transformou em PR).
Crivella lançou uma dobradinha com a hoje vereadora no Rio Lílian Sá e incentivou que seus eleitores “fiéis” (aqueles que o escolheram como primeira opção) votassem também em Lílian. Lílian conquistou mais de 300 mil votos, ficando em oitavo lugar, entre 20 candidatos. Com a estratégia, Crivella impediu que boa parte desses votos (que, teoricamente, foram dados por eleitores que escolheram o senador como primeira opção) migrassem para um adversário direto na disputa.
Esta estratégia é importante em locais onde três candidatos disputam de forma acirrada duas vagas, como deve ser nas Eleições 2010, em Minas, entre Aécio Neves, José Alencar e Itamar Franco ou, novamente, no Rio, entre César Maia, Benedita da Silva (ou Lindberg) e Marcelo Crivella.


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Domingo

Em um quesito, Dilma sai na frente: tempo de TV

Vamos combinar: tempo de TV não ganha eleição. Só para citar as últimas eleições, em 2006, Alckmin tinha mais tempo que Lula e perdeu. Mas é um fator importante e, nesse quesito, pelo menos por enquanto, Dilma Rousseff sairá amplamente na frente. Mantido o atual cenário, ela 50% mais tempo de TV que Serra, isso no cenário que Ciro é candidato. Já Marina Silva e Ciro (se for mesmo candidato) terão tempos próximos aos dos nanicos que devem sair candidatos por partidos de extrema esquerda (como PSOL, PCO, etc). Confira o tempo dos candidatos em um cenário com seis candidatos a presidente.
Antes de continuar o raciocínio abro parênteses para quem não está muito habituado com a Legislação Eleitoral: o tempo de TV é calculado da seguinte forma: dois terços do tempo de acordo com a bancada de deputados federais eleitos (em 2006, no caso) e um terço de forma igualitária a todos candidatos. Para a eleição presidencial são destinados 25 minutos em cada bloco, as terças, quintas e sábados.

Numa situação hipotética, com seis candidatos, mantidas as tendências de coligações atuais, os tempos de TV dos candidatos seriam os seguintes *:

DILMA ROUSSEFF – 10min29s
(PT, PMDB, PRB, PR, PDT, PCdoB e PP)

JOSÉ SERRA – 6min59s

(PSDB-DEM-PPS-PTB)

CIRO GOMES – 2min16s
(PSB)

MARINA SILVA – 1min48s
(PV)

BABÁ OU PLÍNIO ARRUDA SAMPAIO 1min29s
(PSOL) –

RUI COSTA PIMENTA * 1min23s
(PCO)


(*) Os segundos que sobram dessa conta são em função de pequenos partidos que não anunciaram que rumo tomarão. Caso não se coliguem, o tempo é rateado entre os demais. Em função de outras candidaturas menores serem lançadas, haverá redução no tempo dos candidatos.

O BLOG PERGUNTA: Ciro Gomes mantém sua candidatura presidencial mesmo com esse pouco tempo de TV? É preciso considerar que esta não é sua única fragilidade, já que a falta de coligações (por enquanto) implica também na falta de palanques nos estados. Caso seja mesmo candidato, conseguirá manter a consistência da sua candidatura ou a disputa vai mesmo se polarizar entre PSDB e PT?


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(Publicado Originalmente, em 14/10/09, Atualizado em 07/02/2010, às 23:03


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